Super Princess Peach: Nintendo DS

Pela primeira vez Peach é a protagonista em um "jogo do Mario". Eu já tinha experimentado jogar com ela no Super Mario Bros 2, também conhecido por Super Mario USA, mas neste caso sabemos que o jogo não era um jogo legítimo, isto é, a princesa era na verdade outro personagem que foi portado do original Doki Doki Panic, assim como todos os outros personagens. Portanto, jogar com a princesa Peach de forma 100% legítima, eu só joguei aqui no Nintendo DS!



Peach é delicada, todos sabemos disso. Se fosse uma garota contemporânea seria uma espécie de patricinha de Beverly Hills. Mimada, doce e cheia de dinheiro. Entretanto jamais podemos dizer que Peach é superficial ou uma personagem emocionalmente frágil. Embora seja fisicamente.

Mas depois de Super Princess Peach, até mesmo a questão física foi descartada de certa forma. Depois que Mario e Luigi e vários Toads foram capturados por Bowser, a princesa enlouquece, pega uma sombrinha mágica falante que ela recebeu de um Toad mais velho, o Toadsworth, para começar a aventura e parte pra cima dos vilões.

Peach vai com sua sombrinha enfrentando desafios e derrotando Koopas entre outros inimigos em 8 fases diferentes. Essa sombrinha possui poderes mágicos que pode absorver inimigos, destruí-los com golpes e também serve como um "canivete suíço" podendo atuar como boia na água e gancho em situações em que temos que nos pendurar em estruturas deslizantes.

fragilidade não corresponde a fraqueza quando falamos de Peach


No decorrer do jogo podemos comprar itens e melhorar a performance da sombrinha, como por exemplo dando a ela o poder de carregar e soltar um tiro, bem no estilo Mega Man. Tudo isso é feito utilizando as moedinhas que pegamos nas fases.

Além disso tudo ela possui poderes que estão relacionados diretamente as suas emoções. Sim, essa é a Peach, e o conceito das emoções está presente aqui e foi muito bem desenvolvido.

Primeiro porque ela é assim mesmo, delicada e emotiva, sempre foi, é característica da personagem, e segundo porque a Nintendo aproveitou essa deixa e trouxe de forma maravilhosa o velho e bom conceito de elementos terra, ar, fogo e água que estão camuflados aos sentimentos da princesa.

nunca provoque uma mulher se você não tiver absoluta certeza que é preciso fazê-lo...


Podemos ter uma princesa calma (ar), triste (água), alegre (terra) ou com raiva (fogo). E todas essas emoções estão ao alcance da caneta Stylus claro, se você tiver energia para acionar tais poderes emotivos. A energia que é usada para isso é recuperada absorvendo oponentes.

Até mesmo eu me surpreendi com elementos de "RPG" bem aplicados no jogo. Em determinada fase do gelo, por exemplo, é preciso correr e dar um "dash" para poder atravessar uma passagem baixa e bem estreita. Até aí tudo bem, a Peach executa esse movimento tranquilamente.

Entretanto neste caso em especial, a distância a ser percorrida pela rasteira estava um pouco acima do normal. eu tentava e tentava e nada... parava na metade e vagarosamente o sistema me trazia ao ponto inicial. Olha só a jogada da Nintendo aqui. Como estamos na neve e existe uma tempestade,que ora está ventando a seu favor, ora contra, eu pensei obviamente que, se eu desse o "dash" à favor do vento eu conseguiria vencer o percurso e sair do outro lado, exatamente como acontece em Ninja Gaiden do NES, nada disso.

cada coração "invoca" um tipo de força


Só depois é que eu pensei mas não botei muita fé. E se eu usar o poder da água (tristeza) em que a Peach chora e molha tudo ao redor... e se eu usar isso para deixar o gelo molhado e mais liso? Não deu outra! Com o gelo molhado pelo elemento água, o piso que estava limpo, ficou completamente cheio de gelo (a água congelou o local) e assim meu "dash" ganhou força, na verdade perdeu atrito, e atravessou tranquilamente de ponta a ponta a passagem. Sensacional!

O interessante é que como neste caso, o uso dos elementos e emoções de Peach não são tão óbvios assim, e é por isso que a inteligência aplicada ao game, o tornam muito divertido! Analisando a Peach deste game como um todo, eu poderia dizer que ela está com um acervo de poderes iguais aos de Mario, e em certos momentos ela é até mais poderosa que ele. A suposta fragilidade ao apelar para as emoções só enganam um olhar superficial sobre a personagem, ela parece ser frágil mas seus poderes emocionais dão conta do recado muito bem!

ela chora e faz a planta crescer pelo elemento água


Isso torna o jogo relativamente fácil, e em alguns momentos a sede por desafio não é saciada. Com exceção das fases finais 7 e 8 que são bem complicadinhas. Não é um jogo que propõe mega desafios, é um jogo que propõe um divertimento mais tranquilo neste sentido. As batalhas com os chefes são mais interessantes, mas nada muito difícil também.

Embora Super Princess Peach não seja difícil, seu design é inteligente e isso evita o tédio que um game relativamente fácil poderia trazer ao jogador mais experiente.

A história do game se passa em uma ilha próxima ao Reino dos Cogumelos. Uma ilha chamada de Ilha das Vibrações. Existe um boato que esta ilha possui poderes místicos e um cetro de poder. Esse cetro é chamado de "cetro vibrante", e as vibrações no caso, são vibrações emocionais, energéticas, vibrações que dão personalidade aos vários tipos de humor que nós podemos ter.

Isso é quase um papo de misticismo de revista feminina eu sei, mas é essa a história de Super Princess Peach, e acredite, ficou muito boa por incrível que possa parecer. E claro, quando falamos em poder e loiras, a primeira pessoa a ficar interessada se chama Bowser.

Acho que todos nós temos um pouco de Bowser dentro de nós... mas enfim. Ele resolve ir até lá, na Ilha das Vibrações, para conferir se o boato do cetro é real. Não deu outra. Um de seus subordinados encontrou o tal do cetro energético.

Este cetro pode modificar as emoções das pessoas e deixá-las incontroláveis. E de fato, é comum no decorrer do game a gente encontrar personagens chorando, tristes, cantando ou com muita fúria. Na verdade este cetro deu poderes ao Bowser e ele se aproveitando disso raptou o Mario, Luigi e alguns Toads. Foi uma espécie de vingança muito bem planejada e agora só a Peach é que poderá salvar os garotos.

até os mais fortes podem precisar de ajuda algum dia


A estrutura geral é simples. Cinco fases curtas mais uma para enfrentar o chefe de fase. Sendo que sempre temos um desafio "touch" antes de cada chefão. O desafio geralmente consiste em usar a canetinha para liberar espaço para a Peach chegar a um ponto da tela.

Durante as transições de fases aparece sempre uma tela à noite onde Peach e a sombrinha ficam sentados à luz da fogueira. De um lado a sombrinha sempre tem algum tipo de sonho que revela parcialmente seu passado em imagens na tela superior do DS, e ao mesmo tempo temos uma princesa preocupada e com um galho nas mãos aquecendo algo para comer, parece ser algum tipo de caça.

O estranho é que ela não fala nada, está ali, quase que alheia ao que a sombrinha falante diz com seus sonhos estranhos. Parece que nada tira da princesa um certo ar de apatia e distanciamento nestas imagens.

após as batalhas, a sombrinha sonha e não para de falar, por outro lado a princesa parece distante e perdida em seus pensamentos...


Como a premissa do jogo é que os poderes do cetro vibrante tenham modificado e enlouquecido os sentimentos de todos os personagens, em determinadas fases temos o bizarro de ter ao fundo nuvens chuvosas e cinzas, uma musiquinha alegre de fundo e um Koopa alado cantando todo feliz na paisagem turbulenta e chuvosa.

Eu até ia reclamar da falta de contexto da música feliz nesta parte do jogo mas aí pensando bem eu fiquei na dúvida se foi um deslize do pessoal que desenvolveu esta fase ou se o contraste da música feliz com o fundo nublado foi proposital... vai saber.

pelo menos se chover ela já está preparada...


No DS, principalmente os jogos da própria Nintendo, encontramos mini jogos e/ou opções divertidas para se aproveitar a função touch do portátil. Aqui também temos minigames com a Peach, e o mais legal, tem um glossário com o nome e descrição dos vários personagens do jogo. É uma espécie de mini wikipedia do Mario dentro do jogo. O conteúdo deste glossário vai aumentando conforme prosseguimos no jogo.

a enciclopédia do jogo, dentro do jogo


Se por um lado o Mario parece estar sempre feliz em todas as suas aventuras, como se o desafio fosse uma eterna brincadeira, agindo com se fosse quase como uma criança de bigode em seus jogos, por outro lado a Peach que temos aqui está repleta de sentimentos volúveis e quase sempre apresenta estar tensa com a captura de Mario e seus amigos.

A garota está levando bem a sério esta aventura em Vibe Island, a Ilha da Vibração. E mesmo sendo um jogo feito para a princesa, mesmo assim, os intervalos de uma fase para a outra são o palco da sombrinha, na verdade o guarda chuva falante que sempre tem um sonho e sempre fala que devemos prosseguir porque existe muitos inimigos adiante.

É sabido que ele "a sombrinha" era um garoto, isso é descrito no decorrer do game, e mesmo em um jogo com a Peach protagonista, o maior número de falas é da sombrinha, que faz o papel masculino no jogo, e as decisões "fortes" de comando geralmente ficam com ele também. Não é à toa que a figura masculina representa a força da Peach, afinal de contas sua arma é a sombrinha.

Eu se fosse desenvolvedor deixaria exatamente do jeito que está mas mudaria o viés de liderança do guarda-chuva (sombrinha) e colocaria mais falas e decisões de comando com a Peach. Afinal de contas é ela que está resolvendo esse problema sozinha, com a sombrinha, mas sozinha.

Peach, a fogueira, a sombrinha e o céu estrelado chamando um novo dia...


O jogo possui todos os elementos de um "jogo do Mario". Muito colorido, músicas cativantes, e personagens da franquia que já são tão famosos que dispensa apresentações. Uma dica para quem vai pelo caminho da emulação é que os mini games que antecedem cada chefe de fase, no início são moleza mas depois ficam bem difíceis de usar o click do mouse para simular a pontada da canetinha Stylus.

Quando se exige muita velocidade as coisas complicam um pouco com o mouse. Eu senti essa dificuldade, imagino que o PC Gamer em geral que está acostumado a clicar rapidamente não vá sentir essa dificuldade.

Em geral, poucos jogos usam a canetinha do DS de maneira plena e interessante, como Nintendog´s, por exemplo. E quando temos os plataformas em 2D, seu uso é totalmente dispensável, embora o sistema de acionar os sentimentos da Peach tenham ficado legais, analisando em um contexto mais amplo a canetinha não tem função prática.

Eu gostei de ver a Peach trabalhando para salvar seus amigos. E como eu disse no início do texto que o jogo é a primeira vez que a Peach atua de fato, lembrando do jogo Super Mario 2, ironicamente em alguns momentos não tem como não lembrar ou associar a "Peach" do passado. Principalmente quando ela sobe as escadas, só faltou ela desenterrar vegetais do chão. Para os padrões do selo "Mario", é um jogo fraco. Mas é um jogo Nintendo, e possui vários elementos que se não chega a ser um "Mario", é um ótimo jogo de qualquer forma. Eu adoraria ver uma versão deste game para o Super Nintendo, acho que tem tudo a ver com o sistema, seria ótimo!


Comentários

  1. Cara, não conhecia.
    Muito legal trabalhar os sentimentos do personagem e relacionar isso com suas habilidades.
    A Nintendo tem uma sensibilidade superior para jogos assim.

    Abc

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    1. A Nintendo é diferentona e isso é bom. Seus personagens são de longe mais importantes que seus produtos de hardware. Nas empresas concorrentes acontece o inverso. E essa mistura é algo bom, embora eu confesso que gostaria de rever uma Nintendo mais agressiva como em 1993/96

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  2. O jogo parece legal, só que pro nível do DS e recursos nele agregados soa preguiçoso. Acho curioso na época do NES criarem algo como SMB.3 com 8 mundos cheios de fases e nos sistemas posteriores manterem quantidade igual ou até reduzirem. Fora que a Nintendo repete muito os temas elementais (Mario, Kirby Zelda). Até a época do Super/Game Boy achava a Big N mais criativa e abstrata nas ideias, embora sempre tivesse as tais temáticas, meio que desgastou.

    Eu não sei se presta somente pra carência de jogos plataformas no DS, tipo pra quem fechou o New Super Mario Bros. Na época que eu tinha um NDS não cheguei a jogar, pois estava disponível os Castlevanias, Henry Hatsworth e Contra 4, mais apelativos na minha opinião.

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    1. O desgaste é bem visível se compararmos os tempos áureos da empresa. O jogo SMB3 é uma coisa linda que extrapolou tudo o que eu poderia exigir de um jogo de NES e acho que ele acabou selando um formato para jogos posteriores.
      Que jogo bonitinho esse Hatsworth, não conhecia, parece puzzle misturado com plataforma vou dar uma olhada com certeza!
      De fato este jogo da Peach não possui a mesma "verba" que um jogo do Mario, mas mesmo o Mario do DS a gente percebe que é um jogo que poderia ter ficado bem mais denso e com fases maiores. O SMB3 do NES dá um pau nestes jogos do DS. Eu dou um desconto até certo ponto porque é um jogo de portátil e tradicionalmente jogos de portátil são mais simples do que suas versões consolísticas.

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    2. Esse jogo do Henry foi uma boa pérola pro DS, se bobear mistura até elementos de Mega Man X no chefe final. Tinha um jogo do Wario, Master of Disguise também. Não chega a ser sequência direta do Land 4, mas mantém o estilo, meio fraquinho mas quebra um galho.

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    3. O Master of Disguise já está na lista faz tempo, não joguei mas visualmente eu gostei bastante. E Henry também vou testar.
      Valeu Doc!

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  3. Tenho uma curiosidade enorme com este jogo!
    Curto muito este estilo gráfico de traços grossos e tudo bem colorido, eles acertaram em cheio na minha opinião. Impossível não agradar, a não ser que a pessoa tenha complexo por ser um jogo que tem gente que deve encarar como "de menina"!
    Se eu entendi, apesar de ser um jogo bem único, ele tem meio que uma pegada de Kirby e Mega Man, né?
    O lance de sentimentos foi meio genial, combina com a protagonista! Mas há quem vá dizer que é machismo...
    A droga é ter que selecionar as coisas com touch. Não que estrague, mas eu meio que tô cansando disso jogando 3DS... rs. OK, OK, a graça do DS era justamente isso: segunda tela de toque. Vou ser menos cri-cri e jogar algum dia! rs
    Ótimo post!

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    1. Ele tem sim o jeito Mega Man no desenho das fases, mas é bem mais Kirby no desafio e nas coisas fofinhas que aparece constantemente.
      Eu acho que ele agrada todos os públicos que goste de plataforma Cadu, não é um jogo denso mas agrada bastante.
      Sobre o "machismo" já disseram sim Cadu, basta ver alguns reviews americanos dos "conceituados" kof kof kof portais de games que isto acaba aparecendo.

      Não dá para chamar de machismo características biologicamente comprovadas do sexo feminino. Coisas que nem precisa de ciência, basta ver o comportamento do grupo e perceber essas características. A não ser que o acusador prove que a Biologia está errada e vá receber um nobel de Medicina na Suécia. Até lá, qualquer um que discorde das características natas típicas de homem e mulher não passa de um idiota, só isso.
      Kkkkkk rapaz, no DS não tem como reclamar do touch, é a proposta do aparelho. o problema é que temos jogos nele que são essencialmente de tocar e outros que não. Mas mesmo os que não precisam, eles acabam tendo que usar a caneta só porque sim. O caso da Peach é um bom exemplo. Mas dizem que isso afetou o Vita também, então fazer o quê né? Nintendo e Sony sofrendo do mesmo mal.
      :)
      Valeu Cadu!!!

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