Bomberman 64: Nintendo 64

Sabe quando surge a conversa sobre as versões de Mario e de como o mesmo conseguiu na época passar com maestria do 2D para o 3D quando chegou no Nintendo 64? Foi isso mesmo que me veio a mente ao jogar pela primeira vez Bomberman 64.

A franquia Bomberman é um clássico dos clássicos e eu jogo este game desde os tempos daqueles cartuchinhos japoneses de 60 pinos do Famicom que vinham geralmente no compilado safado de 42 jogos em 1. Foi assim que começou minha história com Bomberman e na minha mente jamais eu poderia imaginar que uma experiência em 3D pudesse chegar perto do original, aliás eu até duvidava disso. Foi aí que eu conheci Bomberman 64 do Nintendo 64 e mudei completamente de ideia.



Eu falei no Mario porque é impossível jogar um clássico do 2D em 3D e não fazer comparações, mais que isso, comparações quase que automáticas e simultâneas em cada fase, em cada passo, em quase todos os momentos do jogo. É uma experiência do tipo quando a gente rejoga um game mas em versão remaster ou algo assim. No caso do Super Mario 64 era mais que comparações de como a coisa toda tinha ficado legal, foi um momento de choque devido a época em que estava no auge a trasformação de toda a biblioteca dos consoles fluindo do 2D para o 3D.

Um momento no mundo dos games que eu detestei no início (apenas bem no início obviamente), eu nunca olhei com bons olhos a fase inicial do Saturn e Playstation e muito menos a do Nintendo 64, que além de uma nova roupagem gráfica era um console bem mais caro que os demais. Aliás eu lembro que para mim foi muito mais fácil comprar um Super Nintendo na época dele, devido a questões econômicas do país mesmo, do que comprar um Nintendo 64 na época dele. Os dois consoles receberam o impacto de dois momentos completamente diferentes tanto do mercado como da tecnologia. Em resumo. O 16bits era caro mas comprável, o 64bits era caro, permaneceu caro e a concorrência não deu chance. O Nintendo 64 tinha uma áurea de "Neo Geo" de certa forma. Todo mundo sabia que era bom, mas comprar como? Foi nesta época que um 32bits valia mais à pena que um 64.

A fase inicial de comparações e julgamentos passa após algumas jogadas. Passando essa fase inicial eu pude me ater ao jogo em si. Seus problemas, suas qualidades e peculiaridades. Bomberman 64 no que tange qualidade de "transição", está no mesmo nível de Super Mario 64. Veja bem, me refiro na destreza de passar de um modo ao outro de gameplay, não estou comparando os dois jogos em si. O que eu quero dizer é que da mesma forma que Mario se reinventou no 3D e fez isso mantendo suas raízes de gameplay (fato incrível para a época), Bomberman 64 fez absolutamente o mesmo! Isto é, tudo o que o fã do clássico gosta pode ser visto na versão 3D e além disso aproveitar todas as inovações que o novo sistema de jogo trouxe.



Quando estamos jogando em 3D tudo a sua volta é motivo de preocupação, é um mundo aberto e com muito mais possibilidades de erros e acertos. Essa foi a maior barreira que enfrentei ao jogar Bomberman 64. Lá nas versões 2D é bem mais fácil, a gente "marca uma reta" como se estivesse desenhando em um mapa plano, pensa em uma estratégia e vai em frente. É muito mais fácil visualizar vários movimentos com antecedência antes de fazê-los, da mesma forma quando jogamos xadrez por exemplo. Mas ao jogar no 3D, isso tudo cai por terra. Em Bomberman 64 temos um mundo aberto cheio de níveis, camadas, rotações, quer dizer, temos que nos preocupar com coisas em cima, atrás e embaixo de nós, e isso tudo torna a dinâmica do jogo completamente diferente.

O engraçado e paradoxal ao mesmo tempo, é que mesmo assim, todas as manhas básicas como timming, reação em cadeia de bombas, níveis de explosão, intensidade de explosões e coisas do tipo estão presentes nesta versão de forma quase que intacta. É por isso que este Bomberman é ao mesmo tempo bem diferente por oferecer mais possibilidades mas ao mesmo tempo é apegado com unhas e dentes ao sistema clássido 2D. E por isso ele está no mesmo nível de Mario, porque em Mario acontece basicamente o mesmo. Temos um mundo novo mas com um sabor do tradicional.

A história do game começa quando Altair invade o planeta de Bomberman com o objetivo de sugar toda a energia do mesmo. Altair passa de planeta em planeta destruindo e drenando a energia deles e depois segue em frente. Ao chegar em Planet Bomber, a terra de Bomberman, ele se instala e começa com a destruição. Mas dessa vez os habitantes locais tinham um heroi. E Bomberman era o cara que ia partir para o ataque para defender seu povo e seu planeta.


Planet Bomber, o único planeta com a cara de seus habitantes. Ao fundo não sabemos se é uma lua, mas ela faz o papel decorativo perfeito em relação a imagem de Bomberman. Bela sacada dos desenvolvedores da Hudson

Altair possui a chamada Omni Cube, um cubo que absorve toda essa energia e possui poderes ocultos capaz de oferecer um grande controle sobre os outros seres, para quem manja um pouco de eletrônica esse Omni Cube está parecendo mais um tipo de capacitor, absorvendo carga e soltando posteriormente para outras funções, mas Altair está aprendendo a usar essa força e esta é a chance, a "janela de tempo" que Bomberman precisa para poder chegar até ele e destruí-lo. Bomberman recebe ajuda de Sirius, uma espécia de nave falante que era de outro planeta que foi sugado e teve sua família destruída. Agora Sirius quer vingança e vai ajudar Bomberman na sua caminhada contra Altair.


aqui nós temos Altair com a Omnibox, e seus capangas sugando a energia do último planeta antes de chegar ao seu destino final...Planet Bomber, o planeta "chapa quente" dos Bombermans

Temos quatro fases que dão suporte a fase final. Cada fase possui quatro estágios, sendo dois deles reservado para sub chefe e chefe de fase. As fases dois e quatro respectivamente. Cada fase representa uma ilha suspensa no ar como se fosse uma nave espacial que fica flutuando sobre a terra de Bomberman. Essas fases flutuantes estão acorrentadas a fase final que fica bem no topo, a estrutura toda lembra um candelabro ou uma âncora de quatro pontas. Devemos destruir as correntes de cada uma das quatro fases e chegar a parte superior onde está Altair.


de repente, do nada, ilhas flutuantes aparecem no céu e começam a atirar lasers para baixo fazendo os habitantes saírem do chão com o impacto das explosões

As mecânicas de Bomberman são bem mais complexas do que na versão de Nintendo. O botão C muda a posição da câmera, o A solta bombas pelo chute do personagem e Z estoura elas quando essa opção for possível. O botão A possui uma função interessante de carregar a bomba e deixá-la mais pesada e mais explosiva. Para isso devemos manter B enquanto apertamos A repetidamente. É possível portanto soltar as bombas no chão da forma tradicional ou segurar e jogá-las para os lados. Durante boa parte inicial do game a única forma conhecida de pegar as bombas com as mãos e jogá-las era soltando ela no chão, chegando a um passo de distância e apertando B para lançá-las. Só depois é que Sirius, nosso ajudante em busca de vingança, nos informa que é possível fazer o mesmo apenas apertando B ao mesmo tempo que segura o A, e "magicamente" a bomba já aparece em nossas mãos. Evitando ter que pegá-las do chão.

Isso estava me irritando pois segurar a bomba só depois de soltá-las era muito chato e pouco eficiente mas depois da dica de Sirius a jogabilidade criou uma nova cor! Eu me pergunto porque Sirius não disse isso logo de cara no tutorial inicial! Já que este movimento é padrão do jogo. Só lendo o manual mesmo para saber com antecedência alguns comandos, principalmente no controle esquisitão do Nintendo 64. Controle pouco intuitivo neste jogo em especial, descobrir sozinho este golpe é bem mais difícil do que parece, depois que a gente sabe tudo bem.


fases básicas, simples mas muito bem feitas. Isso me lembra o ditado "sou pobre mas sou limpinho". E de fato, as fases de Bomberman são assim, limpinhas e bem desenvolvidas, direto ao ponto

Ao destruir coisas do cenário ganhamos upgrades de bombas. Podemos chutá-las e elas correm em linha reta todo o cenário, mas param em qualquer ponto se apertarmos o R. O R serve como um "freio" na "corrida" das bombas. Com o devido upgrade podemos usar a ignição. Isto é, nossas bombas possuem o sistema de explodirem apenas ao serem acionadas pelo Z. O que anteriormente como padrão era o velho sistema de esperar a explosão automaticamente, o que pode gerar problemas da mesma forma do original em 2D, agora com o comando de explodir a coisa fica mais... segura.

Os gráficos são belíssimos, mas o que mais impressiona é a estrutura geral das fases, com muitas camadas, pequenos vãos de acesso e alguns puzzles simples. Como por exemplo, jogar a bomba dentro de uma pequena estrutura de pedra dentro de uma caverna escura (lembrando um pouco Zelda) e acender a "lareira" depois de explodí-la. Ou então usando a bomba para empurrar uma pedra para cima para que possamos atingir pontos mais altos da tela. Claro, lembrando que Bomberman não pula e não nada (o que faz sentido para um cara carregado de pólvora) e tudo é feito no deslocamento mesmo.


as fases de gelo são belíssimas e obviamente mais difíceis pela falta de atrito

Por isso seu campo de ação é restrito, apesar de ter fases gigantes e cheias de camadas e é aí que entra alguns elementos de puzzles bem interessantes dando ou negando acesso ao Bomberman dependendo daquilo que a gente faz ou destrói. As vezes destruir uma plataforma pode ser uma péssima ação, lembrando o jogo Lode Runner do Nintendo, por exemplo, onde devemos ter cuidado com o chão ao destruí-lo.

As fases são bem manjadas e respeitam o estilo básico dos jogos de plataforma. A Green Garden é a inicial na terra, Blue Resort tem elementos de água, Red Mountain faz o papel da fase do fogo, e claro não poderia faltar a fase do gelo que é representada pela White Glacier. O que eu percebo ao jogar Bomberman é que estamos diante de um jogo de plataforma 3D excelente mas ao mesmo tempo estamos "presos" as mecânicas do próprio personagem, como por exemplo, o fato de não podermos pular ou nadar. Isso é muito significativo, é um jogo 3D com partes estruturtais do 2D. Essa mistura ficou muito bem feita, eu que gosto muito do clássico jogo planificado, "chapadão" na tela, não tive maiores dificuldades em jogar esta versão.


o jogo ora faz papel dos plataformas, ora dos tradicionais Bombermans com elementos de puzzles
na última fase temos o manjado sistema de design ao fazer referência a coisas "hi tech" ou mega robotizadas... igualzinho aos jogos clássicos de plataforma em 2D

Este game agrada tanto os da velha guarda quanto um jogador casual que nunca pegou Bomberman antes. Claro, ao jogar pela primeira vez, é preciso entender as limitações e mecânicas intrínsecas do próprio personagem, mas depois disso é diversão garantida para os novatos na série.

Se prepare para cair. Mas cair bastante. Como Bomberman não pula, o tempo todo estamos passando por extremidades ao lado de buracos infinitos. As fases são basicamente blocos gigantes onde podemos rotacionar em 360°. Afinal de contas as fases são ilhas suspensas nos céus de Planet Bomber. Isso significa que além de termos o perigo constante de queda, ainda temos que lidar com a posição da câmera para poder saber onde estamos pisando e o que tem logo a frente. Em alguns momentos o jogo é mais plataforma e em outros mais puzzle 3D. Lembrando um pouco o jogo indie FEZ e suas rotações de tela.

Há momentos que temos uma grande área confortável para agir, mas em outros, temos que passar por escadinhas, frestas e outras partes mais complexas. Em algumas fases morremos mais por "quedas bobas" e contínuas, do que pela dificuldade em si dos inimigos. Esse é aquele tipo de jogo que te pega no detalhe. Eu destaco a Red Mountain que possui partes muito cansativas para jogadores mais afobados. O segredo é fazer tudo com calma, há partes que parece ser tão simples e fácil que temos o ímpeto de dar uma acelerada. Esse pode ser o maior erro no game. O que pode ser feito rapidamente é melhor fazer mais devagar e garantir que não irá cair e perder uma vida devido a um movimento besta involuntário no direcional.

Não devemos subestimar nada em Bomberman. A dificuldade é regular mas dependendo do estilo de jogador isso pode piorar ou melhorar. Jogadores mais "Ah!, eu já conheço o caminho" podem se frustrar com quedas bobas constantes e jogadores mais metódicos passam bem mais tranquilamente por entre as fases mais perigosas.

Mas de uma forma geral o jogo é fácil porque os chefes não apresentam um sistema difícil de ataques e variações e o game salva o jogo constantemente.


belíssimo chefe de fase, dá de 10 x 0 no chefe final... ele bem que poderia ter sido o final


Fora da campanha principal temos também um modo de lutas versus contra a máquina ou contra outros três amigos chegando a quatro jogadores em tela. As fases para este tipo de combate versus são inéditas, isto é, não são pedaços retirados do jogo principal. Eu gostei muito disso, mostra que o pessoal realmente fez questão de por a mão na massa e fazer mais fases.

Se bem que são fases de blocos únicos, tipo stages de luta, mesmo assim algo muito bem feito. Jogando com quatro personagens simultaneamente as lutas lembram um pouco Smash Bros, mas com apenas quatro tipos de Bombermans diferentes. O que eu não gostei muito foi que o chefe final é fácil demais, o jogo apresenta o seu melhor durante a partida e não no seu clímax, aliás nem chega a ser um clímax, as movimentações e todo o resto que poderiam fazer do último chefão o grande combate do game simplesmente não acontece. O penúltimo chefe traz uma excelente luta, assim como todos os demais, mas o chefão final deixou a desejar.


imagem ao vencer o modo "versus", podemos jogar com a máquina ou mais três jogadores

Bomberman 64 vale a pena porque traz um clássico de cara nova respeitando mecânicas tradicionais. O 2D e o 3D são formas completamente diferentes de fazer jogos mas que nesta transição conseguiu entregar a essência da franquia sem distorções, algo que não aconteceu por exemplo, com Mega Man neste console, na minha opinião um tropeço da Capcom, e este é o ponto forte da Hudson no Nintendo 64.


Comentários

  1. Altair parece o galactus.

    Feliz Natal e um próspero ano novo!

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  2. Bomberman é um jogo que fez sucesso em diversas plataformas, porém o que sempre me agradou de verdade na franquia foi o multiplayer. Jogar com os amigos, todo mundo contra sempre foi bem divertido, porém eu não consigo visualizar isso nessa versão de 64.

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    1. O multiplayer nos consoles antigos sempre foi algo mais difícil mesmo, eu me refiro acima de dois jogadores é claro. Alguns consoles até tinham adaptadores régua para por mais controles mas isso semp´re foi bem underground mesmo!
      Eu já amo Bomberman pelo fator jogar sozinho, mas pelo jeito para quem gosta de multiplayer, esta versão do N64 está muito legal.
      Abração Duran!

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  3. Bomberman guarda muitos jogos interessantes fugindo inclusive das ideias constantes e conseguiu transitar bem pro 3D sem cair no modismo de clonar SM64. Talvez a derrocada tenha sido no reboot do primeiro X-Box. Acho que o ápice foi no Bomberman Online do Dreamcast apresentando diversas modalidades de combate e até customização para jogar online.

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    1. É isso mesmo Doc. A transição foi feita com personalidade sem ficar usando o Mario como suporte. E isso na época deveria ter sido algo complicado, difícil mesmo. Imagine só ter um grande sucesso como influência e ao mesmo tempo fazer algo que atenda as características de Bomberman sem usar o Mario como decalque. Esse do Dreamcast eu não conheço, vou dar uma olhada.
      Abração Doc!

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  4. Mario passando do 2D pro 3D? Que Mario?
    Tá, chega de palhaçada, vou comentar pra valer! kkkk
    Não me recordo se joguei o Bomberman do 64, mas dada a observação de que se preocupar com o ambiente 3D é mais complexo, eu deveria ter memórias disso. Engraçado que tenho memórias do jogo, eu provavelmente só assistia a galera jogando.
    Melhor cena é a do planetinha, ficou muito legal! Curto essas coisas! kkk
    Vou colocar na lista de jogos pra conhecer, fiquei interessado na campanha. O único da série que joguei a campanha foi o Wario Blast! featuring Bomberman do Game Boy, adorava ele! Aliás, jogo que combina muito com portátil.
    Outro ótimo post, Ulisses! \o/

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    1. Mario é um jogo que surgiu... não pera! kkkkkkkkkkk
      O jogo 3D quando tem na origem um game 2D sempre sofre uma avalanche de comparações, isso é normal. E sim Cadu, em 3D as chances de se perder e cometer erros aumenta, esse é um dos motivos pelo qual eu estranhei essa transição lá nos tempos do Saturn.
      Abração Cadu!!!

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