domingo, 24 de julho de 2016

Kirby 64: The Crystal Shards

O jogo começa quando uma força escura misteriosa toma conta do mundo das fadas. Um mundo chamado de Ripple Star. Na fuga, uma das fadas acaba caindo no mundo de Kirby, um mundo chamado de "Pop Star", e Kirby resolve ajudar a fadinha a recuperar cristais roubados pela força escura e expulsá-los da sua terra natal, Ripple Star.

São várias fases e cada uma representa um planetinha que foi dominado pela força escura. Interessante é que um planeta chamado "Shiver Star", shiver = tremor, arrepio do frio, é exatamente o nosso planeta. Podemos reconhecer o desenho dos continentes, porém, todos congelados, nosso planeta, na visão do pessoal que desenvolveu o jogo, não passa de um rochedo completamente congelado... o que será que aconteceu? Guerra nuclear ou outra coisa? Essas beliscadas de ordem ecológica é bem comum em jogos.




Talvez o grande desafio que o Nintendo 64 enfrentou na sua época tenha sido a falta de memória do cartucho para por toda a beleza e criatividade dos seus jogos dentro dele. Jogando Kirby eu sinto isso a cada fase. Não, não são fases ruins, nada disso, são fases curtas, com poucos oponentes e algumas gambiarras que, ao olhar de um jogador da época passava despercebido. Uma coisa que fica clara durante a jogatina é que o jogo possui fases curtas e vazias, quer dizer, com poucos personagens por "metro quadrado". Sim as fases são bonitas, coloridas e com efeitos interessantes, mas possuem pouca coisa a se fazer no geral.


Essa restrição é remediada com um level design muito inteligente, entretanto, é difícil esconder o fato de que a todo momento temos o incrível exercício da criatividade da Nintendo em colocar o máximo dentro de um cartucho que deveria ser de CD. E os motivos são óbvios:

Muita informação com ambiente 3D e jogos mais complexos que a época já exigia, sim deveria ser CD. Muitos personagens são reaproveitados durante as fases para compensar a restrição de memória.

Quase sempre quando a gente toca no assunto "cartucho do meia quatro", o som é o primeiro item a receber críticas. Em Kirby não tenho problemas com isso, e em geral eu acho que o som no Nintendo 64 não pode competir com uma mídia CD, isso é fato, mas isso não chega a ser tão impactante neste game. A parte sonora cumpre sua função, não é maravilhosa, é funcional.

O que incomoda é que Kirby é bom mas poderia ser muito melhor. O número de oponentes é baixo se comparado aos jogos da franquia em outras plataformas, isso sem falar que alguns chefes de fase tem a "cara de pau" de serem formas geométricas puras, isto é, em determinado momento temos que enfrentar polígonos coloridos. E a explicação a isso é clara. Se temos pouca memória o que seria mais cômodo, construir... um personagem cheio de detalhes, camadas e texturas ou... construir aquilo que é mais simples e "cru" possível para um computador interpretar... a simples geometria espacial? Não apenas chefes de fase como alguns elementos das fases são por "coincidência", porcas e parafusos, coisas geometricamente simples.


Mas mesmo assim o jogo é interessante, porém pode ser chato para pessoas acostumadas com mais variações, seja de oponentes ou de desafios. Um ponto forte é o level design, como mencionei antes, fases que possuem passagens secretas ou passagens não tão óbvias, surpreendem o jogador em vários momentos. Além da constante mudança da perspectiva da visão do jogador.

Embora seja um jogo 2.5D, as transições de câmera durante a partida são sensacionais. Não temos apenas a visão básica lateral, nada disso, a todo momento nosso angulo de visão muda, rotaciona, ora temos Kirby de lado, ora em visão "3/4", e até mesmo em uma terceira pessoa bem distante, onde nosso personagem rosa é apenas uma bolinha lá no fundo da tela, bem pequeno, onde controlamos ele lá de longe.




Kirby é fácil, simples e repetitivo... porém bonito visualmente, fases bem construídas e claro, um apelo bem infantil e fofinho. O que já é notório da franquia. No começo do jogo chega a ser irritante a facilidade em passar pelas fases, temos que chegar até a terceira fase para começar a aproveitar um desafio mais convidativo, e daí para frente o que era repetitivo e chato acaba ganhando um tom mais robusto no gameplay, tornando o jogo bem mais interessante.

Isso não chega a ser um defeito, afinal, é um jogo de criança, feito para crianças, é claro que um adulto vai se sentir entediado em algumas partes, diferente de Mario 64, por exemplo, que possui um desafio muito mais amplo e é um jogo pensado para todas as idades.



Durante a trajetória fofinha de Kirby, o mesmo possui a habilidade e provavelmente o "porte" de diversos tipos de armas e ataques. Afinal, todo herói sabe que para enfrentar gente da pesada é preciso artilharia da pesada. Os recursos de ataque que Kirby possui faria com certeza Mario molhar as calças. Itens como sabre de luz com duas pontas, um alicate gigante dentado ou até mesmo um campo elétrico que frita inimigos que estão por perto, são apenas algumas das habilidades que Kirby adquire durante as fases com seu estilo nada convencional de sugar os inimigos e absorver suas qualidades.




Quando eu penso em Kirby eu lembro de uma fusão entre os monstrinhos (Gloop e Gleep) do antigo desenho os Herculóides com o Majin Boo e Cell de Dragon Ball. Se um personagem da Nintendo se tornasse real para atacar a humanidade, eu detestaria que este personagem fosse Kirby. A graciosidade falseada e comportamento dócil enganam sua verdadeira personalidade de combate.

Kirby é um monstro terrível e ainda bem que está do nosso lado. Brincadeiras à parte, Kirby é um personagem muito carismático, não é à toa que a Nintendo sempre quis ser a Disney do Oriente, e de certa forma conseguiu isso, marcando o imaginário de várias pessoas ao redor do mundo, inclusive, fazendo frente a Mickey Mouse e Cia.

7 comentários:

  1. Como esse foi meu segundo Kirby (meu primeiro foi o Super Star de SNES), fiquei meio decepcionado com a falta de possibilidade de criar um parceiro usando o poder absorvido e achei isso um retrocesso enorme em relação ao de SNES (que até hoje é um dos meus jogos preferidos).

    Por outro lado, a possibilidade de misturar poderes foi bem inovador e mesmo tendo bem menos inimigos em relação a outros jogos da série (acho que até o de Nintendinho tem mais), foi possível igualar a quantidade de habilidades.

    Enfim, o jogo é bom, mas nem de longe meu preferido.

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    1. Tem jogos que parecem albums de música. Eu gosto muito de alguns específicos e não ligo pro resto da discografia do artista. Alguns artistas (games) acertam mais outros menos, mas em geral, ter uma franquia (discografia) top, é muito difícil. Acho que a versão do SNES foi um disc... digo, um jogo incrível. :)

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    2. Sim e a de Nintendinho não é tão diferente, mas o Super Star acertou demais, não sei se tem outro Kirby tão bom.

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  2. Me lembra muito o Dream Land 3 do SNES, ambos bem legais, mas curtos demais, acho que o Superstar foi o que levou a série ao ápice.

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    1. Tem razão Doc. Inclusive vendo o Dreamland fica aquela sensação de que o N64 passou por uma fase difícil com seus jogos. Se a própria Nintendo fez um "mexido com os restos do almoço" pra servir na janta, imagine o trabalho das outras publicadoras em trabalhar com um hardware poderoso porém limitado na mídia. Mesmo assim o 64 tem jogos ótimos, mesmo com uma biblioteca pequena.

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  3. Que curioso, final do mês passado eu tive a minha primeira experiência com Kirby (Triple Deluxe - 3DS). E hoje mesmo olhei minha lista de jogos terminados justamente buscando títulos de N64 que eu tenha terminado, concluí que não tenho nenhum. Aí me deparo com seu texto. Coincidência, eu ri aqui.
    O título que experimentei tem várias características citadas no seu texto: 2.5D, primeiras fases bem simples, fases mais desafiadoras (porém nem tanto, no caso do 3DS) mais pra frente, level design inteligente, coisas escondidas e power ups divertidos.
    Eu sempre tive o maior preconceito do mundo com Kirby, confesso. Que bobagem da minha parte! Acabei me divertindo muito com o do 3DS e agora considero jogar este do 64 pra colocar alguma coisa do console na minha lista. Até as cutscenes me fizeram dar risada, mesmo que sejam coisas totalmente infantis mesmo (eu não tenho necessidade de ficar provando que sou adulto e/ou intelectual o tempo todo).
    Pena que foi feito em cartucho, que grande erro que a Nintendo cometeu nesta época. Ainda assim, fizeram malabarismos pra lançar ótimos títulos, inclusive alguns que são referência até hj.
    Belo texto, Ulisses!

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    1. Pra jogar Kirby é preciso estar na "vibe" correta para aproveitar o game Cadu. Não dá pra sair de um Contra ou Mortal Kombat e partir direto pra uma jogatina de Kirby. Se alguém disser que ele é péssimo ou ótimo eu não tenho como defender, Kirby sempre abre margem a todos os tipos de críticas e elogios, Kirby é muito LOCO KKKKKKKKKKK!
      Eu acho que o cartucho foi birra mesmo, eu lembro de ter visto em uma revista francesa de games... put@ m3rd@ pena que não tenho mais a referência Cadu, mas enfim, era uma propaganda da Nintendo zombando o Playstation. Tipo, o N64 recebeu vários prêmios na Europa com seus jogos manjados, tipo essas premiações obviamente patrocinadas e com abrangência só no local mesmo, o comercial falava algo do tipo... mesmo ser sem em CD ganhamos todas... ou algo assim. Eu as vezes penso repenso e volto a pensar na Nintendo, daí eu ligo o emulador e... penso e repenso e começo a jogar... daí eu percebo que... que... cada época tem das suas e na época, mesmo forçando o cartucho o meia quatro era visto como um console top, e o playstation era o que dava pra comprar, essa áurea mágica que flutua na cabeça do playstation só ocorreu de fato no play 2. Eu quase tive uma diarréia de emoção com a qualidade gráfica do play 2 frente ao play 1. Foi um salto bem expressivo.

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