domingo, 20 de novembro de 2016

The Second Samurai: Mega Drive

Second Samurai do Mega Drive é a sequência de First Samurai que saiu para Super Nintendo. Essa franquia é uma produção típica de computadores. The Second Samurai também saiu para Amiga, já o First Samurai, saiu para Super Nintendo e outros computadores como PC-DOS, Commodore 64 e Atari ST. O jogo foi desenvolvido pela Vivid Image em 1994. Uma empresa do Reino Unido que trouxe muito do jeito e estilo europeus para este jogo no Mega Drive.




E essa origem dos PC´s é refletida no estilo do jogo. Logo de cara a gente percebe que tem algo "errado" acontecendo. Eu pessoalmente percebo na hora quando um jogo é feito por uma empresa de PC´s e/ou que portou algo dos computadores para consoles. O som é mais metálico, os gráficos em geral não possuem traços de jogos orientais ou americanos, pois o pessoal da Europa é quem está no comando. As cores ora são mais escuras, ora mais saturadas... são coisas que eu sinto e percebo mas não sei explicar direito com palavras, eu não tenho o conhecimento na área para fazer isso. Mas é algo que intuitivamente dá para notar.




Até mesmo piadas ou coisas com um tom mais maduro aparece nestes jogos, pois a plataforma PC sempre foi de marmanjos e não de crianças nos anos 80 e 90. Até porque eram máquinas caras feitas para o trabalho, lazer era o segundo plano da coisa. Embora muitos jovens conseguiam convencer seus pais que este era um equipamento fundamental para estudo, e no final das contas virava máquina de jogos mesmo. Tem coisas que nunca mudam.

Mas mesmo assim, apenas pela experimentação, é algo que a gente percebe quase que instantaneamente, logo na intro ou na primeira fase do jogo. E com The Second Samurai aconteceu exatamente isso. Na verdade eu fiquei um pouco com dúvidas pois o estilo da primeira fase engana bem como um jogo de console tradicional, principalmente pelos gráficos que até o momento não entregavam que eram feitos por uma equipe de outra plataforma.

Mas ao mexer nos controles a dúvida caiu por terra quase que de imediato. O botão "A" solta adagas, o "B" desfere socos ou ataca com a espada e o "C", pula. Até aí tudo bem. Mas se a gente manter o "B" pressionado e mexer o direcional, adivinha? Para cima ataca para cima, e isso se repete em todas as outras direções com os punhos, isto é, o direcional também faz papel de botão de ação dependendo do caso. Isso é muito estranho para jogadores de console.


a beleza gráfica é reflexo do bom uso da paleta de cores do Mega Drive


O D-Pad, como o próprio nome indica, directional pad, é para dar ação aos movimentos de direção, não para ter funções extras como atacar.

A estranheza não para por aí. De fato nas conversões de computadores para videogames o que mais pesa ou fica explícito é a sua jogabilidade, ou melhor dizendo, a diferença entre a jogabilidade de uma plataforma em relação a outra. É uma difícil tradução muitas vezes. No que tange ao peso, a física e movimentação do corpo do personagem, eu dou nota 100. Ficou igual a um jogo de console. Excetuando é claro, os movimentos de botões combinados com o d-pad.

O game basicamente não traz história ao jogador, nem mesmo cenas ou textos entre as fases. Do início ao fim sabemos que somos um samurai, e passamos por fases no futuro e no passado lutando contra seres estranhos, mas nada é dito além disso.

Até mesmo no final do game ao derrotar o último chefe a explicação do tema fica subentendido. Temos um pequeno texto que não explica quase nada mas diz que agora eu salvei o mundo da tirania de um demônio e nada mais.


caveiras... mas pensando bem, esses olhinhos não é mais um sinal de que os desenvolvedores se apoiaram bastante no filme do Exterminador? 


Na versão de Amiga entendemos que o demônio era um guerreiro que matou o mestre do samurai e o mesmo vai em busca de vingança, e este guerreiro assassino dominou magias antigas dando a ele grandes poderes que o mesmo estava usando para a tirania e para o mal. Inclusive temos que lutar no passado no futuro atrás do demônio para derrotá-lo e controlar o seu poder.

Na versão de Amiga, e imagino que isso se repita aos outros computadores, temos dois samurais no jogo, mas no Mega Drive o player 1 joga com o samurai e o player 2, joga com uma personagem feminina. Inclusive não existe a opção de jogar com a mulher (que é quase sempre a minha preferência), nada disso. O player 2 sempre jogará com a mulher enquanto o player 1 sempre será o "Second Samurai".

Ainda na questão dos personagens, existe algo interessante na forma como eles se movimentam na tela. É que a tela de ação é dividida em dois. Quer dizer, ao "jogar de um", não podemos alcançar todos os pontos da tela em determinados momentos das fases, é como se existisse uma divisão imaginária na tela reservada para a mulher e para o homem, cada um em uma parte, mas é claro isso se alterna com momentos onde os dois precisam estar juntos. Como ao atravessar plataformas etc. Inclusive nas opções temos como escolher se queremos ficar na frente ou atras.


dragões, dinossauros e mechas


Temos um humor bem provocativo neste game, talvez devido a liberdade que o pessoal que desenvolve para PC possui. Ao morrer, a face do demônio, o chefão final, aparece e sempre solta uma frase provocativa um pouco antes de escolhermos o continue. Frases como: "Queime Samurai", "Você aqui de novo!", "Bye bye" aparecem bem na frente da tela e bem em um momento em que geralmente estamos frustrados e com níveis de adrenalina bem acima do normal.

Eles incluíram até um "Hasta La Vista Baby" isso na cara do jogador que acabou de perder todas as vidas, é bem engraçado... ao lembrar e escrever depois do momento é claro!

Dando uma olhada no Youtube para conhecer a versão do Amiga, eu percebi que este jogo em relação a versão do console possui características bem distintas. Eram duas versões do mesmo título. A parte artística e conceitual permanecem, isto é, alguns chefes eu reconheci, porque são parecidos mas não são iguais, e a mecânica é parecida, mas o level design assim como todo o resto, inclusive a ordem da sequência de fases está bem diferente, misturado ou não existe uma correlação direta entre as duas versões.

É como se tivéssemos exatamente dois bolos de aniversário, ambos com a velinha do número de anos iguais, ambos feitos com ingredientes parecidos, mas no final, temos um bolo com recheio e o outro não. Na verdade a versão do Mega Drive me dá impressão que foi feita como uma releitura do de Amiga, mas com total liberdade de mexer em fases, sequencias e personagens, inclusive o traço dos sprites é diferente também.


no Japão antigo estamos em casa... ou quase!


Mesmo assim é o mesmo jogo porque vários elementos de um podem ser encontrados no outro. Um exemplo é o chefe final, que na versão de Mega Drive é um demônio oriental todo malhado fazendo inveja a definição muscular do Bruce Lee, e na versão de Amiga temos outro demônio, mas com um desenho baseado em um monge gordo.

The Second Samurai é divertido mas poderia ficar bem diferente e igualmente divertido se algumas coisas do PC chegassem nesta versão. Uma delas é o canto de "aleluia, aleluia" (Hallelujah de Handel) que o PC traz quando achamos certos itens, ironia ao máximo. Se eu não me engano o jogo do Super Nintendo, First Samurai, traz essas falas cômicas, ao que tudo indica, um traço do humor do pessoal da Vivid Image, e porque não, do humor europeu de uma forma em geral.

No jogo temos que encontrar vasos antigos que estão espalhados pela fase e destruí-los. Dentro desses vasos, almas que estavam aprisionadas são libertas e ao destruir um número chave de vasos podemos passar pelo portal das almas. Esse portal é uma espécie de barreira que impede que prossigamos na missão, ao passar por ele, continuamos na mesma fase, mas a partir daí, ou outra meta de vasos aparece ou vamos de encontro ao chefe de fase.


essa imagem da ponte daria um quadro na parede fácil, fácil...


Esse sistema é como se fosse igual aos jogos em que temos que achar a chave para abrir um portal, mas neste caso, várias chaves. O que temos que fazer é basicamente isso. Destruir potes antigos, viajar no tempo, destruir chefes de fases e "nada mais". "Simples", "básico". O excesso de parenteses é merecido, afinal de contas até mesmo para um samurai, essa é uma missão e tanto!

Em alguns momentos temos um leve tom de puzzle, nada demais, o tipo de coisa como pegar uma pedra do setor "A" e levar ao setor "B" para destruir uma passagem ou fazer da pedra um calço para subir em uma plataforma que estava inacessível. Tudo muito fácil. O lance que de repente pode surpreender o jogador é que para pegar a pedra temos que chegar perto dela, apertar o "B" e ainda assim, mexer o direcional para o lado.

O conceito de "salto de fé" foi ao extremo neste jogo. Sabe aqueles momentos, geralmente em plataformas, em que não vemos todo o cenário, seja para frente ou abaixo de nós, mas graficamente é muito provável que tenha mais espaço para explorar e a gente fica na dúvida se aquilo é o começo de outra parte do cenário ou é simplesmente um buraco e portanto fim de jogo? Pois é. Agora imagine a situação que eu encontrei em The Second Samurai.

Uma fase imersa em chamas, em lavas incandescentes, tudo indicando perigo, o menor descuido pode ser fatal. Certo. De repente aparece uma seta indicando que devemos pular para acessar outra parte da fase... devemos pular em cima das chamas. E aí?


você está vendo a seta azul na tela? Não é erro nem bug do game, é exatamente onde devemos pular para entrar na parte inferior da fase, mesmo assim, pular ali na primeira vez foi complicado. Eu fiquei uns bons segundos pensando se ia ou não, mas como tem password e existem os potes que devemos achar e quebrar, eu tive que fazer esta "loucura"


Essa mecânica nada intuitiva para o jogador de console chega a ser divertida mas até a gente descobrir essas manhas pode levar algumas tentativas e isso pode frustrar o jogador mais nervozinho.

A mesma pedra é usada por exemplo em um momento em que estamos em um plano e para alcançar o outro lado não basta pular, parece que dá, mas não dá, e caímos no buraco. Olha só. é preciso pegar a pedra que está próxima, jogar para cima em uma plataforma quase escondida na parte superior, e só assim a plataforma começa a descer e podemos pular nela para depois chegar ao outro lado. Veja que essas mudanças de jogabilidade trazem surpresas no simples ato de pular de um lado para o outro.

Olhando a parte artística e temática, The Second Samurai traz elementos bem "fumados" ao game. Bom, se você pensar que temos um samurai viajando entre eras para derrotar um demônio, e que no processo enfrentamos macacos, libélulas gigantes, um lutador de sumô entre outros, já podemos deduzir que a lógica não se aplica aqui. E isso é ótimo, é videogame, é entretenimento. É assim mesmo que tem que ser.


ok! Um teste de lógica. Vamos lá. Um samurai, que segura um macaco e que está sendo observado por um homem das cavernas...


Como eu disse antes, durante as fases enfrentamos homens das cavernas, macacos, ciborgues no estilo O Exterminador do Futuro 2, obviamente uma citação direta ao filme que foi lançado em 1991, inclusive com a frase "hasta la vista baby", em um dos finais de game over irônicos do jogo. Também enfrentamos ninjas e esqueletos, como poderiam ficar de fora não é mesmo?


infelizmente ela não está disponível na seleção de personagens, na verdade não existe seleção


O jogo de uma forma geral é muito bom. Melhor ainda se quisermos jogar algo com a cara de PC só que em consoles. É basicamente um híbrido bem feito. Tem vários elementos que são estranhos ao jogador de console, mas ao mesmo tempo, a adaptação é fácil e rápida. O ponto que eu não gostei foi o fato de não poder jogar com a personagem feminina como player 1. Tirando isso não tenho nenhuma reclamação do game. The Second Samurai vale muito à pena, mas é preciso uma pequena fase "pré jogo" para aprender a mecânica, passando desta parte o resto é igual a qualquer bom jogo de plataforma beat ´n up que o Mega Drive poderia oferecer.

11 comentários:

  1. Essa temática fumada lembra bastante a hq Ronin do Frank Miller, inclusive inspirando o desenho do Samurai Jack. Tinha muitos jogos de Amiga portados pras plataformas 16 bits, parecendo um pouco "inferiores" aos títulos populares, por parecerem menos expressivos. Depois das questões abordadas na análise fica a pergunta se o jogo na plataforma original era muito melhor e se vale emular o computador. Ficou sabendo do projeto no kickstarter sobre lançarem um remake do primeiro Samurai?

    https://www.youtube.com/watch?v=7h1blP3VdJs

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    1. Não sabia disso! O KS tem muita coisa retrô não dá para acompanhar, sempre escapa algo. :) Super Samurai ficou legal como título. Poderia ser... Third Samurai...? kkkkkkk acho que não.
      Ronin é meu pecado nos quadrinhos, preciso ler!
      Em geral na era 16bits o console leva vantagem por ter um apoio massivo de desenvolvedoras e por ser uma máquina específica para jogos. Mesmo assim, é difícil analisar. Até mesmo Second Samurai, por exemplo, vendo pelas imagens o Amiga perde um pouco na definição gráfica do personagem mas entrega uma complexidade de fundo de tela e até mesmo dos chefes de fase melhores que o do Mega, aparentemente. Acho que o computador sempre teve seus títulos clássicos e sua forma de jogar que eram bem singulares. Por isso ao compartilhar jogos de console tenha ficado para tras em alguns casos. Ao contrário de hoje em dia que tanto PC quanto consoles parecem fazer a mesma coisa e entregar o mesmo tipo de pão francês. Com exceção da Nintendo que prefere pão de queijo...
      Abração Doc, espero que este KS dê certo!

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  2. Embora o título do jogo leva a crer, eu não sabia desta sequência do First Samurai! Curioso ter saído em outro console.

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    1. E justamente no rival ashuahsushushaushua
      Valeu LGD!

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  3. esse jogo é muito bizarro! adorei!

    ronin tá sendo relançado.
    http://hotsitepanini.com.br/dc/publicacao/ronin-edicao-definitiva/



    abç!

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    1. WOW! Que coincidência. Pena que o preço está um golpe de katana kkkkkkk mas o produto deve ter um acabamento muito bom pelo jeito.
      Valeu pela dica Scant!!!

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  4. Existem dezenas de games com a mesma temática na geração 16bit, mas quando a peculiaridade de Second Samurai é exposta o que temos é um baita de um título bacanudo e, como você mesmo falou, com cara de PC, o que garante originalidade e mecânicas únicas ao gameplay.

    Mais uma prova que o Mega Drive era o melhor!!!



    ...

    Tô brincando, fan boys!!!

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    1. Eu acho o Mega Drive mais sério e com cores mais sóbrias e sombrias. Combina bem com jogos tipo os navinhas e principalmente esses games de origem dos PC´s. Mas mesmo assim não é regra, porque o Batman no Super Nintendo é ótimo e deveria ser melhor no console mais sombrio, entende kkkk. Mas no geral o Mega parece ser Arcade e o Super mais console, principalmente pela influência dos jogos prata da casa que são muito coloridos e alguns fofinhos ao extremo.

      Veja por exemplo Out Of This World. Um game de Amiga, mas que quando chegou nos 16Bit caseiros, eu achei que ficou melhor no Mega do que no Super.
      O Super Nintendo possui jogos absolutamente icônicos e o Mega Drive também. Mas eu quero é todos!!! kkkkkkkk
      Valeu Jules!!!

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  5. Naaaassa, eu joguei esse trem aí, mas nem me lembrava! Por alguma razão eu lembro de não ter curtido, mas eu era moleque. Não que eu ainda não seja um moleque, mas enfim, agora sou moleque com idade.
    Pergunta: se o primeiro player é o segundo samurai, a menina que é o segundo player é a terceira samurai? Ou a primeira samurai mulher? Ou algo assim? Oh dúvida!
    Primeira lei de Mario não deve ser desrespeitada nunca, a não ser que seja um jogo de luta. Aí tem que respeitar a quarta lei de Street Fighter II, onde nenhum botão deve ser usado para defesa. Mas enfim, sempre tem um espertinho que quebra as regras e um bando de malucos que gostam dos jogos com as regras quebradas. Sim, eu estou falando mal de vc, Mortal Kombat! kkkkkk
    Enfim, eu não sei se dou ou não uma chance de voltar a jogar este jogo. Esse negócio de salto de fé muito literal me incomoda demais, vc não faz ideia.
    Ainda assim, outro ótimo texto! E eu aqui mega atrasado nas leituras e comentários...
    Valeu Ulisses!

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    1. Samurai é só em relação a homens, as guerreiras japonesas tinham outros nomes então primeiro ou segundo samurai é sempre em relação aos caras. Mesmo assim é sempre bom ter mulheres guerreiras, nas opções eu geralmente escolho elas.
      Pô Cadu saber defender é fundamental em lutas kkkkkkk
      O lado bom é que o game vai melhorando conforma evolui as fases e tem um sistema de jogabilidade que parece confuso no início mas fica interessante quando se pega o jeito.
      Abração Cadu!

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  6. Second Samurai - http://bit.ly/2jt7Z7G

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