Cosmic Commuter: Atari 2600


O legal ao rejogar um game Atari é relembrar como os as coisas boas e inteligentes nos jogos eram vistas apenas como divertidas e chamativas na época do canal 03, sintonia fina e "bombril" na antena. Nada mais que isso. Apenas falávamos: “Isso aqui presta e isso aqui não vale a pena”, definição simples e direta, do jeito que toda criança sabe fazer ao escolher o cartucho de dentro da caixa de sapatos repleto de outros títulos.

Hoje usamos muito de comparações. Comparações com os outros consoles que vieram depois, outros jogos, e essas comparações quase que sem querer destacam ainda com mais força as coisas boas e ruins dos jogos anteriores, em especial do Atari. É por isso que toda “análise” deve ser feita sempre dentro do contexto da época e isso é muito difícil. É por isso que se eu falo ou destaco com entusiasmo que “River Raid fazia abastecimentos, tinha aceleração e checkpoints” é porque para a época e para aquele hardware eram coisas a se destacar mesmo.

Esse entendimento das limitações é fundamental para saber se um jogo é bom ou é ruim, até porque todo console possui de tudo, jogos ótimos e jogos descartáveis.

Vamos falar da Activision. É claro que você conhece a Activision, ela está de pé até hoje, mas lá nos anos 80 ela era mais que uma empresa de sucesso, era uma marca, um símbolo de qualidade indiscutível para os games Atari. Um verdadeiro “Selo de Qualidade” que superou a própria “mãe” na minha opinião. Cosmic Commuter é da Activision e para não fugir a regra é um ótimo jogo.

Cosmic Commuter tem traços de Defender com Cosmic Ark, outros dois clássicos do sistema. Lembra Defender pela movimentação e Cosmic Ark pelos objetivos. E falando neles, o nosso objetivo é uma missão de resgate em diversos planetas diferentes. Nesses planetas temos pessoas (imagino que cientistas) que precisam de ajuda e resgate ou morreram dentro daquela atmosfera alienígena. Nós temos um foguete, uma espaçonave que faz a busca e a “aterrissagem” nestes planetas para resgatar os humanos.

Logo no início o jogo te propõe um desafio. Nossa nave está parada no centro da tela, ao tocar o stick para cima a nave começa a cair em direção ao solo, se nada for feito ela explode no chão e lá se foi uma vida. Nosso primeiro desafio é aterrissar. Colocando o stick para cima o foguete é acionado e subimos, devemos controlar o acionamento do foguete para fazer a nave “cair” suavemente no solo, existe toda uma aceleração envolvida, ao descer corretamente a nave é expelida para a esquerda, se desacoplando da base e aí sim o jogo começa efetivamente.

Depois deste teste de manobra na vertical, o nosso desafio é na horizontal, e aqui tudo se parece bem mais com Defender. Existem vários tipos alienígenas na tela que precisamos derrotar ou deixar de lado, na parte superior temos um símbolo “F” que aparece em alguns pontos e é nosso combustível, e lá embaixo no chão é onde os cientistas estão, todos (8 deles em cada fase) distribuídos pelo terreno.






Devemos resgatar o máximo que for possível e ao mesmo tempo controlar o combustível que é muito escasso, se por engano destruirmos um deles muito provavelmente vamos perder uma vida, exite essa dupla preocupação, resgate e abastecimento o tempo todo no jogo. Aliás dos 8 humanos precisamos resgatar pelo menos 1, caso contrário não conseguimos voltar a base de aterrissagem, não conseguimos nos reconectar a ela para subir ao cosmos. Ao final do trajeto os humanos ou foram todos resgatados ou morreram porque você demorou para chegar, de qualquer modo, quando não tiver mais o que fazer, um sinal é emitido indicando que devemos voltar ao local de lançamento para fazer a acoplagem e subir para passar de fase. Claro que para voltar a base basta seguir em frente já que o mapa é cíclico, obviamente não teríamos combustível o suficiente para voltar todo o trajeto percorrido no sentido oposto. Basicamente é isso. Descemos, buscamos e resgatamos o que der e voltamos a base para subir para outra fase.

O combustível conta de 0 a 9, ao chegar em 3 ele começa a fazer um som de “engasgamento” que te deixa apavorado e ao chegar em 0,5 você morre. Ao empurrar os stick para a direita ou esquerda você acelera mas gasta combustível mais rápido e ao passar sobre um humano em perigo a parte superior da tela pisca formando uma tarja vermelha por uma fração de tempo indicando que existe um humano ali embaixo. Isso é sensacional porque muitas vezes não temos tempo de olhar para cima em busca de “fuel”, olhar para frente para destruir os inimigos e ao mesmo tempo fazer uma varredura no solo para saber quando chegou um humano, que por sinal é bem pequenininho na tela. Coisas da Activision, coisas de gente que sabe fazer  e jogar videogame!

Em Defender os humanos são raptados pelos aliens, o que gera uma aflição no jogador mas por outro lado não possui a variável combustível, aqui os humanos não são raptados mas estão sujeitos a pouco tempo, se não chegarmos em um bom tempo neles um som grave e negativo soa, isso significa que um dos 8 cientistas “foi pro saco”, lembrando que devemos resgatar pelo menos 1 deles, caso contrário não podemos reencaixar no acoplamento de aterrissagem/lançamento, a máquina basicamente nos repele como um ímã (se você quebrar um ímã ao meio em dois pedaços distintos, eles vão ora se atrair ora se repelir dependendo dos polos em questão).

Eu gosto de Cosmic Commuter porque é mais do que fazer pontos, tem um objetivo a mais que amplia o desafio. Os jogos da Activision em especial possuem uma “assinatura visual” que me agrada bastante, isto é, cores sólidas e coloridas, bem diferente dos jogos mais sombrios e escuros como Space invaders ou Asteroids entre outros jogos Atari de “espaço e destruição”. Cosmic Commuter é um jogo sobre salvar e não destruir. Embora, é claro, não é possível fazer um omelete sem quebrar alguns aliens... digo ovos.

Comentários

  1. O conteúdo deve ser analisado entre similares da época para um resultado lógico senão cai no típico anacronismo. Alguns jogos do Atari você percebe empenho em aprimorarem seus clichês, outros já demonstram o desgaste que gerou o tal crash. Vou num site que rode esses títulos do Atari e testar o que foi revisado aqui pra ter uma ideia melhor, já que as coletâneas nunca funcionam ou separam-se entre acervo Atari e Activision. Você pretende abordar os aparelhos posteriores ao Atari 2600 tipo Coleco e mais coisa do SG-1000?

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    1. E aí Doc! O SG-1000 é certeza mas o Coleco não tenho nada programado. Os jogos Atari é uma terra sem lei, eram relativamente fáceis de serem feitos, os lixões, e qualquer um poderia fazer seu jogo para o console, tinha de tudo e as diferenças são gritantes.
      Valeu pela visita Doc, abração!

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  2. Como dizem, "sem omeletes não se faz ovos"! Foi mal, essa foi a primeira coisa que veio em mente depois da última frase do post! rs
    Nunca joguei Cosmic Commuter, ou pelo menos não me recordo de ter jogado. Mas com referências à Defender e Cosmic Ark, dá pra ficar animado! Aliás, curioso é que vc mesmo falou sobre comparações e acabou fazendo esta comparação direta com outros jogos do console, pensa que eu não percebi? huahua
    Fica aqui registrado que todo mundo ficou chato, ainda bem que algumas pessoas ainda tentam olhar para os games com os olhos da época em que foi lançado, é a melhor forma de não cometermos injustiças... pelo menos eu acho!
    Ótimo post, Ulisses!

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    1. KKKKKKK você me pegou! Falei de comparação e fiz elas kkkkkkkkk
      Valeu Cadu, experimente o game é bom!

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