O Turbo Game Em 1990


A CCE provavelmente tentou inovar, mas acabou transformando um controle genérico, porém funcional, do antigo Top Game, em um pesadelo para qualquer jogador com a versão do console Turbo Game VG 9000T.

O Brasil da metade da década de 80 e início dos anos 90, foi palco dos mais diversos aparelhos eletrônicos piratas e portanto não licenciados. Eram cópias descaradas de equipamentos de empresas americanas e japonesas em todos os segmentos da tecnologia, inclusive videogames.

Em 1986 os EUA foi atingido por uma febre intensa na população jovem, depois de devidamente diagnosticada por especialistas, chegou-se a conclusão que o agente causador da febre respondia pelo nome de Nintendo, e o vírus desse agente ficou conhecido pelo nome científico "Super Mario Bros".


O famoso console Nintendo da empresa de mesmo nome, produzia dólares nos EUA com a mesma facilidade que um agricultor produzia alface aqui no Brasil, com a vantagem da verdinha deles ser mais rentável, não ter aditivos químicos e não depender do clima ou de uma faixa de temperatura correta para crescer. E por isso esta empresa despertou grande interesse de alguns empresários brasileiros culminando com o aparecimento de diversos consoles clones por aqui,cujo o termo "compatível com sistema Nintendo" era seu principal argumento de venda.

Brincadeiras e exageros à parte, a Nintendo chegou a ter 90% do mercado americano de games naquela década, e como essa febre tinha um interessante efeito colateral - dinheiro - as empresas do Brasil também se interessaram em trazer para o país das bananas algo semelhante. Eu digo semelhante e não a própria Nintendo porque existia uma lei de importação que impedia produtos estrangeiros de tecnologia em nosso território.

E essa prática não começou com a clonagem Nintendo. Videogames clones de Atari e alguns micros (na época a gente chamava o PC de micro) também eram alvos da "nacionalização" de tecnologia e foi dentro de toda essa onda que acabou aparecendo o Turbo Game. Em outras palavras, foi dentro deste contexto todo que várias empresas brasileiras, apoiadas em uma lei de reserva de mercado que impedia importações e fazia vista grossa as falsificações locais, é que a CCE em 1990 colocava mais um clone no mercado, o Turbo Game.

Mais um clone porque a CCE também fabricava um Atari genérico que fez muito sucesso por sinal, além disso, outras empresas como a Dysmac ou Dactar-Comp também estavam operando no mercado com suas cópias de videogames tentando lucrar e sobreviver diante de um cenário que impedia a livre comercialização de produtos de tecnologia.

Diante disso tudo chega as lojas brasileiras o Turbo Game CCE e este foi o meu console Nintendo, o meu primeiro "Nintendo" que ganhei. A CCE lançou outros modelos "compatíveis Nintendo", mas o que chegou nas minhas mãos foi o mais famoso imagino, e também o mais bizarro. O console era excelente. Ótimo acabamento, muito bem feito mesmo, o botão de liga e desliga muitas vezes é criticado por parecer "frágil demais", mas eu nunca tive problemas com ele, com certeza era só aparência, além disso tinha duas entradas para poder rodar jogos americanos (72 pinos) e japonês (60 pinos), o que era incrível, não precisávamos mais ficar emprestando adaptadores para jogar os cartuchinhos japoneses, isso foi um tremendo avanço.

Mas a CCE por algum motivo resolveu criar um novo modelo de controle, o que antes era bem parecido ao tradicional, controles quadrados estilo Nintendo, agora o controle tinha um design e aparência completamente insanos. E é aí que vem o lado bizarro do console, o seu controle.

O principal problema dele é que ele era totalmente contra intuitivo. Tinha o formato de um controle de Mega Drive invertido, totalmente fora de qualquer lógica ou padrão. Eu lembro que qualquer pessoa, e digo qualquer pessoa mesmo, gamer ou alguém que nunca jogou nada na vida, enfim, qualquer ser humano que pegasse o controle nas mãos, automaticamente o segurava "de ponta cabeça", isto é, do jeito certo (igual ao Mega Drive), mas que era o jeito errado segundo a CCE.

Eu não entendo como que algo tão fora de lógica conseguiu chegar nas lojas daquele jeito. Tudo bem que a ideia da CCE com aquele novo modelo de clone era impressionar, inclusive a caixa do videogame tinha a imagem de um caça estampada na frente, o que é razoável, pois acho que eles queriam passar a ideia de "turbo" de "força" ou algo assim, mas em relação ao desenho do controle a coisa ficou muito ruim, não é uma questão visual, era um erro anatômico mesmo.

Eu ganhei este console e não tinha opção, portanto eu tive que me acostumar com o controle do Turbo Game. E de fato eu conseguia jogar bem depois de um certo tempo de adaptação, as abas do controle ficavam para fora, para cima, justamente essas abas que no Mega Drive a gente usa para dar maior segurança na firmeza das mãos pois ficam para baixo!

O mais bizarro é que a versão VG 9000, chamada de Top Game, era basicamente a mesma da VG 9000T, o Turbo Game sem a função turbo porém usando controles normais, retangulares, imitando um pouco o próprio Nintendo. Não faço ideia do motivo que levou a CCE lançar outro console basicamente com a mesma estrutura mas com um controle tão absurdamente estranho. Bom, depois de um tempo eu acabei comprando um controle normal, e pude melhorar minha performance com os jogos do nintendinho.

Comentários

  1. Alguns aparelhos clones são de chorar, por outro lado, alguns são convidativos por apresentarem compatibilidades e um sistema menos trancafiado permitindo modificações por parte do dono (gambiarras).

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    1. Eu lembro que quando abri a caixa do Turbo Game e entendi qual era o jeito do controle fiquei um pouco frustrado, mas mesmo assim o console em si era excelente.
      Pelo menos no Brasil os clones foram uma forma de ter um console mais barato, não justifica, mas de certo modo a reserva de mercado teve algum lado bom.

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  2. Esse controle é uma aberração mesmo. E pensar que a CCE começou tão bem, com um console que rodaria os dois tipos de cartuchos sem adaptadores. Não dá pra entender que JÊNYO pensou que o controle do Mega de ponta-cabeça seria uma boa ideia. Ainda mais pra jogos de Nintendinho, que são muito casca grossa e dependem de precisão de controle e agilidade do jogador. Bizarro, não?
    Curiosidade: vc disse ter comprado um controle "normal". A entrada do Turbo Game era a mesma que de outros famiclones?
    Eu confesso que não manjo nada de famiclones! rs
    Valeu Ulisses!

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    1. Sim, a entrada era a mesma. Eu comprei um daqueles controles genéricos que aparecia nos comerciais da ação games se não me engano. Detalhe é que os botões B e A eram ótimos neste controle do Turbo Game... já o direcional e o formato do controle em si eram complicados mesmo.
      Pense o seguinte Cadu. Na época ninguém sabia o que era um NES original, e mesmo quando uma locadora trouxe um uma vez, todos nós pensamos:
      Olha só este videogame, além de ter que botar o cartucho dentro dele, ele ainda rejeita alguns jogos. Foi bem isso, ninguém tinha a noção de original ou pirata, era só consoles que rodavam o "sistema Nintendo" seja lá o que isso signifique. Se fosse para escolher entre um NES ou um clone, 10/10 garotos da época escolheria um clone, mesmo sem saber o que clone significava. Nossa única preocupação na época era se o cartucho era 60 ou 72 pinos, e quando ganhei meu Turbo Game, o problema acabou.

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  3. alguem sabe da existencia de um emulador dele onde posso baixar as roms

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    1. O Turbo Game é um clone de Nintendo. É só buscar um emulador de Nintendo.

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