terça-feira, 21 de março de 2017

Turmoil: Atari 2600

Para cima, para baixo… para cima, para baixo… atira, atira, atira… para cima, para baixo… isso parece muito chato, simples e sem graça para um jogo e é basicamente isso que fazemos em Turmoil. Mas na época em que um console possuía apenas um botão de ação e a diferença técnica dos televisores nas lojas era entre os televisores “coloridos” e os preto e branco, é claro que em tempos assim um programador de jogos deveria ter não só conhecimentos de lógica e programação como também de esoterismo e magias ocultas, só assim para fazer bons jogos ou pelo menos jogos que valessem a pena pagar por eles.



Em um primeiro contato Turmoil se mostra absolutamente simples e banal. Temos uma nave que se movimenta apenas para cima e para baixo no centro da tela e possui tiros para destruir os inimigos que aparecem ora de um lado, ora de outro. Só isso. As variáveis de jogabilidade são tão simples que Pac Man em comparação já seria um jogo denso. Mas isso só em um primeiro contato, simples ele é e isso não muda, mas o que muda é a forma como o desafio é proposto.
 

Uma nave que pode se movimentar verticalmente apenas na linha central da tela e pode percorrer 7 corredores que estão distribuídos horizontalmente e frequentemente estão repletos de inimigos que vão passar por sua linha de ação tentando tocar você. Parece muito fácil porque você atira, eles não, mas isso é só o começo da coisa e com certeza o desafio fica bem intenso no decorrer das fases.

Eu falei em fases? Sim, Turmoil conta as fases e faz isso com uma “intro” onde o número da fase aparece bem no meio da tela e traz uma música de fundo lembrando algo que vai “subindo” ou “enchendo”, dando a sensação de que a fase está “carregando”, está a caminho. Esse efeito é parecido ao efeito do caça de River Raid quando enche o tanque de gasolina “FUEL” onde um som vai do grave para o agudo dando a sensação de preenchimento.

O fundo desta tela de “intro” é todo psicodélico e bem colorido, dentro da simplicidade da paleta de cores do Atari obviamente, mesmo assim é digno de nota.



A cada fase conquistada você ganha uma vida, e para passar de fase é preciso limpar a tela destruindo o máximo de oponentes possíveis. Até aqui o jogo ainda parece monótono e com lacunas, mas o mundo dos games desde o Pong nos apresenta soluções bem criativas que fazem um simples jogo se transformar em um sucesso.

No Pong original a bolinha batia de uma “raquete” até a outra da tela apenas em linha reta, mas uma sacada do engenheiro de Bushnell fez o game ficar muito mais divertido. Ele fez com que a bolinha que antes viajava apenas em linha reta, também pudesse percorrer diagonais se o jogador batesse nela “de quina” com a raquete. Isso trouxe o fator imprevisibilidade ao outro jogador e por consequência diversão e desafio.

As mudanças de Turmoil também foram pensadas para exigir do jogador mais ação e desafio, além de tentar evitar que o mesmo ficasse parado ou encontrasse uma zona de conforto na tela. A primeira das soluções foi com a adição do prêmio. Em vários momentos no canto extremo de um corredor aparece um símbolo que fica pulsando indicando que ele está disponível.

Neste momento algo diferente acontece nas regras do jogo, neste momento podemos ir até este corredor e entrar dentro dele, com livre acesso aos dois lados, mas é aí que vem o contra ponto. Se pegarmos este símbolo ganhamos muitos pontos mas se não pegarmos ele, o mesmo se transforma em uma bolinha que fica “quicando” na tela horizontalmente em um movimento perpétuo.

A única forma de acabar com isso é destruindo a bolinha. Outro fator interessante é que quando estamos dentro do corredor nosso tiro não funciona e isso foi uma jogada sensacional dos programadores, isso impõe um alto risco em entrar dentro dos corredores, por isso fazemos rapidamente para resgatar os pontos e logo sair rapidinho dali, ao sair voltamos a atirar, mas durante os poucos segundos de ação dentro do corredor estamos completamente indefesos!



Temos vários tipos de inimigos mas vou destacar os mais interessantes.

Prêmio “bolinha”. Ele é uma fonte de pontos… mas por um curto espaço de tempo, depois disso o mesmo se transforma em uma irritante e incansável bolinha de ping pong que fica quicando a tela até ser destruída

Sentinela vazado. Este sentinela aparece sempre que ficamos muito tempo parado em um único corredor. O leitor provavelmente deve ter pensado que o jogo é fácil, basta ficar “de boa na lagoa”, apenas em um corredor e o máximo que teremos que fazer é atirar ora para a direita, ora para a esquerda.

Isso é impossível justamente porque este sentinela aparece e não podemos destruí-lo, e o motivo chega a ser um pouco cômico, nossos tiros passam por dentro dele, o mesmo tem um vazamento, em outras palavras, é indestrutível. Este personagem foi feito exatamente para expulsar o jogador de sua zona de conforto.

O Tanque. Este tanque de guerra possui uma característica que força o jogador a atirar por trás do oponente, o tanque é indestrutível pela frente e a única forma de destruí-lo é saindo deixando ele passar e voltando para pegá-lo por trás. Tiros frontais nele são absorvidos, e o mesmo fica indo e voltando na nossa frente como se fosse um elástico caso a gente insista em manter os tiros, pois ele vai insistir em absorvê-los com um pequeno recuo.



Na quarta fase acontece mais uma brincadeira do game, as “luzes se apagam”, os corredores permanecem lá, mas a gente não pode vê-los. Agora imagine o trabalho que dá em acertar várias coisas ao mesmo tempo sem poder ver as linhas dos corredores, principalmente quando aparecem os “prêmios”, entramos nos corredores muitas vezes sem querer só pelo fato de estarem “abertos”.



Como eu disse no início Turmoil é simples, com certeza não é a “elite” dos jogos Atari, mas eu gosto dele, ele vale a pena e oferece um desafio bem legal.

6 comentários:

  1. Ótimo desafio, foi um jogo bem pensado.

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    1. Um game que poderia ser adaptado para smartphones.
      Abração LGD!

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  2. Hoje temos uns clones dele naqueles minigames do Boça, mas pra época deve ter sido bastante inovador. Fora que seu modelo foi usado pra uns jogos com tanques de guerra do período.

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    1. Ah! Os clones! Principalmente as mecânicas lá de trás do Atari e arcades são bastante usadas em jogos mais simples e "modernos" kkkkk.
      Abração Doc!

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  3. Joguei "sacoisa" (evitando palavrões) pra cachorro (evitando palavrões II)!!!
    Eu acho que ele não está na "elite" só por conta de popularização, pq em qualidade ele não faz feio perto dos medalhões não. Ou meu gosto tá me influenciando aqui e eu não sei! huahuahua
    Sinceramente não lembrava do lance das linhas sumirem, bem lembrado! Faz um tempão que não jogo ele! Inclusive ver a "tela de loading" da fase me deu uma nostalgia tremenda!
    Ótimo review!

    PS(1): Sobre comentários, eu não sei o que tem acontecido, tem horas que o meu comentário simplesmente não vai, aí eu fico brigando até que uma hora entra. Isso acontece com frequência no blogspot, não sei bem o pq. Toda hora sofro pra comentar aqui, no Cucamonga e no Desconstrutor, maldição de blogspot! hauhuahua

    PS(2): Eu vi dois posts nos feeds que eu até escrevi comentário, mas não vi eles aqui no site. Vc tirou do ar? Foram pro ar antes do esperado? Era sobre reflexos e sobre o livro que tudo que é rum é bom pra gente. Bom, se voltar ao ar vc me avisa que eu tenho os comentários escritos. Eu demorei pra conseguir acessar os sites nos últimos dias, até o meu próprio! kkkk

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    1. Ah! este jogo é muito bom mesmo e para quem jogou no passado fica mais intenso comj a lembrança Cadu! Eu digo que ele não está na elite porque existem jogos bem mais complexos no Atari, como por exemplo H.E.R.O, que é um clássico absoluto! Mas Turmoil é legal sim.
      Eu deixo os comentários livres sem restrição nenhuma mesmo assim ele dá probleminhas, :(
      Eu coloquei por engano um review de livro que fiz, minha ideia é abrir este espaço mais para frente quando eu tiver mais textos assim Cadu!
      Abração!

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