Medal Of Honor: Playstation


Observação:

As imagens do post receberam um leve aumento de contraste porque o game é um pouco escuro e não possui um medidor de brilho nas opções, como acontece em alguns jogos do Playstation.

Clima. Essa é a palavra que define o jogo logo de cara, antes mesmo de jogar. Toda ambientação de Medal of Honor é analógica, claro, uma imitação do mundo analógico dos anos 40 da Segunda Guerra Mundial.

As telas de password, fases, options tudo é pensado para se adequar a um QG americano daqueles tempos. É um “filtro de época” perfeito.

Isso já te coloca no clima do jogo. Um jogo que na sua movimentação básica não usa os analógicos, é possível usar, mas todos os comandos “cabem” direitinho no controle original, e eu prefiro usar o D-pad ao analógico, pelo menos neste jogo, e mesmo assim, tudo flui muito bem e todos os comandos ficam na medida para se posicionar e atirar.

O direcional movimenta frente, trás, e olha para os lados. Os botões de ombro superiores andam para esquerda e direita e os inferiores para se abaixar e posicionar a mira, quando necessário um ajuste mais preciso do tiro. E se você manter a mira pressionada e apertar “L” ou “R”, damos uma inclinadinha para o lado, um movimento ótimo para fazer aquele cover muitas vezes salvador. Pronto, só isso, e ficou muito bom.

Eu não joguei Medal of Honor lá na época dele, sei lá o motivo, acabou passando, mas eu fico imaginando a descoberta e entusiasmo do pessoal do Playstation se divertindo com coisas que apenas o 3D pode oferecer com maestria, como por exemplo essa interatividade com personagens, ver suas reações e “sentimentos” com mais, digamos… realidade.

Por exemplo. Os soldados são sensíveis em várias partes do corpo. Um tiro no pé… e ele começa a pular, um na cabeça, é um adeus. Sem falar que podemos atirar nos braços e pernas. As reações vão desde a queda cinematográfica do corpo contorcendo indo ao chão e ao mesmo tempo em que o dedo ainda preso no gatilho faz a metralhadora atirar sem rumo até o corpo atingir o chão. Como em um filme.

O padrão de ataque dos soldados também muda, o que pode te pegar de surpresa! Principalmente se a gente repete o mesmo trajeto após perder uma vida, o reinício quase nunca é igual. Mas falando em reinício, uma coisa que não gostei é que ao apertar o pause, não temos a opção de reiniciar a missão, apenas sair ou continuar.

O fundo musical orquestrado é ativo e em momentos de ação, ou mais ação, a música “reage” com timbres mais intensos, também como se fosse em um filme.

É um jogo climático por excelência, e quem tiver algum problema com gráficos quadradões, que eu adoro diga-se de passagem, não precisa se preocupar. Todos os elementos do game em ação fazem com que o jogador acredite nas cenas, os inimigos são críveis, a inteligência artificial é muito boa, o trabalho de pesquisa histórica da Eletronic Arts é sublime, enfim, com tanta coisa agindo ao mesmo tempo, em poucos minutos de gameplay o que era quadrado passa a ser redondo, suave, real. E se mesmo assim você não gostar do jogo porque ele é “quadradão”, aí eu desisto.














Só tem uma coisa que não me convenceu… a lua. A lua em Medal Of Honor é vergonhosamente retangular, ou quase isso. Mas tirando a lua, o resto passa batido e a emoção de estar na pele de um soldado tentando derrotar as forças do mal, as forças de Hitler, é garantida! Só não olhe para o céu, é brochante.

Durante as transições de missões aparecem imagens reais do conflito, e nosso superior direto nos dá ordens passando slides em uma parede, como se a gente fosse um “007 das antigas”, com direito a fotos aéreas do terreno alemão e coisas militares do tipo. Clima… sempre o clima de estar em tempos de guerra.

Nos extras temos a parte artística do jogo, dos personagens e telas in game. No total temos a dimensão do imenso trabalho de pesquisa que o jogo possui. Mas apesar de tudo isso, o game é “arcade”, isto é, é possível ignorar tudo e se concentrar apenas nas missões, que vão desde a força bruta de usar rifles e granadas, até a parte mais sutil, como as missões de espionagem e sabotagem. E é por isso que Medal of Honor é legal, ele muda constantemente os objetivos sem deixá-lo chato ou monótono.

A reconstrução de locais e esconderijos nazistas são o ponto forte da Eletronic Arts, e da Dream Works, além disso cada fase, cada missão, vai exigindo aos poucos mais habilidades que devemos entender para prosseguir. Eu não sou e nunca fui bom em jogos de tiro em primeira pessoa, logo eu sofro até entender o que a pessoa que desenvolveu aquele desafio quer do jogador, se a gente não entender isso… simplesmente trava e não passa.

Há momentos que devemos usar granadas, em outros, é imprescindível ir devagar e usar os elementos de cena como caixas e blocos de concreto como escudo para poder mirar e prosseguir. É muito satisfatório entender essas coisas e depois perceber que uma fase “impossível”, se torna rapidamente fácil se, e somente se, a gente entender o que deve ser feito para não virar presa fácil.

A dificuldade é gradativa, mas fica evidente uma mudança após fazer 55% de jogo. As fases ficam mais longas e os inimigos ficam mais agressivos. Em geral eu gosto mais dos mapas de ação fechados, como usinas e instalações do que em mapas abertos. Em mapas abertos é mais difícil encurralar os nazistas e também existe a possibilidade de enfrentar artilharia muito forte, como aquelas metralhadoras fixas com um eixo móvel de alta potência.

Dificuldade aqui também pode ser entendida como inteligência. Os nazistas mais bem preparados estão após 70% do jogo. Não é uma questão de força bruta, acredite, os caras ficam muito mais profissionais. Eles se esquivam de balas, dando um passinho de lado, te recebem jogando granadas de forma bem precisa e sentem a nossa presença como se fossem malditos ninjas à serviço do Führer. Sem falar que tanto eu quanto eles, possuímos nesta fase, bazzokas de mão. As vezes você está todo feliz com 99,999% de energia… e um cara lá do fundo, na margem escura que o Playstation não consegue renderizar, solta um singelo tiro de bazooka, e morremos.

Outro fator interessante é que lutamos sozinhos, em operações pontuais de sabotagem ou ataque direto a locais para roubo de informações ou destruição de armamentos estratégicos. Em Medal of Honor nós não estamos repleto de companheiros em cenário de guerra, não, aqui neste game somos quase como… “ninjas” americanos em plena Segunda Guerra fazendo missões furtivas, e eu adorei isso! De certa forma a comparação com ninjas faz jus, pois lutamos necessariamente à noite, em operações silenciosas que só ficam barulhentas quando nossa espada, digo, rifle, começa a soar.

Como eu disse antes o gráfico não é belo mas com o decorrer do jogo a gente se acostuma. Por outro lado a mecânica e movimentação estão boas e o principal, os objetivos que cada missão nos dá é sempre diferente um do outro, quase me senti em uma gincana! É tudo bem distribuído para que mesmo sendo difícil, seja prazeroso vencer cada pedaço da game, que é salvo no final de cada missão.

Em certo sentido Medal Of Honor tem uma pegada de 007. Não existe monotonia de cenários. Ora estamos em uma estrada de terra rodeada de árvores, ora estamos dentro de um submarino alemão e até mesmo dentro de bueiros nojentos para obter acesso a outros lugares, isso para jogadores como eu, que se entediam fácil com jogos de tiro, foi fundamental para prender a minha atenção. Por isso eu senti um “q” de 007, e gostei disso também.

Medal Of Honor acerta em quase tudo a que se propõe. Um jogo que nasceu para se tornar franquia, nasceu clássico.


Comentários

  1. Como diz aquele pagode desgraçado que fica na cabeça: Lua quadrada vai alumeiar os pensamento tudo dela.

    Eu detesto Medal of Homer, então não vou falar muito sobre... Reconheço ser grande jogo e mimimi, mas não gosto... huahuahua.
    Não consigo gostar de jogo de tiro em primeira pessoa com temática de guerra...

    Bom, é isso. Não me odeie! Kkkk

    Ainda assim gostei do texto!

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    1. Vou confessar Cadu, acho que até já disse isso. Eu sou muito ruim em jogos de tiro. Eu gosto, mas não tenho o jeito pra coisa. Eu sofri para zerar Medal Of Honor, que é um jogo fácil. Eu sofri pra zerar aquele do N64, o Winback, belo jogo mas deu trabalho. É o tipo de jogo que eu preciso de mais tempo para me adaptar, mas gosto.
      Ah! rapaz a lua quadrada foi foda kkkkkkk e olha que eu adoro jogos quadradões!
      Pagode? Putz eu não gosto de pagode mas até que essa é bonitinha. ^_^
      Obrigado Cadu!

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  2. Eu joguei muito no PS1, tanto esse quando o Underground, mas eu jogava mais o modo versus, nem lembro se cheguei a zerar a campanha.

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    1. O PS1 marcou muita gente Duran. Eu lembro que o que mais joguei na fase PS1 foram games de futebol, Resident, Lara, Croc, e os jogos de luta, sempre interessantes!
      Abração Duran!

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  3. Ao contrário do Cadu, eu adoro Medal of Honor! :)
    Principalmente os dois primeiros.. Joguei na época e algum tempinho atrás resolvi me aventurar novamente no primeiro! A primeira coisa que se estranha um pouco é a jogabilidade, mas nada crítico, com pouco tempo já acostuma e é só alegria, pois esse jogo ainda é ótimo!

    E sobre a lua, juro que nunca tinha reparado nela! rsrsrs

    Ótimo texto! Abraço.

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    1. Repare na lua... kkkkkkkk mas ela não tira o brilho do jogo. E de fato, a jogabilidade pode parecer estranha no início, principalmente se for jogar hoje, mas acostuma fácil. Eu sou ruim em jogos de tiro assim e consegui jogar tranquilo.
      É uma delícia voltar a jogar esses mega clássicos, eu tenho pena do pessoal que não faz isso porque o "gráfico tá ruim", até porque quando o jogo é bom a gente vai fazendo uma "acomodação visual" e nem repara mais se a lua é quadrada ou não. ^_^
      Grande abraço Felipe, obrigado por comentar por aqui!

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