sábado, 23 de setembro de 2017

Berzerk: Vectrex


O Vectrex é algo diferente. Se tem uma palavra para definir o Vectrex essa palavra é definitivamente diferente. Ele possui uma estrutura física e tecnológica bem “fora da curva” dos consoles dos anos 80. Começando pelo fato dele ser um portátil, já que possui embutido nele console tela e controles. Você pode jogar com os controles com fios, mas o Vectrex é um todo coeso e não pode ser ligado em uma TV. É estranho porque não é um handheld, no sentido de poder levar no bolso. Por outro lado não é um console separado que precisa de uma TV. Se bem que um Game Gear dificilmente caberia em um bolso mas...a questão é. Independente de qualquer tentativa de definição o Vectrex é muito grande para ser um portátil e muito pequeno para ser um console. Ele se parece muito com o jeitão do Apple Macintosh de 1984. O Vectrex é de 1982.



Falando da tecnologia dele, chegamos ao nome. Vectrex. O console faz gráficos baseados em vetores, algo bem diferente dos consoles de pixels que estavam na concorrência. O vetor é como se fosse uma linha contínua de elétrons na tela gerada por uma equação matemática. Eu falo que é um console que gera gráficos de “arames luminosos”, “pauzinhos”. Os pixels são por outro lado formados por quadradinhos, bolinhas coloridas. Veja na imagem a letra “A” formada por pixels e por vetor.




Mas e o jogo? Antes de falar do jogo e já entrando nele, temos a última e decisiva característica do console. O overlay. O overlay é um pedaço de plástico que cobre toda a tela do Vectrex para definir não só cores como também faz um complemento ou até mesmo a construção de toda a parte gráfica da fase. Veja abaixo o Berzerk com e sem overlay.


Berzerk é um jogo de sobrevivência. É a luta dos homens contra a máquina. O personagem surge em uma tela formada por paredes labirínticas, todas eletrificadas, são letais. Os labirintos estão cheios, repletos de robôs que estão programados para te destruir. Você pode atirar mas o tiro só sai se você estiver empurrando o direcional para o lado do tiro. Só apertar o botão de ação nada acontece, é preciso mostrar o sentido empurrando o direcional.

Ao atirar você trava, por isso correr e atirar não é uma opção. Ou você corre ou atira. O lado bom é que as paredes destroem os robôs também, todos estão sujeitos à física do jogo e eles, pelo menos alguns deles são bem tontos e colidem entre si e nas paredes. Seja como for o ponto é seu. Atirou neles e acertou. 50 pontos. Se eles se destroem, os pontos vão para você do mesmo jeito. Ao destruir todos os robôs da tela você ganha um bônus de 10 pontos por inimigo destruído. Isso acontece porque é aleatório. Tem telas com 2, 4 ou 8 robôs. Aleatório também é o desenho das fases. O objetivo é sobreviver cada tela e passar de uma entrada para a outra. Não é obrigatório destruir a todos, mas como a cada 5.000 pontos temos uma vida, vale à pena partir para a ação!


Berzerk é um clássico dos arcades. Ficou famoso pela grande quantidade de falas digitalizadas que trouxe. A frase clássica “Intruder Alert!” é inesquecível entre tantas outras falas que o arcade reproduz. As comparações neste caso são inevitáveis. A versão de arcade é de 1980. Atari e Vectrex, de 1982. No arcade e no Atari eu achei o gameplay mais rápido e intenso. No Vectrex o port é muito bom, mas como o jogo não possui cores (elas são obtidas pelo overlay) e não possui falas, houve uma perda significativa do tesão de jogar quando se conhece as outras versões. Outra coisa é os tiros, os efeitos dos tiros dos inimigos não existem aqui. Até no Atari tem. Isso deixa o jogo um pouco silencioso, mantendo o ritmo sonoro apenas pelos tiros do humanoide e eventuais colisões nas paredes eletrificadas. Se ficamos parados por algum momento na tela “enrolando”, uma carinha aparece em um dos cantos em sua direção para te destruir. Ela é terrível, passa por tudo, atravessa as paredes e a única opção é… fugir!

Berzerk Arcade

Berzerk Atari 2600

É difícil avaliar um jogo de Vectrex quando existem versões em outras plataformas. Exatamente pelo fato dele ter uma tecnologia diferente. Veja que esta tecnologia não é uma invenção dele. Temos por exemplo Tac Scan da Sega. Um jogo de arcade de 1982 também vetorial mas com uma robustez muito maior. Mais desenhos na tela e o melhor. Em cores! Se o Vectrex conseguisse trazer essa “energia de cores” que o jogo da SEGA trouxe, aí sim eu acho que o console poderia ter tido uma melhor recepção.

Tac Scan SEGA Arcade

O Vectrex possui jogos bons, mas são poucos, biblioteca muito pequena, o console foi quase um “flash” que logo se apagou. Tudo bem que tivemos o problema de mercado em 1983/84, mas mesmo assim consoles como o ColecoVision construíram uma biblioteca fantástica de bons jogos. O problema do Vectrex deve ter sido outro. Eu se estivesse em uma loja de brinquedos em 1983 escolheria um ColecoVision ou um “defasado” Atari, não um Vectrex. O fato dos jogos vetoriais poderem gerar uma ilusão 3D bem legal e bem superior a maioria dos games da época não chega a ser um argumento bom de vendas para uma criança, nada se comparado as opções de cores e sons que até mesmo o Atari de 1977 poderia oferecer.

No caso do Berzerk, eu gostei bastante de jogar, é divertido e apesar das perdas, continua interessante. Principalmente pelo visual que ficou submetido a um padrão gráfico completamente diferente… quantas vezes eu usei esta palavra neste texto? Fazer o quê. O Vectrex é essencialmente isso. Um console difere… ah! Você sabe.

Fonte:
Raster Wikipedia


9 comentários:

  1. realmente um console curioso. um quase portátil para a época.

    lembrou-me esse artigo:

    http://g1.globo.com/al/alagoas/noticia/2013/03/colecionador-de-jogos-eletronicos-reune-videogames-antigos-e-raros.html

    abç!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Caramba, que matéria legal Scant! Esse console russo do Pong eu não conhecia. Valeu mesmo, abração!

      Excluir
  2. Ulisses desapareceu porque achou em algum ferro velho de Gana um Vectrex com Berzerk pra jogar. Achei esse sistema apagado, um daqueles aparelhos com uma "ideia genial" que não levou adiante por ficar nesses ports manjados e ainda abaixo dos jogos originais. Valeria por curiosidade, talvez seja melhor jogar o do fliper. O Vectrex apresenta exclusivos?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Kkkkkkk eu estava preso em território estrangeiro porque não tinha mais dinheiro para voltar, daí tive que fazer uns bicos e pequenos serviços para poder voltar ashuahsushuas. É bem por aí. Ele foi um conceito novo mas eu acho que o tipo de jogos em vetores faziam um bom trabalho nesses títulos de arcades mais primitivos, indo do space invaders, asteroids ou replicando jogos como Berzerk. Mas só pelo fato dele ter que usar um overlay, que nada mais é que um recurso de ajuda externa para dar cores e completar gráficos, isso já prova que ele obviamente tinha limitações que consoles até mais antigos que ele não tinha. Um bom jogo que vou postar em breve é o Cosmic Chasm, Spike ( que tenta ser um tipo de Frost Bite) mas seus jogos são poucos. Não sei se são exclusivos. Acho que o sistema ficou refém da sua biblioteca limitada. O desenho vetorial precisa ser muitíssimo bem trabalhado para "encaixar bem com games", com o jogo da SEGA que citei, mas acho que no geral o Vectrex ficou restrito pela própria tecnologia. Mas sim, dá pra se divertir com ele.
      Valeu Doc!

      Excluir
    2. Poucos lugares falam de aparelhos anteriores ao NES tirando o Atari. É muito bom ter um lugar falando dessas máquinas.

      Excluir
    3. Rapaz, tem muita coisa boa de ColecoVision que quero postar aqui.

      Valeu Doc!

      Excluir
  3. Cara, eu já joguei Berzek do Atari, mas faz muito tempo. Esse Verctrex é mesmo um "console" bem diferente, e isso dele parecer defasado se comparado à consoles mais velhos parece ter sido crucial para o fracasso do aparelho.
    Seu texto está ótimo como sempre, parabéns.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu sou suspeito para falar mas sem dúvidas a versão do Atari é muito boa. Os jogos no Atari em geral tinham uma consistência maravilhosa. Até mesmo os ports, como o exemplo do Jungle Hunt, eu gosto mais do Atari. Mesmo que o Vectrex fosse tão bom quanto um ColecoVision, essa proposta de "monitor incluso" não tinha como dar certo. Por exemplo. Uma reportagem da Time sobre games de 1982 sobre games mostra o entusiasmo dos jogadores com uma tela de projeção gigantesca projetando as imagens do Intellivision. Mesmo quando eu era criança o tamanho da tela era crucial, no meu tempo quem tinha uma 20` pol em cores, era o máximo. O caso específico dos portáteis como o Game & Watch, Game Boy etc... é outro assunto.
      Grande abraço Daniel, obrigado!

      Excluir
    2. Eu também gosto muito das versões do Atari dos Arcades da época. Exatamente, a opção de ligar um dispositivo na TV foi a grande sacada do Vídeo Game, e esse monitor embutido no Vectrex foi um erro enorme, pois esse monitor dele acabava piorando o visual dos jogos por ser muito simples. TV colorida de 20' era um sonho mesmo, ainda mais ter uma no quarto no inicio dos anos 90. haha
      Abraço

      Excluir