Danger Girl: Sensualidade Perigosa

Na revista Ação Games número 157, Felipe Azevedo assina o artigo: "Sensualidade Perigosa", para descrever um jogo de ação e espionagem com belas garotas para Playstation. Embora a revista tenha dado um 5,2/10, e de fato, outras publicações que eu encontrei on-line também não foram muito sensíveis ao game, eu durante a partida considerei Danger Girl um jogo bom, mas com alguns problemas. Sem dúvida eu daria uma nota maior a da Ação Games, mas como eu jamais dou nota para jogos, por considerar uma tarefa que beira o esoterismo, a saída foi escrever este review, já que em alguns casos, palavras são muito melhores do que números.

Danger Girl é uma série de HQ que foi lançada no Brasil, portanto as garotas perigosas já eram quadrinhos antes de virar videogame.



Temos três personagens femininas que se alternam entre as missões, cada uma com uma habilidade diferente e uma beleza estonteante fazendo o estilo Femme Fatale. Abbey Chase, a loira, especialista em arqueologia (puxando um pouco de Lara Croft) línguas antigas e misticismo, a JC, a ruíva, faz o tipo mais garota rústica, é especialista em explosivos e engenharia e a Sydney Savage, a morena, que como o próprio nome diz é bem sexy, no estilo "mulher gato" com aquela roupa colada e o chicote na cintura, sim ela usa um chicote além das diversas armas que o game disponibiliza durante as missões. Sua especialidade é ser furtiva e portanto é uma sniper, a arma dela possui a mira de longa distância que é fundamental para missões de resgate.

O engraçado é que o chicote, embora seja uma "arma" que esteja a todo momento no menu e portanto "munição infinita", é uma peça apenas decorativa, um mero fetiche, em nenhum momento do game é necessário seu uso, e digo mais, usá-lo é quase inviável, já que enfrentar criminosos armados com um simples chicote é ficção demais para Danger Girl.

Além disso existe uma quarta garota "danger" que fica dando apoio em um centro de operações montado dentro de um iate super moderno e equipado com as mais avançadas tecnologias de computação e hackeamento. Ela ajuda as garotas à distância com suas habilidades de hackear sistemas e abrir portas eletrônicas, é o que ela mais faz, embora prefira trabalhos mais desafiantes, ela sempre reclama... "Portas?, não algo mais difícil do que isso?", sempre em tom de brincadeira e muito humor.

Todas elas estão sob as ordens de um homem que lembra muito o estilo do filmes "As Panteras" (Charlie´s Angel) já que todas elas também são agentes secretas e respondem a esse líder que se chama Deuce. Embora pelo que eu li (não assisti ao filme) "As Panteras" não usam armas, apenas tecnologia e artes marciais. Bom... aqui em Danger Girl temos muitas armas e explosivos, e tudo nas mãos dessas belas agentes. É bom destacar que a presença masculina é sempre meramente coadjuvante em todo o jogo. Enfim, Danger Girl é um game de garotas versus garotas. Os reféns de algumas fases são todos homens e a inversão do padrão, isto é, homens salvando mulheres, é recorrente aqui. Afinal de contas não poderia ser diferente as personagens principais são mulheres.
 
A trama é absurda. Um ditador esquisito que usa mascara e se alimenta ou respira por um sistema autônomo de refrigeração que fica pendurado em suas costas, parecendo um mutante, quer dominar o mundo usando uma tecnologia estranha com base em poderes místicos antigos herdados de uma civilização antiga.

É mais ou menos assim, existe um local místico que associado a uma pedra com escritos antigos e cristais enriquecidos, é possível construir um tipo de máquina que daria super poderes a soldados, fazendo do ditador o líder de um exército supremo. A organização dele, ao que parece, possui um campo de ação que atua em várias partes do mundo, seus objetivos de dominação global ficam bem claros já na intro do jogo, quando uma animação mostra uma seta saindo de um mapa que mostra a Alemanha (não cita diretamente mas o local é visivelmente lá) e acaba atingindo os Estados Unidos, e na sequência o mundo todo. Uma referência mais do que manjada do nazismo, inclusive suas tropas aparecem na intro lembrando muito as tropas nazistas em linha marchando. E para finalizar essa abobrinha toda ( mas que acaba ficando legal por incrível que pareça), a organização chamada de Hammers, estão fazendo algum tipo de enriquecimento de um tipo especial de cristal verde que quando posto em uma máquina junto ao objeto místico é capaz de transferir grandes poderes de destruição.

O jogo é bem variado. Essa riqueza de cenários é muito bem feita e interessante. O jogo se passa em lugares bem diversos como Costa Rica, Mar Negro, Suíça... o que faz parecer bem aqueles filmes estilo James Bond ou Jason Bourne, onde temos ação, espionagem e tiros... muitos tiros. Aliás na primeira missão, Costa Rica, um traficante chamado Donavin está guardando uma relíquia secreta antiga para o grande chefão, o que causa surpresa em Abbey, uma das agentes, ao perceber que o traficante está trabalhando para algo maior... muito maior.

Embora os gráficos do game em relação a texturas de objetos como carros, mapas e quadros nas paredes seja bem baixa, em contra partida as cenas entre as fases possui uma animação muito bonita, e claro, diálogos impagáveis cheios de bom humor. O jogo te convida a invadir terrenos, desativar bombas, alarmes, eliminar oponentes e salvar reféns.

Além de ações paralelas como pegar o combustível extra de um caminhão para usar em um motor gerador de eletricidade para poder ligar os sistemas do local e coisas do tipo. Um problema do game é sua mecânica. As vezes não flui exatamente como gostaríamos que um jogo de tiro em terceira pessoa devesse fluir. Mas mesmo assim eu acredito que defeitos existem em vários jogos do Playstation, e neste caso não é algo tão comprometedor que faça o jogador desistir do game ou o torne inviável, nada disso. Aliás, muitos jogos do Playstation apresentavam problemas que eram relevados durante a jogatina, pois afinal de contas eram os jogos nascendo em 3D, e sabemos que a partir do dia que os jogos saíram do 2D para o 3D, a quantidade de erros e bug´s aumentaram.


Até hoje temos jogos com erros grosseiros, imagine nos tempos do Playstation. Acho que o ambiente 3D é mais suscetível a erros pois possui uma quantidade muito maior de variáveis para o processador trabalhar e muito mais chances de possíveis erros para falhas humanas na programação. Mas repetindo, não é algo que invalide a jogatina, a gente apenas olha, "sente os controles", entende suas limitações e se adapta a elas. Eu li algumas críticas em sites sobre Danger Girl e em geral ele é penalizado na sua jogabilidade, eu concordo que o sistema de comandos não é uma maravilha, mas por outro lado discordo totalmente da intensidade das críticas, fazendo o leitor entender que o game é perda de tempo ou algo assim.



Este tipo de análise não reflete a realidade, apenas se o responsável pelo "review" jogou 1 ou 2 horas de jogo e desistiu... só assim mesmo. E não me refiro ao texto da Ação Games que foi apenas com intenção de divulgar o jogo do que analisá-lo com mais profundidade, minha divergência é em relação as outras fontes que encontramos hoje em dia na internet. O que peca se a pessoa não entender o jogo e seus defeitos é basicamente ao encostar nas paredes, às vezes simplesmente ficamos travados nela, sem poder se mexer para os lados, e obrigando o jogador a andar para trás para recuperar o movimento. É claro, nem preciso dizer que se isto acontece em momentos decisivos é uma coisa muito decepcionante ver seu personagem perdendo energia e levando tiros sem poder atirar ou mirar. Por isso mesmo que eu evito correr e chegar em paredes, só quando necessário.

Outra coisa são os pulos e agarradas nas beiradas de paredes, uma coisa bem típica da Lara Croft, aliás elas possuem muitos movimentos parecidos ao da Lara de Tomb Raider, mas com uma precisão muito comprometida. Ainda bem que o jogo não é baseado em pulos, pegadas de parede e exploração, e sim na infiltração de território e tiros. Mesmo assim, dá um "frio" na barriga em momentos que devemos pular em uma corrente ou uma corda e geralmente um enorme buraco é o que temos bem abaixo.

São coisinhas que devemos aprender dentro do game. Como Danger Girl possui um desafio médio, é comum nas primeiras missões a gente perder vidas e ter que recomeçar, mas os saves do game são tão bem posicionados que vale à pena recomeçar, sem falar no ótimo senso de humor entre as falas dos personagens que te incentiva a jogar de novo e de novo.

O sistema de comandos é o seguinte. "X" atira, "O" é o botão de ação, triângulo busca a mira e o quadrado pula. É possível trocar de armas usando o menu do jogo e cada garota possui um leque de armas e dispositivos que precisa para usar em cada fase, sendo que para cada missão os elementos de apoio mudam. Vários momentos de surpresa o game nos reserva, fazendo com que o gameplay se torne a cada missão um desafio inteligente e interessante.

Detalhes como por exemplo, a vidraça superior de determinado sistema de informações inimigas que não quebra, por ser à prova de balas e obrigando o jogador a seguir outro caminho, a surpresa fica por conta de que em todo o decorrer do jogo, existe momentos emblemáticos em que a gente usa os vidros, quebrando-os, ou para atingir mais oponentes ou para usar como atalhos. Imagina minha cara de otário surpresa ao ficar todo contente em encontrar uma vidraça em um momento chave do jogo e... as balas pipocarem e os refis pularem para todos os lados e quanto ao vidro... nem um risco. Detalhes, sempre eles dando o sabor, o tempero, aquele "algo mais" que todo jogo bom deve ter. Danger Girl tem muito desses momentos de surpresa, humor e até mesmo ironia.

















Os eventos de resposta rápida dos controles, aqueles momentos em que uma sequência de botões aparece na tela e temos que apertar no tempo certo, também aparecem aqui. São muito bem feitos e aplicados de forma inteligente, não entedia o jogador ou parece ser apenas um joguinho sem graça, como de fato ocorre em muitos games, principalmente os atuais. Por exemplo, em determinado momento uma das agentes é pega pelos bandidos, de repente aparece uma tela onde JC está em cima de uma mesa de hospital, presa, e um médico maluco está prestes a fazê-la confessar seus planos na base da tortura. É aí que entra os eventos de botões, se acertamos tudo no tempo certo, JC dá um jeito de escapar e o faz no melhor estilo filmes de ação.

Eu fiquei surpreso pela qualidade dos momentos "puzzle" do game. Quem poderia imaginar que para desarmar bombas teríamos que fazer uma sequência de botões bem no estilo do brinquedo "Simon" ou como era conhecido no Brasil, o "Genius". Que faz uma sequência sonora e luminosa e temos que repeti-la. Interessante que embora exista um "chefe" das meninas ou algo assim, a figura masculina só aparece no começo do game com mais frequência, ele atua realmente como um mero coadjuvante, aliás uma das estrelas é a quarta garota, a Val, que fica junto ao Deuce, e faz todas as operações de hackeamento e suporte tático para outras 3 Danger Girl.

Como o jogo é baseado nas HQ´s, a parte artística das garotas e chefões obviamente são "copiados" desta mídia. Por isso mesmo, talvez seja um fã service, provavelmente é, a cada transição de missão aparece um "banner" na tela na forma de um belo desenho indicando o tema da missão que vai começar, é o carregamento de tela do jogo.. E como todas as Danger Girl são muito sensuais, até mesmo a vilã é linda, essas artes são no mínimo provocantes... o que é ótimo, já que esta é a premissa dos quadrinhos.

Essa parte da sensualidade é muito bem trabalhada. Uma das fases Abbey, a loira, precisa se infiltrar em uma mansão na Suiça onde os soldados dos Hammers estão operando. Ela usa um disfarçe no qual vai a uma festa desta mansão, logo ela está de vestido saia curta, ideal para uma festa em uma mansão aquecida no inverso da Suíça, mas péssimo para uma agente secreta que vai com esta roupinha invadir os subsolos do local e derrotar inimigos. É aí que entra a criatividade do game e Abbey precisa pegar uma roupa termica que está escondida dentro das instalações internas da mansão. E com as outras meninas ocorre o mesmo, elas usam roupas de frio se está frio, isto é, elas são maravilhosamente sensuais, mas se está frio o jogo não as "obriga" a lutar de shortinho. Ok, neste ponto elas venceram a Lara...

E por falar em quadrinhos, uma coisa que eu senti falta, mesmo não sendo um leitor da HQ, foi uma parte dedicada a arte do game, uma parte de colecionáveis ou algo assim. É bem comum esse tipo de coisa no Playstation, já que o CD comporta esses mimos, mas de todo modo ficamos só com as belíssimas imagens de carregamento de tela na qual eu me referi anteriormente.

Voltando a questão dos controles ruins eu faria um destaque a batalha final, que apesar de não ser difícil, acaba ficando trabalhosa nos primeiros momentos exatamente pela jogabilidade dura, que durante a partida toda não chega a ser tão relevante mas que no combate final, que exige mais ação e reflexos, acaba por atrapalhar um pouco. Superando isso é tranquilo.

Nos créditos finais a equipe de desenvolvimento listou todos os jogos que ele jogaram durante a produção de Danger Girl, alguns jogos fazem sentido, outros nem tanto, em relação ao game. Mas acho que o fato de eles listarem esses games é porque de alguma forma esses jogos foram relevantes.

Mulheres lindas, muita ação e bom humor, um carisma das personagens que extrapola a questão física, momentos que fazem o jogador rir e se surpreender durante as missões, em outras palavras, muita diversão garantida para quem gosta de um tiro em terceira pessoa leve e sem a seriedade de um Syphon Filter, por exemplo. Danger Girl é sem dúvida um daqueles jogos bons que peca em alguns pontos, mas no todo, se mostra uma grande aventura no Playstation.


Comentários

  1. O PS1 guarda muitos jogos que eu nunca ouvi falar. Esse apesar de não oferecer inovações deve ter um bom apelo graças as personagens do jogo. Muitos penalizam jogos 3D pelas limitações e bugs inerentes, porém eu acho que os jogos 2D também tinham muitas falhas mas as pessoas toleram melhor isso. Outro ponto é que rolou um culto aos jogos tridimensionais, principalmente no ocidente, talvez isso também tenha aberto portas para um mal acabamento só por causa desse apelo visual, hoje muitos terminaram datados e a pessoas passam longe.

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    1. Jogos em 2D também possuem bugs mas eu acho que o fato do 3D tentar simular algo bem mais real as falhas automaticamente se tornam mais irritantes e difíceis de se maquiar. As falhas se tornam mais reais também kkkkkkkkk. Doc, esses dias eu estava pensando qual a biblioteca mais farta de estilos... a do Super Nintendo ou a do Playstation, acho que em teroms de variedade o Playstation ganha porque além dos estilos 2D que o Super apresenta, ele ainda engloba aqueles jogos estranhos Adventure com imagens digitalizadas típicas do 3DO e também aqueles jogos bizzaros de simulação como conduzir trem bala ou usar uma escavadeira, coisas típicas do N64 e seus jogos "only japan" bizzaros também. O Playstation é um puta universo de games. Esse culto ao 3D eu lembro que foi uma coisa irritante, tive muita resistência em jogar jogos assim, principalmente os de luta, aliás, até hoje eu prefiro o sistema 2D para jogos de luta. Em relação a Danger Girl as texturas poderiam mesmo ter ficado melhores, o jogo é de 2000, isto é, o CD estava mais do que consolidado, e poderia ter uns extras também na parte dos quadrinhos.

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  2. Não joguei este jogo na época, acho que nem sabia da existência dele ou da HQ. Pareceu um bom jogo para a época do PSOne, mas é o tipo de jogo que eu não jogo nem a pau pq provavelmente acabaria julgando por um monte de coisa que não deveria... kkkkk.
    Legal o negócio de trocar de roupas, contexto de buscar roupa em outro lugar pq a invasão precisou começar com roupa de festa e tudo mais.
    Agora, não entendi foi o lance dos desenvolvedores listarem o que eles jogaram que influenciaram, praticamente propaganda gratuita! Isso não vemos nos dias de hj! rs
    Vou ver uns vídeos com gameplay em breve pra ver um pouco mais e matar a curiosidade, como falei, não pretendo jogar... hehe.
    Belo post!

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    1. Cadu eu sei que você não vai jogar... mas se algum amigo seu ou conhecido jogar, fala pra ele que o game é bem legal e possui uma atmosfera de filmes de sessão da tarde, embora exista uma boa sensualidade nas garotas, os combates e o gameplay em geral não é safadinho! :), claro, eu sei, você não vai jogar, mas se algum amigo seu jogar... fica à dica. :)
      O quê? Propaganda abusiva hoje em dia? Nem pensar! KKkkkkkk

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