segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Running Battle: Metade Bom... Metade Ruim

Em um futuro próximo na América, uma cidade vivia tranquila até que uma região foi dominada por um grupo de criminosos. A região ficou conhecida como Dark Zone e muitos crimes aconteciam por lá. Diante disso o sargento Brody da "National Police Association Academy", resolve acabar com os crimes da região, sozinho. Infelizmente ele morre em combate e seu parceiro, detetive sargento Gray, vai de encontro com esta organização para vingar a morte de Brody e recuperar a paz no local. Esse é o começo do fim da Dark Zone e dos soldados da escuridão, como são conhecidos os bandidos que dominaram o local, isto é, se você for bom o suficiente para resistir os incríveis erros na programação deste game.



O que tem de bom?


Pelo título a impressão que dá é que o game não vale à pena, e isso não é verdade, mas o lado ruim dele é tão expressivo que merece o título com certeza, mas... o que ele tem de bom?

As músicas são boas, genéricas, porém bem feitas o suficiente para dar aquele clima de videogame que todos nós gostamos. Em alguns momentos chega até a empolgar. Também destaco os gráficos que ficaram bem bonitos, principalmente o da primeira fase, com uma referência ao logo da SEGA. As fases únicas, que pertencem aos chefes de fase, também receberam um ótimo trabalho em pixel art.



Os inimigos, são bem simples, nada que surpreenda, mas são bem feitos. Temos um marujo, um cowboy, um samurai, um cara chamado Miracle Man, que parece aqueles "homens bala" de circo, e o final, o MR. M. Que apesar do nome é bem parecido com nosso herói, isto é, sem adotar um personagem caricato, aparecendo simplesmente como um "cara de cara limpa", porém a serviço do mal.


As cores são bem vívidas, afinal é o Master System, o rei das cores no 8 bits. Os desenhos dos itens e suas cores também são legais. O visual geral lembra um pouco o aclamado jogo Zillion, mas isso visto de longe, porque ao jogar e conhecer os detalhes de Running Battle, provavelmente você vai mudar de ideia.

A distribuição das armas é bem legal. Temos a "gun" padrão, o riffle, imagino que seja um rifle pois a inicial do item é "R", que vem com menos tiros e os socos. Os tiros são limitados mas aparecem com frequência durante a partida. Temos outros itens como vida, reforço de golpes e um especial que age como se fosse uma invencibilidade. Ao pegar este item, o personagem faz jus ao nome do game e pode sair correndo em alta velocidade sem cair em nada e sem perder energia com nada.

O que tem de ruim?


Itens que aparecem e reaparecem 3 segundos a frente sem fazer o menor sentido. Estramos jogando e aparece um "life", você dá alguns passos depois e reaparece. Pode parecer legal isso mas não faz sentido, claramente é um erro ali.


Erros de colisão "fantasmagóricos" aparecem às vezes, como por exemplo, ficar em cima do item de energia ou arma sem poder pegá-lo! Só para esclarecer. É impossível segurar ou subir em cima desses itens, ao tocá-los, automaticamente nós o absorvemos, eles não possuem matéria, é como as moedas do Mario, você toca elas desaparecem. Mas aqui em Running Battle, pode acontecer do personagem ficar em cima dos itens!




Os erros de programação são constantes, de forma que podemos prevê-los. Por exemplo, em determinadas partes, inimigos cometem suicídio, sempre... porque ficam pulando loucamente para tentar pegá-lo, uns conseguem, outros não conseguem "enxergar" onde tem plataforma e onde tem um buraco. Surpresas nada legais,  e o que falar dos pulos, em geral funcionam muito bem, mas... em alguns momentos ao pular em cima de buracos o pulo simplesmente "carrega", fica lento e com alcance menor, logo... queda na certa. É de tal modo que ao chegar perto de um buraco eu "testo" o pulo para ver se ele está "fluido". O que acontece é que as vezes ao ir para frente o cenário não foi todo "puxado" e acontece esse erro do pulo. Não é sempre, mas basta acontecer uma vez que a gente já fica com medo de pular os buracos. Não confundir esses erros com a jogabilidade do personagem em si. Ela é boa, muito boa aliás. Os socos e chutes respondem muito bem, o problema está na hora em que o personagem vai interagir com os outros elementos na tela, é aí que faltou a calibração.

Se você ficar abaixado, ninguém te pega, pode acontecer, mas é difícil, por outro lado você também não anda, não progride. Fases repetitivas... e simples. Ao jogar nas primeiras duas fases a gente espera que a coisa continue assim, neste nível para cima, mas infelizmente o jogo para nisso e não oferece nada demais nas fases posteriores e tudo acaba ficando muito parecido e chato. Engraçado que ao se aproximar dos chefes, sua "fases" ficaram bem diferentes e melhores. É como se o pessoal que desenvolveu fez primeiro as fases dos chefes ( que na verdade é um salão de encontro, não é grande o suficiente para chamar de fase) e depois fez tudo nas pressas para terminar o jogo.


Existe essa diferença que destoa do resto da fase que deu acesso a essa parte do chefe. Ora se foi bem feito aqui, por que não fizeram o mesmo no jogo todo? Repetição... são cinco fases bem repetitivas, bonitas mas todas bem parecidas, e como o jogo é bem curto, mesmo para os padrões do Master, a sensação que fica é que o game repete demais o visual, e isso torna o jogo mais cansativo, como se não bastasse a programação maluca.

A abertura é bem legal, contando os motivos que levaram o sargento Gray em seguir sua missão mas o final... é apenas uma tela estática. Reforço, a sensação que fica de que o game foi feito em duas partes: Uma inicial boa, e outra, as pressas, literalmente "correndo" contra o tempo. Isso não é tão ruim, afinal é apenas texto, não é nada demais, principalmente para quem valoriza a jogabilidade acima de tudo, mas... eu gosto quando tem uma historinha no final do jogo que complementa a historinha do início, não precisa por, mas já que começou, então termine direito.


Existem dois tipos de finais, isto é, duas telas fixas diferentes, e o que define aparecer uma ou outra é o simples apertar de um botão. Isso não é ruim, mas é bizarro. Na penúltima fase, temos uma alavanca bem destacada, mas como o jogo é uma repetição visual quase que por completo, essa alavanca pode passar despercebida. Ao puxá-la, temos acesso onde a irmã do sargento Brody está, sim o cara foi morto mas a irmã dele estava viva e estava nas mãos dos "soldados da escuridão" e descobrimos isso só na penúltima fase. Mas se não puxarmos alavanca nenhuma, podemos seguir com o jogo e o final terá uma tela diferente dando uma "dica" algo como. 

"ok você venceu mas não está faltando ninguém?"

Puxe a alavanca e tenha acesso a sala onde está a irmã de Brody

Esse jogo é complicado porque mesmo com os defeitos é possível gostar dele. E eu entendo isso perfeitamente. Vai depender muito de cada jogador, da paciência e de como cada um encara esses tipos de problemas. Afinal de contas o game tem suas qualidades. Digo mais, poderia ter ficado um belíssimo jogo. Mas na minha opinião, para o meu paladar, esse jogo é intragável. Se a programação dele fosse melhor e as fases ficassem mais interessantes como as duas primeiras são, poderíamos ter um belo jogo no Master System, rivalizando com Batman ou Zillion. Obviamente Running Battle teve problemas, seja de calendário ou outro tipo de problema na execução do game. Isso é nítido porque tem muita coisa boa misturada com coisas sem sentido dentro do jogo. É diferente de um game tipicamente ruim, onde o conjunto da "obra" entrega o serviço de má qualidade. Running Battle é meio bom e meio ruim. Mas de todo modo, meu conselho é esse... corra de Running Battle.

8 comentários:

  1. Esse negócio da alavanca no final me lembrou Comix Zone, de Mega Drive.

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    1. Rapaz... taí um jogaço que preciso por no blog, eu nunca joguei Comix Zone seriamente até o fim. Faz tempo que to de olho nele!

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    2. Joguei tem pouco tempo, naquele emulador de Mega Drive da Steam, é um jogo um pouco difícil, mas muito divertido.

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  2. Uma pena o jogo ser mal acabado, tem um visual interessante. Tava buscando uns jogos legais pro master além dos clássicos tipo Black Belt, Kenseiden e etc..

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    1. O Master possui poucos jogos classe A em relação ao Nintendo, entretanto quando o jogo é bom, o Master System detona!
      Infelizmente, boa parte do melhor do Master vai ficar nos clássicos... Sonic, Streets Of Rage, Strider... como eu não tive um Master (só joguei na casa de um vizinho na época) eu ainda estou descobrindo seus jogos mais obscuros e que valem à pena.

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  3. Cara, vc é bonzinho pra falar que este jogo é metade bom! kkkkkkkkkkkkk
    Eu lembro de ter jogado num passado distante em emuladores, pq eu lembrava das fotos em catálogos do Master e este jogo parecia sensacional e tal, fui jogar e quase tive um treco. E olha que normalmente eu esqueço fácil das coisas, mas quando o tróço é marcante (pro bem ou pro mal), acabo lembrando. E desse eu lembro. Como é que a SEGA tem coragem de fazer propagandas nos muros deste jogo eu não sei... bom, é a SEGA, ela nunca foi convencional! huahuahuahuahua
    Deu até vontade de jog.... errr... cof cof cof... peraí que eu vou estapear minha própria cara pra não passar por esta experiência de novo... se eu não continuar este comentário é pq exagerei na força. Peraí...

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    1. KKKkk temos alguém que possui um trauma no Master System? Mas esse é o problema dele Cadu. Por fotos e catálogos parece um super jogo para Master, mas ao jogá-lo você sente que o jogo desmotiva. Mas por outro lado, o personagem é bem feito, tem uma historinha legal, aquele logo da SEGA bem no início te pega emocionalmente pela questão Arcade (lembre que nos jogos arcades era comum placas e propagandas de empresas, coisas do gênero se auto referenciando), por tudo isso Running Battle age como se fosse uma bela de uma isca. Mas tem gente que curte o game e supera essas lambanças com a jogabilidade... entretanto, essas mesmas pessoas nunca falaram o quanto gastaram com terapeutas. :)

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