terça-feira, 25 de abril de 2017

O Último Assoprador de Fitas


Você já pensou que vai chegar um dia em que qualquer pessoa que for falar sobre jogos antigos, jogar e comentar sobre eles, simplesmente serão pessoas que não viveram a época deles? Será um grupo de jogadores que não saberão exatamente como era a atmosfera da época dos consoles que eles mesmos jogam e trocam ideias.

Chegará um dia em que nenhum jogador poderá dizer: “Ah! Esse era da minha época!” Não pelo menos em relação aos consoles iniciais e toda a magia e atmosfera que cercavam eles. Isso é estranho e vai acontecer.

Existem duas possibilidades. Ou o tempo simplesmente vai varrer da história os jogos e consoles antigos tipo Playstation e Nintendo 64…



Ou mesmo daqui 120, 150 anos as pessoas continuaram jogando eles, seja qual for a tecnologia da época deles que vai emular esses sistemas, os consoles fisicamente falando não vão durar mesmo, eles se perdem com o tempo e se danificam, mas será que os jogos vão sobreviver, assim como acontece com o Xadrez que resiste ao tempo ou com o cinema, que mesmo sendo bem antigo vai adotando as tecnologias da cada geração?

O “fazer filme” e “assistir filme” são coisas que nunca deixaram de existir, e provavelmente nunca deixarão. É claro que o ato de jogar jogos eletrônicos não vai acabar, isso nem está em discussão. Mas, e os consoles antigos?

É fato que a maioria das pessoas que jogam consoles antigos hoje em dia, seja no console original, seja por emulador, são exatamente as pessoas que conheceram eles durante suas vidas, são jogos que foram contemporâneos desses jogadores em algum momento de sua infância ou juventude. Será que daqui 250 anos jovens vão jogar Super Mario Bros 3 de Nintendo em algum emulador futurista?

Alguém consegue imaginar um mundo onde Mickey Mouse ou o Superman sejam completamente meros desconhecidos de um passado distante?

Pode acontecer, mas acho difícil. A história mostra que quase tudo que produzimos é um requentado do passado com um toque de criatividade do presente. Isso acontece em tudo, nas artes na literatura e até na ciência. Nada sai do zero para se tornar um ícone. É o que chamamos de inspiração ou influência.

O que eu quero dizer é que os caminhos que levam ou que podem levar pessoas de um futuro distante a continuar jogando e conhecendo esses consoles inicias são vários. São caminhos indiretos é bem verdade mas eles existem.

Isso responde a pergunta inicial com um sim! As pessoas daqui 120 ou 150 anos ainda vão jogar coisas de um passado extremamente distante a elas, simplesmente porque este passado está ligado de alguma forma aos jogos que estas pessoas consomem na atualidade. Eu não acredito que os jogos antigos vão desaparecer junto com as pessoas que viveram a época deles. Espero que não.

Vai chegar um dia que ninguém vai saber o que era jogar em fliperamas, alugar na Sexta para devolver na Segunda ou ir a uma banca para buscar um detonado na Ação Games e muito menos saber a sensação de assoprar uma fita para que ela voltasse a funcionar no clone de Nintendo que insistia em não “rodar” o jogo.

O jogos antigos são eternos, mas nós, “das antigas”, não.

6 comentários:

  1. Gostei do questionamento! Nunca parei pra pensar nisso!
    Eu acho que games antigos não morrem nunca, mas as plataformas em si vão ficar cada vez mais escassas, principalmente as de discos como mídia física e outras que possuem algum outro tipo de situação que deixe o console frágil (pode ser até o controle, por mais ridículo que isso seja).
    No mais, emulação sempre vai levantar curiosidade. Virtual Console e outras formas de coletâneas sempre vão existir, hj mesmo li um artigo sobre preservação de história dos games, que um cara que trabalhava com isso de forma, digamos, ilegal foi chamado para auxiliar a Capcom a restaurar alguns jogos para lançar na coletânea que tão prometendo (ou que saiu, não me recordo agora).
    Isso tudo é o que eu acho, né? Posso estar muito enganado! haha
    O que vai sumir daí é a nostalgia. Acho que serão raras as crianças nascidas daqui 200 anos que vão querer jogar 8 bits, infelizmente. Os pais e avós não vão conseguir influenciar mais, esses videogames talvez não sejam nostalgia nem para eles mais. Uma pena...
    Meu questionamento aqui: será que os sites de jogos antigos de pessoas que vivenciaram a época (NÓS) ainda vão estar no ar e as pessoas vão acessar? hahaha... pô, eu quero o Gamer Caduco vitalício, mas vai saber...
    Agora, sobre o sentido literal de “assoprador de cartuchos”, isso aí é meio relativo. DS/3DS usam cartuchos, Switch usa cartuchos... não que eles precisem ser soprados, mas vai saber o que o futuro nos reserva? Pode não fazer sentido agora, tecnologicamente falando. Mas e se de repente daqui 200 anos fizer sentido? O duro é que a gente não vai estar vivo pra ver e discutir isso... kkkkkkkkkkkkkkk
    Gostei muito do texto, eu só vou parar de escrever aqui pq senão esse comentário será maior que o post! Eu me empolgo fácil! huahuahuahu
    E eu acho que o último assoprador de fitas da época será mulher! Certeza! Tem alguém em algum canto do Japão que vai viver até os 158 anos (eu gosto de cometer esse tipo de exagero, foi mal) e que jogou Nintendinho! hahaha
    Muito bom, Ulisses!

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    1. Essa coisa de preservação difital é fundamental mesmo Cadu! Acho que a nostalgia de época vai acabar mesmo tem razão, comno é possível ser nostálgico de um tempo que não viveu?
      Bem pensado cadu, provavelmente teremos alguém no Japão que será o último. nada mais justo. A terra dos games!
      Obrigado pelo comentário Cadu, que bom que gostou!

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  2. a realidade virtual vai mudar tudo que já vimos. ninguém vai querer olhar para uma tela quando poderia estar dentro dela.
    abç

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    1. Em relação aos games eu discordo totalmente Scant. Mas entendo que a VR pode sim revolucionar o setor, porém sou cético devido ao histórico de fracassos que a mesma possui em relação aos games. As pessoas ao que parece, rejeitam o VR como rejeitou o 3D. Exceto em cinemas e tal, mas aí é um serviço e não um produto para levar para a sala.
      Abração Scant!

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  3. Acho que um paralelo a isso seriam os simuladores e aparelhos de diversão eletrônica predecessores aos arcades que passaram a ter a sua interface centrada na tela.

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    1. A forma como a tecnologia evolui muda muito em certo sentido e as vezes é apenas atualização. Acho que ainda vai demorar a gente ter uma grande mudança de paradigma nos games.
      Abraço Doc!

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