sexta-feira, 2 de junho de 2017

O Atraso Das Pilhas


Quando eu era criança no início dos anos 80, eu andava no supermercado com a mão dada com minha mamãe. Já com meus 6 anos, as pilhas, as “amarelinhas” já eram um produto de desejo. Afinal, muitos brinquedos da Estrela ou da Glasslite eram movidos à pilhas.

Um garoto dos anos 80 rapidamente passa a respeitar um par de pilhas da mesma forma que um homem adulto respeita o dinheiro.

O tempo passa. Tudo muda. E quase 40 anos depois, minha mãe agora é uma senhora aposentada, eu possuo vários cabelos brancos, e a oportunidade de entrar em um supermercado se repete.

Eu entro em um supermercado com a minha mamãe, que agora chamo apenas de mãe, para não passar vergonha em público, e também não fico de mão dada com ela pelo mesmo motivo. E porque já sou grandinho. Até isso mudou. Mas tem algo que não muda, nunca muda. As pilhas!


Ao ver uma cartela em destaque em um expositor, cintilando sua potência e durabilidade por ser alcalina (tecnologia dos anos 70), eu sinto um frio na barriga. Uma mistura de medo, nostalgia e susto! Como é possível ter algo assim nas prateleiras do século XXI?

Papel higiênico também existia, livros garfos e facas idem… assim como pasta de dentes sempre prometendo um maldito “branco mais branco”, competindo com os sabões em pó. Mas meus amigos… estou falando de pilhas, um produto de tecnologia.

Eu não consigo imaginar um produto de tecnologia que tenha se estagnado desde os anos 80. Tudo mudou! Calculadoras, computadores, TV de tubo, formas de pagamento… tudo, exceto as malditas pilhas!

Quando os primeiros mp3 players começaram a surgir via Paraguai nos anos 2000, eu fiquei muito esperançoso. Enfim esses aparelhinhos tinham baterias internas recarregáveis via USB, adeus “amarelhinhas”, adeus pilhas AA…

Aconteceu o oposto. Quase como um serial killer que nunca morre nos filmes “B”, as pilhas se renovam feito zumbis que andam lentamente mas alcançam todos os nossos medos. Elas voltaram, antes eram AA, agora ganharam um caractere a mais para nos aterrorizar, agora elas são AAA. Grande diferença!

40 anos de evolução, pesquisa e desenvolvimento e o que temos? Nada! As pilhas apenas ficaram mais finas ao invés de sumirem.

Energia. Esse é o Calcanhar de Aquiles da tecnologia… energia.

Pilhas são caras, ocupam espaço, pesam, gastam rápido dependendo do aparelho, se perdem, vazam. Pilhas são um monumento de vergonha à Engenharia Elétrica e Química, e a todo cientista de tecnologia do mundo. É um exemplo de atraso. De velho. De estagnação. De retrógrado. E mesmo assim…

Mesmo assim um jogador estufa o peito, se orgulha por viver no futuro. Se orgulha por ter um console de última geração com gráficos superiores à realidade… foda-se a realidade, nós temos jogos perfeitos.

E este jogador, orgulhoso de sua época e de seus jogos, que cospe em tudo que for 2D, ridiculariza jogos pixelizados ou esnoba qualquer game que não tenha um padrão gráfico digno de cinema, este jogador quando vai usufruir das maravilhas tecnológicas de sua tecnologia de ponta… comete um ato falho.

Ele abre um pacote de pilhas recarregáveis (Oh! Recarregáveis, fiquei molhadinho!), e coloca no seu controle, que parece não fazer parte do console. Destoa sua tecnologia a base de pilhas dos anos 80 com a do console com gráficos supremos. O que deu errado jogador?

Alguns jogadores atuais são demais! Seu smartphone é foda, seus amigos são conectados, sua música é por streaming, seus arquivos estão na nuvem e seu sabonete é Protex que mata 99,9% das bactérias (citação não patrocinada). E mesmo assim você usa pilhas fera? Mas pilhas não são coisa de retrogamer velho, e gente retrógrada que tem medo do futuro e de coisas novas?

O cara que defende o uso de pilhas em um console moderno me parece um motorista que defende abastecer uma Ferrari com lenha e carvão. Ou, dar corda em um PC Gamer para fazê-lo funcionar.



Super Destaque!

Eu respeito quem usa. Mas não entendo a escolha. Quando é uma escolha.


Infelizmente ainda não conseguimos nos livrar das pilhas. Seria um problema tecnológico e científico ou seria algum super lobby do setor de energia?

Não quero saber, nem vou entrar no mérito. Mas uma coisa é certa. Pilhas são um atraso que nem minha mãe usa mais. Exceto no relógio de cozinha da parede.

10 comentários:

  1. Uso recarregáveis da sony, mas acho uma pena que todos os aparelhos sejam recarregáveis como o celular.

    No passado era muito pior.

    Abc

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    1. Com certeza Scant! Hoje temos vários produtos com energias ora de pilhas ora de lítio etc, antes ou era as bolachonas... ou nada. Lembro que eu tinha um rádio enorme que ia umas 9 pilhas grandes kkkkkk o bicho pesava quase como um botijão de gás.
      Abração Scant!

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  2. Cara, que bronca com pilhas... vc que fica aí jogando coisa véia agora quer ficar reclamando de coisa véia? Assim não pode, assim não dá! kkkkkkkk
    O pior é que eu nem posso discordar do texto... mas ainda bem que existem as recarregáveis, viu? Por mais que seja péssimo, que seja uma gambiarra para adaptação para tempos mais modernos, ainda bem que pelo menos isso existe. Eu ainda acho que pilha é tipo gasolina e derivados do petróleo... já tem uma pá de coisa que dá pra substituir essas fontes de energia para diversos tipos de equipamento, mas vai tentar tirar a poderosa indústria das pilhas aí do mercado? Aparece aqueles atiradores de elite descendo do teto pra te abduzir e levar pra sabe-se lá onde. Melhor deixar pra lá viu... kkkkkkkkkk
    Muito bom, me diverti com o texto, Ulisses! Juro que se eu pudesse eu tiraria as pilhas do mercado... só aquele cara do Polegar que não vai gostar, mas enfim...

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    1. Putz Cadu, mas jogo veio é jogo bom, as pilhas...
      Eu concordo que a coisa melhorou com os carregadores, aliás qualquer coisa que nos ajude a se afastar das pilhas eu aceito.
      Cadu você por querer ou sem querer destruiu meu argumento da Ferrari. Ora, se a Ferrari usa gasolina, ela também usa energia retrógrada, eu citar lenha ou carvão foi um furo. Esse argumento você destruiu, não vou usar mais. Não pensei na questão dos derivados de petróleo. Muito bem lembrado!
      É melhor não mexer com esse pessoal das pilhas kkkkkk nem com o Polegar. :)
      Grande abraço Cadu!

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  3. Depois de torrar muita grana com pilhas pra alimentar aparelhos portáteis comprei um carregador e por um bom tempo não tive mais problemas com isso. É uma tecnologia bem chata, porque dependendo do aparelho você terá que torrar uma grana constante comprando a benditas(ou seriam malditas?) pilhas.

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    1. Verdade Doc. É tipo um aluguel que você paga de certo modo. É um gasto mensal, dependendo do aparelho e seu consumo, que você tem que fazer para poder usar.
      O carregador é uma maravilha, tirou um pouco o peso e dependência que a gente tinha das pilhas, que mesmo alcalinas, não duravam tanto e não duram, dependendo do aparelho.
      Você me lembrou de outra coisa. O tempo! O tempo de espera para carregar as benditas kkkkkkkkkkk mais essa!
      Abração Doc!

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  4. Fala Ulisses, esse são os contrastes dos tempos modernos né? Eu tenho um exemplo clássico, vai em qualquer loja que venda um TV de 90 polegadas, Ultra 4K, com internet, reconhecimento de voz, facial e tudo mis e olhe veja o controle dela... adivinha? Tem que colocar pilha!
    Existe sim um problema nessa tecnologia e também acredito que empresarial mercadológico nisso... as empresas de pilhas pagam para que esse produtos possuam isso e nós consumidores continuemos utilizando elas.

    Se contar que ecologicamente as pilhas são uma BOMBA para o planeta. http://www.ecoharmonia.com/2012/01/pilhas-e-baterias-danos-ao-meio.html

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    1. Taí, mais um argumento. O ambiental! Valeu Ivo, bem lembrado. O lance dos controles remotos é bem isso que você falou, mas eu até pego mais leve neste caso porque em geral a pilha dura bastante, tipo no relógio de cozinha. Mas em aparelhos que possuem um consumo maior como controles de videogame, eu acho um absurdo! kkkkkkkk
      Abração Ivo!

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  5. Realmente, as pilhas são estranhamente persistentes. Sabe Ulisses, nunca parei para pensar por esse lado e você está certo. O fato de termos à disposição pilhas recarregáveis seria pelo menos um alento, uma espécie de situação "menos pior", se elas não fossem tão caras. E as opções mais em conta frequentemente deixam a gente na mão... fica difícil assim.

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    1. Veja por exemplo nos controles de games. É engraçado você usar um videogame de 2017 e ter que abrir uma cápsula debaixo do controle da mesma forma que a gente fazia com carrinhos de controle remoto dos anos 80! ^_^
      Abração Lucas!

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