Test Drive II: The Duel: Super Nintendo

Eu joguei Test Drive II: The Duel pela primeira vez em meados de 1995. Foi um daqueles Sábados de manhã que a gente pegava dois jogos para aproveitar o Super Nintendo no final de semana para recarregar as energias e ânimo para enfrentar uma Segunda-Feira de estudos minimamente motivado.

Videogame naquele tempo, principalmente aos Domingos, era o melhor livro de auto ajuda que um adolescente poderia ter consigo. E a minha auto ajuda era o Super Nintendo. Neste caso específico, o videogame de um amigo meu. Infelizmente nossas locações foram "no chute". Eu paguei metade e sofri em 50% também.



Alugamos dois jogos. Test Drive e Beethoven. Este segundo para quem não sabe ou não lembra, era um jogo de plataforma baseado em um filme, estilo "sessão da tarde", onde controlamos um cão. Eu nunca mais joguei este game do Beethoven, mas as lembranças de época foram ruins, um jogo chato, quem mandou alugar no chute? Pode ser que eu rejogue e mude de ideia, mas duvido muito. O outro, Test Drive II: The Duel que trago aqui, foi o que salvou aquele final de semana dos anos 90.

O jogo é um simulador de rachas, duelos entre "super máquinas" famosas. Uma Ferrari F40, uma Lamborghini Diablo e um Porsche 959. O jogo é todo em primeira pessoa, você tem a visão geral do painel do carro e cada carro foi feito buscando se parecer ao máximo com o carro real.

Isso no Super Nintendo foi algo incrível de se jogar, não era o comum, primeira pessoa então, muito menos, isso é coisa de PC. O jogo é de origem dos computadores mas na época ninguém sabia de detalhes de nada, nada que não tivesse em revistas de videogame. Inclusive eu encontrei na Ação Games n° 30 uma breve descrição do jogo, que foi aclamado com nota máxima em todos os quesitos.


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Eu acho um exagero, mas concordo que o game em vários aspectos é incrível mesmo. A começar pela imagem em primeira pessoa. Isso num console caseiro de 16Bits significa lentidão, quebra de frame rate etc. Mesmo assim as pistas, os carros e todo o cenário flui muito bem, eu não notei nenhuma quebra chata ou formação aos pedaços de gráficos no fundo da tela, nada disso, tudo estava rodando bem suave.

Mas para conseguir isso algumas coisas foram sacrificadas, afinal, "não existe pixel grátis", como por exemplo o desenho dos carros dos NPC´s, os "figurantes" que cruzam as pistas durante as partidas. São sprites bem simples. Por outro lado o painel do carro e todas as principais características de cada modelo estão presentes e bem representadas graficamente no jogo.


aqui você está dentro de uma Lamborghini Diablo. A Ferrari logo a frente e um personagem aleatório a direita

Ficou nítido que escolheram priorizar o simulador interno e deixar todos os "enfeites" externos com uma simplicidade maior para que o console pudesse fazer o seu trabalho sem engasgos. O volante gira e possui um pontinho no centro para servir de guia. Os ponteiros do velocímetro e do conta giros deslizam como se fosse um sistema analógico real, e isso é muito válido. Eu já joguei jogos de corrida em que os ponteiros eram apenas enfeites e os números eram digitalizados, algo que dá um tom bem falso ao jogo, mas aqui, não. Os ponteiros realmente se movem.

O som é lindo. Tanto a Ferrari, o Porsche e a Lamborghini possuem traços sonoros muito "pessoais". É possível reconhecer cada carro apenas pelo som do motor "pedindo" marchas, sensacional mesmo. O motorista, que obviamente não aparece na tela, nem as suas mãos, pois aí já seria demais para o Super Nintendo, solta reações dependendo do que acontece no jogo.


fase fácil, pista dupla, sol, e só um motociclista lá na frente... quase não dá para ver

Reações como gritos do tipo: Yeah!, WOW!, Oh, no! Essas reações acontecem ao despistar a polícia, pular uma ondulação de pista onde ficamos literalmente no ar e quando percebemos que o radar dos tiras nos pegou. O objetivo do game é percorrer um mapa, uma região dos EUA, e chegar na frente de seu oponente no posto de gasolina mais próximo. Nestes postos recebemos informações de tempo percorrido e se fomos bem ou não durante a partida. Além disso aparecem textos nos avaliando, com críticas ou elogios. tem uma frase que eu achei bem legal:

"Cara, pode correr, isso é apenas um videogame!" Fazendo aquela famosa quebra do cinema quando o personagem se vira para a tela e conversa com o telespectador.


ao chegar nos postos, você recebe elogios se correr bem, e frases sarcásticas e humilhantes se você jogou mal. Além disso o nome dos postos que servem como checkpoints são bem criativos, como este aí em cima

Além disso temos a participação da polícia rodoviária que aparece para nos multar em pontos determinados da pista, que na verdade são estradas, são típicas estradas norte americanas. O jogo é basicamente isso. Corra, chega antes, e não seja pego pelos tiras. É possível correr contra uma das três máquinas ou correr contra o tempo.


se a polícia pegar... é multa na certa

Também é possível selecionar o nível de dificuldade de duas formas paralelas. A primeira é escolhendo entre dois tipos de marchas automáticas ou dois tipos de marchas manuais, sendo as manuais representantes dos níveis mais difíceis. Portanto quatro tipos de marchas e dificuldades. Só que depois disso, temos outra camada de dificuldade. É a escolha de uma entre quatro pistas, que são trajetos disponíveis.


observe que a primeira é a mais fácil e a última embaixo a mais difícil. O desenho dos mapinhas indicam iconicamente os tipos de desafios que vamos enfrentar, nota-se por exemplo, que na mais fácil não corremos à noite

Indo do easy ao hardest. Parece confuso mas o jogo é todo aberto, como se fosse uma lista telefônica ou um dicionário. Quer dizer, é possível escolher qualquer pista sem ter que passar pelas mais fáceis antes, é tudo "customizado", ou digamos, é um jogo de "consulta", não existe um conceito claro em passar de fases, por isso o uso de passwords aqui também não fariam sentido.

Isto é, você escolhe o carro que quiser, no nível que quiser e na estrada que quiser. O jogo te dá Game Over se você estourar o motor, bater o carro ou chegar em segundo no duelo, ou estourar o tempo, no caso se for duelo contra o tempo.


olhe só esses traseiros, que beleza, a morena, a ruiva e a loira... três máquinas!

Correr nas pistas fáceis é monótono, chato, feito mesmo para aprender a trocar de marchas, caso esteja na manual e para pegar o jeito do game. O legal mesmo são as mais difíceis. As pistas que antes eram totalmente em pista bem larga, duplas, passa ter trajetos bem estreitos, com um sentido para ir e outro na contra mão, com carros indo e vindo ao seu lado sem espaço para quase nada.

Além disso passamos por variações climáticas como chuva, neve, e temos os cenários que se modificam e também ficam mais legais, com pontes, tuneis e até desfiladeiros. Os outros cidadãos que trafegam nas rodovias também mudam. O que antes eram apenas carros de passeio e motocicletas, agora são caminhões que transportam toras de madeira e outros tipos de veículos mais pesados e maiores.


olha só a situação... um caminhão à esquerda, um desfiladeiro à direita e uma Lamborghini Diablo logo atrás aparecendo no seu retrovisor

Test Drive II: The Duel possui elementos de simulador, claro, mas mistura com elementos arcade também. Isso torna o jogo bem mais dinâmico. Está bem longe de ser um game altamente realista nas mecânicas e ao mesmo tempo entrega bem a sensação de pilotar um super carro. Eu nunca se quer cheguei perto de um carro desses na vida real para dizer e fazer essas comparações, mas meu ponto é que, mesmo dentro da ficção, e gente se sente pilotando um carro potente e caro.

A Ferrari é a mais equilibrada entre força e direção, a Lamborghini é relativamente mais lenta nas primeiras marchas, porém alcança altas velocidades com o tempo, e o Porsche é o meu preferido por ser o mais "nervozinho", a rotação dele é altíssima, e em poucos segundos trocamos rapidamente de marchas com uma aceleração impressionante. Como eu priorizo mais a aceleração do que a velocidade máxima, esse é o "meu" carro preferido.

Vários jogos antigos, principalmente do Playstation para trás, possui games que se consagraram pelas suas falas e efeitos. Como esquecer o jogo de futebol International Super Star Soccer Deluxe, em que a voz de abertura imortalizou o título, ou então o grito em Metal Gear chamando pelo Snake. Também eu lembro agora do "Choose Your Destiny" em Mortal Kombat, entre tantos outros que não acabam mais.

Test Drive II: The Duel também conseguiu seu lugar ao sol com a famosa frase de encerramento no game over. A frase "Game Over Man..." dita ao perdemos a partida em uma tela totalmente escura e em um tom bem desolado, ficou marcada na minha memória desde os anos 90. "Game Over Man..." quem jogou jamais esquece dessa frase. Icônica mesmo.


ao pausar o game a apertar no controle 2 o "L" e o "R" juntos, aparece uma tela secreta onde podemos alterar vários itens da física dos carros

O jogo é assim. Aberto, simples, com gráficos excelentes e jogabilidade de primeira. Com um toque de arcade dentro de um conceito de simulação. Não é um título que fica entre os mais importantes do Super Nintendo, mas sem dúvidas dentro do gênero simulação de carros ele é um pequeno clássico, se é que essa expressão faz algum sentido. De qualquer forma, Test Drive II: The Duel salvou meu final de semana naqueles dias de 199X.


Comentários

  1. Jogo de corrida no Super só me lembrava da trilogia Top Gear. Quando eu voltar pros jogos de SNES confiro esse. O que tu acha do jogo Jaguar XJ220 pra Sega CD?

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    1. E por falar em Top Gear, esse Jaguar lembra em vários aspectos o Top Gear. O Jaguar tem o ponto negativo de ser jogo de uma marca só, mas por outro lado é bem completo, com campeonatos, soma de pontos, da pra ganhar dinheiro com as corridas e comprar coisas para melhorar o carro. Joguei pouco esse Jaguar, mas sei que é um jogo bom e com certeza algum dia ele vai aparecer por aqui. Eu prefiro Top Gear, mas Jaguar também é muito bom, inclusive é mais denso que Top Gear, dá pra fazer mais coisas.
      Abração Doc!

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  2. Muito bom! Este eu só joguei quando baixei ele e nunca mais dei atenção... até agora. Pretendo jogá-lo em breve.

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    1. Quando jogar você pode se sentir sem objetivos... isso porque o game não tem algo definido para superar ou fazer, é basicamente um simulador de duelos, mesmo assim vale pela sensação na troca de marchas, sempre jogue no manual... é muito mais divertido.
      Falou LGD!

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  3. Muito bom, Ulisses!
    Não imaginava que você vinha da tão sonhada década de 90.

    Eu sou dos anos 2000 e uma parte de mim gostaria de ter vivido toda a década de 90. Ver a ascensão de consoles como Mega Drive e SNES e a queda dos monstruosos 3DO e Jaguar. Huahua!

    O game parece ser bom pela sua descrição, sempre tive um certo preconceito com games de corrida que não fossem acima dos 32 bits. Vou dar uma olhada nesse aí.

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    1. Vish Jules, nem te conto. Sou da época de coisas como o "Xegundo Xou da Xuxa", Balão Mágico, Topo Gigio, Dominó, Menudo, Pochete, Madonna estreando na carreira, Walkman tijolão, TV sem controle remoto... enfim é melhor parar por aqui kkkkkkkk
      Essa coisa de corrida só nos 32 eu ouço bastante e tem um motivo claro, o Playstation e Saturn basicamente revolucionaram o gênero de corrida. Perceba que jogos de luta não tiveram tanto impacto pelo 3D, mas plataforma e corrida ficaram bem diferentes.
      Jogos de esportes e simulação são sempre colocados em segundo plano, mesmo que as vendas de jogos como FIFA, NFL ou The SIMS sejam ótimas olhando pelo histórico. Por isso é só provando para saber se você vai gostar ou odiar kkkkkkkkk
      Falou Jules!

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  4. Test Drive era mais forte nos PCs antigamente, não? Eu lembro de ter visto este nome no MS-DOS na metade dos anos 90. E era algo mais "precário" que este de SNES, se eu não estou muito enganado. Minha memória me fornece imagens aqui de um jogo que era quase todo em tons de vermelho ou rosa, sei lá, alguma coisa assim.
    Mas este do SNES parece bonitão, pelo jeitão do jogo tá longe de ser aqueles jogos clássicos que mexem a pista e não o carro, que é impossível andar na contra-mão. Lembrei até do Hard Drivin' do Mega Drive (acho que o SNES tinha apenas a sequência, Race Drivin'), jogo que vejo uma galera metendo o pau e eu tenho o cartucho e o adoro até hj! hahuahuahua
    Só que esse tem mais um bocado de simulador, né? Trocar de marchas? Estourar motor? Doidera!
    Vou colocar para experimentar algum dia, quero ouvir a icônica frase de Game Over! hehe!
    Belo post!

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    1. De fato era, mas eu tive pouco contato com os PC´s antigos. Eu comecei mesmo foi com um 386, e meu mesmo só no Pentium. Pelo contrário Cadu, a sensação de movimento é perfeita no Super Nintendo, essa coisa de pista mexendo e não o carro não existe aqui, a sensação é ótima. Hard Drivin´eu não conheço vou dar uma olhada pra ver se é ruim mesmo ashuahsuahusa
      É bem simulador mesmo Cadu, e não esqueça que a frase também diz "Man"! Game Over Man!!!
      kkkkkkkkkk Falou Cadu!

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