Cyborg 009: O Pequeno Príncipe de Metal

Cyborg 009 está mergulhado nos anos 60. É da mesma época dos desenhos japoneses como Astro Boy, o game é baseado no mangá de mesmo nome que surgiu em 1964. Por isso, também reflete toda a estética e os medos dos anos 60.



Cyborg 009 é um game plataforma que conta a história de um grupo com abrangência internacional que visa fornecer armas de alta tecnologia para abastecer as guerras por todo o planeta. É uma organização mundial, com cientistas preparados para usar da mais avançada biotecnologia para produzir super soldados!



O grande objetivo é ser o monopolista no fornecimento de armas de alta tecnologia do planeta. Um desses cientistas se rebela contra esses planos de dominação global e deixa escapar alguns dos primeiros protótipos desses soldados de guerra, os ciborgues, que fazem parte da primeira linhagem da produção 00. Os ciborgues ficam fora do controle do sistema e começam a pensar por conta própria. Criam um grupo de resistência e são chamados de rebeldes. É claro que este grupo de ciborgues, automaticamente após a fuga, se tornaram os alvos máximos da organização.

Afinal são "suas máquinas" que estão "fora do controle". Veja bem que aqui nós estamos falando de ciborgues e não de robôs, isto é, antes da mais nada eles são humanos que foram modificados. Possuem partes orgânicas com partes tecnológicas. A organização simplesmente raptava pessoas e as transformava em sua propriedade. Esses ciborgues rebeldes são desta origem.

As imagens iniciais do game tem todo um jeito de cinema e não de anime. Lembra do excelente trabalho em Akira que de certa forma parece mais um grande filme do que um "desenho japonês"?. É mais ou menos por aí. Na abertura que antecede a primeira fase temos a bela garota na imagem acima apresentando em um teatro na França a peça "O Lago Dos Cisnes" de Tchaikovsky, inclusive usando um trecho original da canção. De repente a imagem, no caso a "câmera" vai dando zoom nela e chega até seus olhos, e neles, é possível reconhecer o reflexo do nosso herói sentado na plateia. Tudo muito cinema e muito bem feito. Se o jogo é impressionante pela embalagem, por  outro lado seu seu conteúdo, o de gameplay, não segue exatamente esta linha.

O jogo foi lançado em 1993 pela RIOT para o Mega CD, o Sega CD japonês, e foi produzido pela Telenet Japan. Logo na abertura temos a sensação de estar assistindo a um anime dos anos 60, as músicas e toda a ambientação dos nomes japoneses na tela, tudo ali lembra ou remete a tempos sessentistas. Só faltava ser em preto e branco para ficar completo. Mas o engraçado é que se o início do game não roda em preto e branco o anime que veio ao Brasil "rodava". Cyborg 009 foi apresentado no Brasil na TV Tupi na metade dos anos 60 e em 2002 na Cartoon Network, todo remodelado mas com a mesma essência do traço da época... e em cores, obviamente.

Existe algo mais "anos 60" do que esse lindo cabelinho?


O jogo é bem dinâmico, os comandos respondem bem e do ponto de vista de um plataforma ele está muito bem. O "A" atira, o "B" pula e o "C" faz o personagem se movimentar em super velocidade para qualquer direção. Essa super velocidade é uma das características mais marcantes do personagem no anime e que o videogame trouxe também.

A dificuldade fica entre fácil para médio, sendo o último chefe o mais complicado de se resolver, parece óbvio mas em videogame nem sempre o pior está na última fase, todo mundo que joga sabe disso. Entre as fases a "força" do Sega CD aparece, e temos belíssimas cenas de animação que são muito bem feitas, acredito que seja a mesma fonte do desenho do Cartoon ou de algum de seus filmes, pois é também foram lançado filmes de Cyborg 009, mas enfim, as animações que permeiam as fases vão explicando a história, e mesmo que tudo esteja narrado em japonês, dá para ter uma boa ideia do que acontece.



O jogo foi pensado em contar rapidamente a história de Cyborg 009 e definitivamente deixou um pouco de lado a questão do videogame em si. O jogo não é ruim, mas é bem fraco em mecânicas, fases extras, movimentos diferentes, armas e personagens em tela. O que eu quero dizer é que é tudo bonito e bem feito, mas tem pouco de cada coisa. Poucos inimigos, mapas simples e sem descobertas.

O fato do gamedesign ser simples, eu diria quase linear, não é um ponto negativo, lembramos de Super Mario, que é absolutamente linear e mesmo assim tem muita coisa para se fazer e descobrir. Minha crítica vai mais neste rumo. O jogo está mais para um fan service do que para um game excelente que seja independente do anime ou do mangá original. É o que chamamos de jogo mediano. Vale à pena jogar mas não vai deixar saudades ou grandes momentos de gameplay. Acho que o que mais me impressionou foi que alguns inimigos, principalmente na Grécia, os mitológicos, são muito bem construídos.



O nome é 009 porque temos 9 ciborgues, sendo o protagonista o último da série, e em tese mais moderno, que é o nono ciborgue, o Cyborg 009. Falando do ponto de vista do fã, eu estou assistindo o anime do Cartoon no Youtube e por isso tento imaginar o fã jogando o game, eu senti falta de que alguns personagens, os outros ciborgues, também tivessem uma participação maior no game e não apenas em aparições em cutscenes, até seria legal mais personagens para selecionar e jogar, como um Tartarugas Ninja de arcade quem sabe.

Neste ponto o game deixou a desejar. Cyborg 009 é isso. Um jogo mediano mas que merece ser jogado e de certa forma se destaca dentro da biblioteca do Sega CD, que infelizmente apostou forte em jogos FMV, full motion vídeo, e se deu mal. O Sega CD não é ruim, talvez o erro esteja na forma que os jogos foram desenvolvidos para ele. Apostar em FMV foi um erro, um erro caro diga-se de passagem.



Se o console tivesse recebido mais jogos estilo Mega Drive mas com melhorias de som e cutscenes, só isso, acho que as pessoas lembrariam do Sega Cd com mais carinho e menos gozação. Um exemplo disso é que o console possui jogos interessantes de RPG e de tiro. É aquela coisa, tudo que foge ao intragável FMV, é bem vindo. E o pior é que para se fazer um "jogo" em full motion vídeo, a SEGA tinha que desembolsar uma grana violenta. Afinal de contas, um jogo clássico de FMV nada mais é do que um filme. Um filme "B" é verdade, mas mesmo assim com todos os custos que uma produção pede, seja com atores, roteiristas e tudo o mais.

Eu não tenho os dados mas imagino que a produção de um jogo como Night Trap tenha custado muito mais do que este game aqui do texto ou qualquer outro jogo que poderia ser portado do arcade ou outro sistema. Infelizmente a SEGA tentou trazer o conceito tecnológico famoso na época, o CD-Rom para os consoles. E toda vez que o videogame tenta ser aquilo que ele não é, obviamente quebra a cara.



Eu sempre lembro do Pequeno Príncipe quando eu vejo este personagem, o 009, e não é apenas pelo cachecol no pescoço mas também por ter um corpo esguio que lembra as ilustrações de uma edição famosa no Brasil do livro.

A parte das opções é bem legal e bem original também. Temos o desenho de uma TV de tubo da época e em cada item que a gente entra, o botão giratório de selecionar canais (eu lembro bem desses botões) gira indicando um "canal". Sendo o canal 1 para a dificuldade, o 2 para selecionar o número de vidas; 1, 3 ou 5 vidas, o canal 3 eu não sei o que é, o 4 é o sound test, o 5 é o vídeo test, onde as cutscenes ficam gravadas para assistir depois, o 6 é a seleção de fases, é possível continuar a partir de qualquer ponto, mas na tela inicial o "continue" te leva ao ponto mais longe gravado, o canal 7 é o gerenciamento de saves onde podemos apagar os vídeos e os saves de fase também.



Uma dica para quem vai tentar emular o game é a seguinte. Baixe a rom do site francês "Planet Emu". A maioria dos dumps que existem por aí por algum motivo não trazem o arquivo .cue, é apenas a iso com um monte de mp3 jogado dentro da pasta. A importância do .cue é que este arquivo é como se fosse um instrutor que diz a .iso, ou qualquer outro formato de imagem, onde cada música deve começar e terminar, além de outras informações importantes para quem vai emular ou gravar em CD. Todo game em CD para emulação deve ter o .cue se junto tivermos arquivos de áudio separados na pasta.



Cyborg 009 vale à pena jogar sim, principalmente dentro do Sega CD que temos tantos jogos desprezíveis em FMV ou jogos bons mas que são esquecidos devido a má fama do console. O Sega CD tem jogo bom sim, como é este o caso de Cyborg 009, mas é preciso cuidado, a biblioteca do Sega CD tem muita coisa sem sentido mas também tem alguns bons jogos, é preciso pesquisar para não cair em jogos que desprezam o controle e exigem um controle... remoto.


Comentários


  1. Mais outro excelente serviço prestado, desbravando essas plataformas esquecidas que flutuam pela nossa galáxia. O mal do PC Engine CD e Sega CD era apostar demais nas cut scenes e trilhas sonoras em detrimento de um jogo memorável.

    O PC Engine eu até compreendo um pouco por não ter um hardware tão potente pra trazer arcades fidedignos tipo Golden Axe ou Strider, daí botavam bastante cenas, mas o add-on da Sega não faz muito sentido. No Mega CD japonês o ápice na minha opinião de picaretagem é o Planet Woodstock, um rpg cheio de videoclipagem contendo um sistema arcaico.

    O 009 hesitei em jogar na época por causa do design pouco apelativo da partida. Nessas adaptações de anime, talvez as melhores sejam os adventures do Warau Salesman e o do Space Adventure Cobra (Em inglês).

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Valeu Doc, são pérolas perdidas no Cosmos kkkkkkk. Aí eu não sei se o pessoal era pressionado a usar os recursos do CD-Rom para ter um argumento de venda ou se eles mesmos estavam entusiasmados com esta forma de fazer jogos, como você disse, o jogo em si acabava ficando em segundo plano de certa forma. Ápice de picaretagem ahushaushuahsa é por aí mesmo, esse Planet Woodstock parece ser medonho mesmo, eu tenho pesadelos com outro jogo, mais "light" porém esquisitão também... se chama Wirehead. Nem tudo do FMV é abominável, mas achar os "melhoreszinhos" é uma tarefa ingrata e difícil.
      Eu gosto do Sega CD, gosto mesmo, entretanto ele possui uma biblioteca de jogos que flutua agressivamente entre o luxo e o lixo kkkkkkkk.
      Falou Doc!

      Excluir
  2. tenho a animação mas ainda não assisti.

    a estória parece bem legal!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Estou vendo a versão do Cartoon e estou gostando. Não é a primeira vez que conheço um anime por causa de um jogo. :)
      Falou Scant!

      Excluir
  3. Eu vi o anime no Cartoon Network/Toonami quando era moleque, não fez tanto sucesso, já que não grudou tanto na mente das pessoas como outros clássicos que passaram pela Toonami.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Rapaz eu fiquei longe da Cartoon, quando ela chegou por aqui com as TV´s a cabo eu via alguma coisa mas depois os desenhos da grade eram tão bestas e simplórios se comparados a DBZ que eu nunca tive muito interesse pelo canal. Sim eles compraram DBZ mas na essência, a Cartoon tinha outro tipo de desenho e outro tipo de público.
      Eu nunca tinha visto esse anime, mas depois desse jogo eu vou ficar mais esperto com produções antigas, antigas mesmo lá da década de 60 e 70. Deve ter muita coisa legal perdida por lá.
      Valeu Duran!

      Excluir

Postar um comentário