terça-feira, 17 de outubro de 2017

Countermeasure: Atari 5200


Os Estados Unidos desde a guerra fria está entupido de bombas e mísseis nucleares. Esses mísseis ficam em buracos cilíndricos que chamamos de silos e a qualquer momento esses silos podem se abrir para fazer valer a força de um Estado contra outro Estado. Geralmente o ideal é mostrar o tamanho do pau, mas não usá-lo.

Nações conseguem até certo ponto um nível mínimo de sanidade e precaução para que o uso de armas nucleares não seja algo banal e que guerras não despontem do nada. Mas e os terroristas? Em Countermeasure este é o nosso problema. Terroristas conseguiram dominar não apenas um silo, mas um complexo inteiro de silos dos EUA, e apertaram o botão do “foda-se” para lançar uma chuva de bombas sobre Washington D.C. E é aí que precisamos agir para destruir todos estes silos antes do tempo regressivo se esgotar.





O manual fala em 10 minutos e realmente temos o 10:00 na tela, mas é apenas alegórico pois os segundos passam com uma velocidade maior. Se destruirmos os silos dentro do tempo, salvamos a fase e passamos para outro nível, do contrário, é o fim. O cenário é o seguinte. Temos um tanque e devemos destruir os silos na tela que estão protegidos por canhões. O legal é que estes canhões giram sempre em sentido horário e podemos ter uma noção de quando vamos receber os tiros. Podemos atirar em todas as direções. O nosso canhão se movimenta de forma independente do carro que o conduz, quer dizer, é possível andar e girar a mira simultaneamente.



Um botão atira, o outro libera o movimento do canhão. O controle do Atari 5200 possui 2 botões de ação, um “pause” um “start” e um “reset” na parte superior e mais um teclado numérico de 0 a 9 com os caracteres “*” e “#” que podem ter alguma função. Em Countermeasure temos um overlay que é bem simples. Os botões 1-2-3, são respectivamente as letras L-E-O. Quando o tempo acaba e não conseguimos destruir todos os silos temos uma última chance de salvar os EUA. Neste caso temos que encostar em um dos silos para acessar a tela de mísseis, como o tempo já estourou, cada silo que antes era nosso alvo, agora é uma bomba em potencial, temos que tocá-lo e não destruí-lo, do contrário, game over.


Ao tocar o silo uma belíssima tela aparece com o mapa mundi centrado em Washington e 4 linhas de mísseis começam a se mover até o ponto de impacto. Um efeito sonoro sensacional aparece dando sensação de desespero e medo e com tudo isso acontecendo podemos apertar aleatoriamente nos botões 1-2-3 para escrever a senha que desarma os mísseis. Portanto podemos escrever LEO, OOL, LLL, OEE etc até acetar a senha que desativa a cagada toda.

Parece difícil mas é aí que o game apresenta outra característica de gameplay muito divertida. Na tela o nosso tanque pode se movimentar e atirar livremente, mas consome gasolina, que fica marcada como uma faixa na parte inferior da tela. Assim como em River Raid, temos que recarregar o tanque do tanque (sic), do contrário, o tanque explode e perdemos uma vida. Existem reservas de combustíveis espelhadas pela tela estrategicamente protegidas. Olha só que legal, ao tocar essas reservas e recuperar a barra de gasolina, também recebemos uma “dica” da senha que desarma os mísseis. Apenas um caractere, e como é randômico, existe repetição, dificilmente vamos receber as 3 letras, por exemplo: * * L ou O * * ou * L *. O bom é que sabemos a localização correta. O ideal é não precisar usar a senha e destruirmos todos os silos antes do tempo esgotar.

Se ao invés de destruir, a gente encostar neles, a tela do mapa mundi aparece, sabendo ou não da senha, devemos desativar o problema. E isso acontece a qualquer momento no jogo. Só encoste nos silos se o tempo estiver esgotado. O ideal é destruir todos eles antes. Quando sabemos pelo menos um caractere a coisa fica bem mais fácil. Se tudo der certo, 10.000 pontos, seja pela destruição total de silos ou seja pela desativação dos mísseis.


A parte gráfica e os efeitos sonoros do game me remetem aos computadores antigos lá dos anos 80. Com aquele som característico do alto falante interno bem antes das placas de som e kit´s multimedia. Aliás o emulador que uso é o mesmo que emula os outros computadores da Atari, como o 400XL, 800XL ou o console esquisitão que não sabia se era computador ou videogame, o XEGS. Vou fazer um post com dicas deste emulador, em breve.

Quando a gente vê aquela caveira indicando o game over com o sucesso dos terroristas não dá para não lembrar de filmes como Jogos de Guerra, que tratava exatamente deste tema mas com a guerra fria no foco e não terroristas. Embora a tela esteja repleta de obstáculos, podemos passar por cima de tudo, afinal de contas temos um super tanque de guerra. Mas a velocidade varia em 3 níveis indo do normal, lento e lentíssimo, dependendo por onde passamos. Obviamente o ideal é o campo livre.

As fases não são grandes, mesmo assim vai demorar um pouco para chegar até "lá em cima". Muitos obstáculos estão pelo caminho como casas, árvores e terrenos diversos que vão reduzir sua velocidade. É preciso ter paciência e ficar longe da linha de tiro das sentinelas que estão nas mãos dos terroristas. Muitas vezes você sabe o que fazer, mas precisa sempre reagir com antecedência, isto é, agir prevendo ações para poder se safar. É quase como uma mosca tentando se desfazer das teias antes que a aranha chegue. Seu tanque é poderoso mas não pode correr livremente, e isso cria uma cadência e uma sensação de perigo altíssimas.



Depois da fase "0" (podemos escolher em que nível jogar, indo de 0 a 9), outro inimigo é mais constante. Um míssil teleguiado que voa contra seu tanque. Ele é tão rápido que não há nada a fazer a não ser parar tudo e girar o canhão na direção dele e atirar. Se der tempo é 1000 pontos!

O que eu gostei de Countermeasure é a sua dinâmica e seus objetivos simples com transições de tela à moda dos computadores antigos. Um jogo muito divertido e climático. É claro que na verdade os "terroristas" são a União Soviética, mas talvez para evitar problemas ou alguma tensão, o jogo ficou assim mesmo. Embora fosse muito mais crível um ataque dos soviéticos do que terroristas nos anos 80, mesmo assim o jogo ficou muito bom. Sorte dos proprietários de Atari 5200 que puderam jogar Countermeasure em pleno 1982.


8 comentários:

  1. Mais um sistema obscuro desenterrado! O blog tá cada vez melhor. Em questão técnica qual é a diferença dele pro 2600? Não me pareceu tanta que justificasse comprá-lo na época. Ele ainda explora bem a questão imaginativa pra poder saltar o obstáculo das limitações no hardware.

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    1. O 5200 é um mistério em si mesmo, Doc. Digo isso por 2 motivos. 1 porque ele nasceu no olho do furacão dos problemas que a Atari logo viria a ter e 2... porque ele não teve tempo de desenvolver sua vida útil e portanto a gente não tem um histórico para criticar o produto com mais propriedade. Em 82 o 2600 era a opção mais barata e atraente mas eu acho que o melhor sistema mesmo era o ColecoVision daquela geração, mas quem optou por um 5200 levou um excelente console pra casa mas que infelizmente não teve continuidade. Diante de tudo isso as questões técnicas em si são irrelevantes para avaliar um sistema "perdido". Obrigado, Doc. É sempre um prazer ter você aqui acompanhando o blog, abração.

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  2. Pô, excelente trabalho Ulisses! Eu sempre via você participando nos comentários do N64 Brasil mas descobri seu blog só há pouco tempo. Estou curtindo pakas as matérias que você tem escrito, há sempre um jogo ou plataforma que eu jamais ouviria falar por outros meios. É isso aí! Sucesso e vida longa ao blog!!

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    1. Obrigado, José. Existem tantos jogos disponíveis que mesmo que alguém resolva falar só dos clássicos, mesmo assim vai demorar muito para esgotar todos os títulos e plataformas. Essa é a riqueza dos videogames. Grande abraço e continue acompanhando o blog, valeu mesmo.

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  3. lembra-me algo como protocolos do pentágono americano para ataques terroristas. Taí um jogo didático para militares.

    abç!

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    1. É a ironia das coisas, Scant. O videogame nasceu da Matemática aplicada para fins militares, é como se o 5200 estivesse voltando às origens. Valeu pela visita, Scant.

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  4. Olha, te garanto que no lançamento eu era praticamente um recém nascido e eu não joguei isso aí não... e nem com a idade atual, algo próximo de 196 anos.
    Mas eu curti todo esquema do jogo, ele me pareceu de certa forma um Missile Command melhorado, com alguma ideia mínima do River Raid que vc citou e outros jogos do 2600 (e talvez PC).
    Só não saquei uma coisa: o jogo tem fim? Ou é estágio ficando cada vez mais complexo e acúmulo de score?
    Muito bacana o texto!

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    1. Se eu não me engano são 10 níveis de dificuldade, passou de fase passou de dificuldade, mas eu não passei, isto é, não desativei os mísseis do último level. Acho que é somar pontos apenas porque toda a história de interceptação para salvar os USA se compacta toda em cada level, portanto tudo se repete. Estigma do 2600 no 5200.
      Bem pensado. É um Missel Comand com upgrades, bem isso mesmo. Mas por outro lado também lembra River Raid e Tank do Atari. Grande abraço, Cadu.

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