Ganryu: A História de Miyamoto Musashi nos Arcades

Ganryu é simples, e visualmente bonito, o que já é tradição dos jogos Neo Geo. O game é baseado nos conflitos do Japão feudal, e usa fatos reais para dar suporte ao enredo, a biografia do lendário guerreiro samurai Musashi, é o corpo da história e dá suporte a fantasia de um excelente jogo plataforma.


Ganryu possui personagens que misturam ficção com realidade. Eles estão ligados por fatos históricos que envolvem o verdadeiro guerreiro Miyamoto Musashi e seu rival, Sasaki Kojiro. Musashi, um guerreiro lendário por ter vencido inúmeras lutas com sua espada sem perder nenhuma, sendo sua primeira vitória aos 13 anos, enfrenta outro grande samurai, Sasaki Kojiro e o vence. Kojiro morre pelos graves ferimentos do combate. Muito tempo depois, Musashi se retirou na meia idade para uma vida solitária e isolada, na qual produziu poemas, pinturas e o grande livro de estratégias de combate conhecido mundialmente como "O Livro Dos Cinco Anéis".




O game usa este fato histórico importante para dar enredo ao game Ganryu. Inclusive o nome do jogo é baseado no rival que também era conhecido por Ganryu Kojiro. Todos estes eventos que dão base ao jogo se passam nos anos do séc XVII. A luta real entre os dois é datada de 14 de Abril de 1612. Segundo os diálogos do game podemos descrever a seguinte história.

Um mês após Musashi ter vencido Kojiro em combate, ele decide retornar a Kyoto (lembre-se que Kyoto é de fato a capital do Japão naquela época) para rever seu amor Otsu, entretanto, fatos estranhos estavam acontecendo por lá. Várias mulheres estavam sendo raptadas por grupos ninjas rivais. Claro que Otsu também foi uma das garotas raptadas. Otsu, o grande amor de Musashi, possui uma irmã chamada Suzuki que é uma ninja. Logo à frente descobrimos que o responsável pelos raptos é nada mais que o próprio Sasaki Kojiro que foi resuscitado!? Bom, aqui entra a ficção e sem ela seria impossível fazer um game para arcades ficar legal. Agora temos que resgatar essas garotas e claro, resgatar Otsu das garras dos ninjas inimigos!

Podemos jogar ou com o Musashi ou com a irmã de Otsu, Suzuke. Durante o gameplay vamos resgatando as garotas raptadas bem no estilo jogo do Michael Jackson, o Moonwalker do Mega Drive, onde elas estão presas em determinados pontos do mapa. E no final de cada fase o número de mulheres resgatadas é somado aos pontos como parte da missão.



Podemos pular, dar espadadas, rasteira e usar outro golpe de ataque que também serve como um gancho para subir em plataformas mais altas, lembrando Batman do NES. Os itens como tiros e poderes extras são bem feitos mas não muito funcionais, ou pelo menos eles não são tão importantes e fundamentais assim. Um deles por exemplo, te envolve por completo como um escudo, mas este "escudo" serve para evitar o toque de outros ninjas, mas seus ataques com armas brancas, no caso estrelinhas, as famosas shurikens, simplesmente passam "tranquilas" e nos acertam. Isso é ruim porque ao ter um poder de defesa, a gente se "desliga" um pouco da ação, mas com este poder aqui não é o caso. Eu prefiro nem pegar alguns poderes simplesmente por eles terem um efeito muito específico e só serve para quem já está bem treinado e acostumado com Ganryu, e este não é o meu caso. Em outras palavras, muitas vezes vale mais o "feijão com arroz", isto é, ir na espada e no pulo, do que tentar enfeitar e se dar mal.

Uma coisa que ficou sem explicação e me pegou de surpresa exatamente por ser a plataforma Arcade, uma plataforma livre e sem amarras, onde qualquer ideia poderia ter a chance de virar um jogo, desde que fosse lucrativa, afinal estamos falando em fazer jogos para atrair dinheiro, certo? Então, o que ficou estranho foi o fato dos guerreiros possuírem sangue verde. Como é possível que dentro deste universo o jogo Ganryu opte por colocar "sangue verde" quando os inimigos são mortos. O que aconteceu com a Visco, desenvolvedora do jogo? Será que foi a SNK que exigiu sangue verde depois de ter um ataque de Nintendisse? Realmente eu não entendo.

Pode ser que o foco tenha sido um público mais infantil, afinal arcades infantis também existem, principalmente nos anos 90, ou pode ser que a onda podre do politicamente correto tenha de alguma forma "tocado" no jogo, afinal o game é de 1999, uma época que já temos alguns exemplos de gente super sensível, aquelas que usam papel higiênico extra super suave light para não machucar suas partes baixas. Ou talvez seja principalmente por ele ter como base um ídolo da cultura japonesa e um clássico da literatura oriental, o guerreiro e escritor Miyamoto Musashi. E de repente não quiseram criar polêmicas entre um jogo "violento" e o nome do samurai.



Jogando com o Musashi e não com a Suzume, o jogo se divide em 5 atos. O número de fases é igual para cada um dos dois personagens, mas o nome de cada fase muda para cada um deles, com Musashi temos:
  1. Avenger
  2. Assassin
  3. Ambition
  4. Evilgod
  5. Ganryujima War
Sendo que Ganryujima é uma pequena ilha no Japão, pequena mesmo não pense nas grandes divisões do país e sim em um pequenino pedaço de terra cercado por água onde realmente aconteceu a luta histórica entre Musashi e Sasaki Kojiro.

Há! esses jogos maravilhosos e seus efeitos sonoros! Eu uso um mini system para saída de som do MAME (via Retroarch) e de certa forma tenho um som grave próximo das máquinas arcades da época, quando o grave existe ele aparece lindamente, e em determinado momento de Ganryu nos aproximamos da cachoeira... que som lindo! Mesmo sem vê-la ouvimos seu som, isso dá uma imersão no jogo sensacional! E quando efetivamente chegamos lá, faz um belo de um barulho de água caindo com todo o sabor de som eletrônico.




Os chefes de fase possuem um ritmo que depende muito da sua ação. Existe um padrão, é claro, mas mesmo assim esse padrão se modifica em algumas tentativas, nem sempre sabemos exatamente qual será o próximo movimento dos chefes, e isso é legal, fica um pouco mais difícil, mas é legal.

O jogo é curto, mas esse tipo de coisa é mais decisivo para quem comprou um jogo para o seu console, não é o caso do jogo de arcade, mesmo assim, se fosse portado para um console ele seria curto para os padrões do Super Nintendo, Mega Drive, ou até mesmo e obviamente do Neo Geo. Existem versões REPRO para colocar no console Neo Geo, mas até onde eu li, não existe uma versão oficial da Visco para o console, este game existe apenas no arcade. Eu até vi em alguns sites o jogo sendo vendido como "original" do console japonês, mesmo assim, eu não encontrei nenhuma fonte realmente confiável que desse Ganryu como um game para o Neo Geo AES. Em resumo, Ganryu é jogo de arcade apenas.



É a primeira vez que vejo um respawn bem aplicado em jogos antigos, ou eles são irritantes e desleais ou eles são inócuos e bobos, mas em Ganryu o respawn é forte, intenso e muito repetitivo, mas isso tudo é feito de tal maneira que realmente o reaparecimento constante de personagens é apenas uma forma divertida, verdade, divertida mesmo, de dar ritmo ao jogo, ficar parado em uma tela em um jogo de arcade não faz sentido... é quase uma sentença de morte. E digo arcade porque o amigo leitor sabe que jogos de Neo Geo são jogos de arcade, o software é o mesmo, só muda a máquina que vai rodá-lo.

Os gráficos do jogo são bonitos, a movimentação dos esprites idem, mas nas lidas em sites que são referência quando o assunto é Neo Geo, eu percebi quase que a mesma resposta sobre Ganryu:

"um jogo de NES que tenta ser de Neo Geo"

ou algo próximo disso. Eles não fazem uma crítica negativa necessariamente, mas afirmam uma certa repulsa pela simplicidade gráfica do jogo, no qual, segundo eles, não está no nível do Neo Geo. Classificá-lo como algo semelhante ao NES é um exagero e tanto, acho que esse pessoal está se afogando no próprio ego. É uma crítica absurda porque dentro da plataforma arcade existe de tudo, e o próprio Neo Geo possui "joguinhos" simples como Magical Drop.

Uma coisa que pode ser dita é que o jogo é curto, mas esse fator, tempo de jogo, não é algo que usamos para classificar jogos de arcade, jogos que estamos pagando por ficha e estamos de pé olhando para uma tela com dúzias de pessoas torcendo contra e à favor, se fosse um jogo de console... aí tudo bem. Esse pessoal extrapolou o que define um arcade de um game console. Compará-lo com um KOF ou um Metal Slug, por exemplo, como eu li em alguns sites, é no mínimo desproporcional. Afinal, se não gostou, o máximo que pode te acontecer é perder o dinheiro de uma ficha... e nada mais.

Eu nunca joguei nos arcades este game, mas tenho certeza que era um daqueles que ficavam esperando um jogador se aventurar enquanto os mais famosos como KOF estavam rodeados de gente. Eu quando entrava nestas máquinas pouco conhecidas, sempre aparecia um pessoal por perto para ver o gameplay, mas em geral o estilo hack and slash era bem menos requisitado nas casas de jogos, um lugar que era templo sagrado dos jogos de corrida e luta.

Otsu


Ganryu é simples, curto, graficamente faz a lição de casa e além de tudo é um jogo de arcade que vale à pena, afinal não podemos aplicar a mesma régua para medir jogos que compramos e jogos que alugamos o direito de jogá-los. Eu recomendo este jogo para conhecer e se divertir um pouco no emulador, eu diria que é como se fosse jogar um Ninja Gaiden light com características de jogos plataforma tradicionais.

Comentários

  1. Não conhecia. Parece legal mesmo.

    Abc!

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  2. Vou baixar esse jogo. Ele me chamou atenção na época pelo gráfico, pensei que ele se sustentasse unicamente por isso. Valeu pela indicação. Aliás, você vai resgatar o material do teu outro blog? Ele era muito bom.

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    1. Não é por acaso que tantos jogos foram para os consoles. O arcade foi uma fonte e tanto de games!
      Os outros textos eu acabei perdendo, mas com certeza eu vou refazer (rejogar todo o game e escrever outro texto) alguns jogos, afinal eles me chamaram a atenção ou fizeram parte da minha vida nos anos 80 e 90.
      Obrigado Doc!

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  3. Curioso, eu lembro de ter visto este jogo antes, mas não sei se foi em algum site ou se foi no arcade mesmo, alguém jogando e tal. Nem fazia ideia do que se tratava (história do Musashi com maluquices de ressurreição e o caramba). Mas parece um baita jogo, hein? Simples e direto! Dificuldade balanceada, ritmo agradável e diversão garantida!
    Falou bem sobre a duração de um jogo de Arcade, pena que as crianças de hj não sabem o que é isso e ficam lá enchendo o saco dizendo que o jogo X não vale a pena por ter preço Y e custar Z. Antes uma experiência curta e satisfatória do que algo longo que vai encher o saco pq não acaba nunca. Ou isso sou eu ficando cada vez mais velho e mais chato! kkkkkkk
    Ótimo post!

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    1. Embora ele possua um respawn bem "irritante", a movimentação é tão precisa que isso acaba ficando legal. O jogo possui partes difíceis mas não complica os meios da ação para passar de fase.
      A questão nem é tanto o público atual em si, o maior problema nestes jogos Cadu, é a abordagem. Eu não posso tratar um jogo arcade como se fosse de console em uma análise só porque eu estou jogando ele sentado em uma cadeira no meu emulador como se fosse console. É preciso contextualizar de onde o jogo vem.
      É a mesma coisa eu exigir certas qualidades de console em jogos portáteis. Você que conhece muito bem o 3DS, PSP entre outros sabe muito bem o que eu quero dizer.
      Valeu Cadu!

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  4. Esse é um das centenas de jogos de arcade que tenho no meu PC, mas muitos deles eu somente testei, nunca peguei para jogar e zerar de fato. Estão no meu PC mais como um estoque para o caso deu ficar sem internet.

    Os gráficos não são ruins, mas concordo que em geral os jogos de Neo Geo apresentavam gráficos mais detalhados. Porém dizer que são gráficos de NES não dá, se fosse SNES ainda seria aceitável.

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    1. Às vezes o pessoal exagera porque dói no bolso. Um colecionador típico de Neo Geo tem duas opções. Ou paga caro, muito caro pelos jogos em cartucho... ou paga muito caro em um sistema arcade completo e paga menos caro pelos "cartuchos de arcade" depois. E isso influencia uma crítica para um game mais simples.
      Até certo ponto entrar no sistema arcade é acessar a fonte dos consoles antigos.
      Abração Duran!

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