domingo, 29 de outubro de 2017

Food Fight - Atari 7800


O único, porém icônico console da Atari que realmente fez sucesso foi o Atari 2600. Depois disso, a empresa fez de tudo que era possível fazer para uma empresa dar errado. Investiu em várias linhas de produtos ao mesmo tempo, negou retrocompatibilidade do seu maior sucesso de todos os tempos, algo que veio depois e tarde, insistiu em usar controles numéricos em uma época que ninguém mais pensaria em usar de novo e justamente no console que se dizia a última palavra em tecnologia na face da Terra com inacreditáveis 64 bits, como eles falavam… faça as contas! 64 é maior que 32. E por aí vai. Mas se tem algo que nunca negou fogo e sempre fez o papel de salvar a marca, esse algo é o seu acervo de jogos arcade. Até hoje eles são usados seja para licenciar um produto de preço e qualidade duvidosa, ou seja para dar esperança que um novo dia virá e a marca “Atari” possa de alguma forma voltar a fazer algo realmente significativo. Mesmo que vampirizando o passado.

O jogo foi lançado em 1983 para arcades e fez um enorme sucesso, depois chegou no Atari 7800 em 1987. Muito provavelmente a empresa estava desesperada para fazer o console dar certo mas nesta época o Nintendo já era sinônimo de videogame e caminhava para virar religião rapidamente. Uma coisa é de se notar. A Atari caiu, mas caiu lutando. Food Fight não deixa de ser um prato requentado de microondas mas era e é um bom jogo. Obviamente se aqui no 7800 ele é bom, lá nos porões cheios de fumaça com nicotina e sons graves de caixas altas de madeira ele era melhor.






De um lado da tela, Charley. Do outro, um sorvete que está derretendo. No meio disso tudo, saídas com chef´s de cozinha que carregados de comida querem te acertar. O objetivo de Charley é chegar no sorvete antes que ele derreta e no caminho precisa se “armar” de alimentos diversos e travar uma verdadeira guerra de comidas contra os cozinheiros da tela. O jogo é por tempo e quem faz essa medida de tempo é justamente o sorvete que está derretendo do lado oposto ao seu.

O legal e viciante de Food Fight é que podemos chegar aos pontos de tomates, bananas, tortas e recarregá-las para prosseguir o caminho até atingir o sorvete. Não temos “tiros” infinitos. Por isso a dinâmica do jogo é intensa, gostosa, leve e divertida. E na época do Atari, seja no 2600 ou aqui no 7800, uma boa mecânica poderia fazer a diferença entre um jogo chato de um clássico. Claro que em 87 o mundo já experimentava coisas bem melhores com a Sega e Nintendo, mas como jogo bom não tem prazo de validade, Food Fight é uma boa pedida em qualquer época.

Existem buracos no meio da tela por onde saem os cozinheiros, alguns buracos são fechados e podemos passar por cima, os outros, não. Eles, os cozinheiros, também pegam comida para nos acertar e também derrubam uns aos outros, sem querer obviamente, mas o legal é que o que me acerta, acerta a todos, e isso gera momentos cômicos de chef´s se autodestruindo enquanto você avança para a próxima fase. Ganhamos pontos ao derrubá-los mas o objetivo mesmo é chegar no sorvete. Quando tocamos o sorvete uma animação bem engraçada do Charley abrindo a boca de uma forma bem exagerada aparece e ele engole o sorvete ao passar de fase.




Uma coisa que faz toda diferença em fases mais difíceis, é que se logo antes de tocar o sorvete nós estivermos carregados com uma torta ou banana, essa carga continua na próxima tela. Isso é importante porque nem sempre você está com algo para atirar, e muitas vezes os cozinheiros chegam muito rápido e a única coisa possível a fazer é fugir até um “ponto de recarga”.


O jogo tem um sistema de replay. Inacreditável mas se você fizer uma fase “boa”, o computador seleciona essa fase e de repente aparece na tela algo informando que ganhamos um replay da jogada. E de fato, seus movimentos todos são repetidos como se fosse um “melhores momentos do jogo”, na verdade a fase toda é repetida, mas isso só acontece às vezes, e eu até agora não entendi qual é o critério que o 7800 usa para escolher a fase que merece um destaque com replay.

Food Fight é sem dúvidas um dos melhores jogos do console. Um console que é nativamente compatível com o Atari 2600 mas que da sua biblioteca mesmo não possui muita coisa. Mas tem bons jogos sim, só que são poucos. Eu vejo o 7800 como um "super Atari 2600" e não um verdadeiro rival para Master System ou Nintendo. Um console que reflete bem todos os erros e acertos da empresa.

10 comentários:

  1. O NES de seu lançamento até a data deste jogo revisado evoluiu muito, de joguinhos pós Atari estilo Ice Climber, Pinball ou a trilogia Donkey Kong de ideias simplescas já possuia games como Contra, Castlevania, Zelda, Metroid... Foi um mal negócio estar em falta de sincronia com o mercado da época. Talvez o Lynx tenha sido o aparelho mais atualizado nas frentes comerciais da Atari.

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    1. Tem razão. O Lynx talvez seja o melhor hardware da família pós 2600. Foi uma total falta de sincronia mesmo, a Nintendo evoluia sem parar chipando seus cartuchos com tecnologia cada vez mais eficiente e do outro lado a Atari insistia em manter jogos com lay out de 2600 rodando num console, que em tese, era para competir com o Nintendo 8bit. Revendo hoje via emulação ou com um console velho é tranquilo porque a gente pode experimentar apenas a beleza do jogo em si, mas na época, quem gastou o dinheiro da mesada ou o pedido de natal em um 7800, fez um mal negócio haja vista que tanto Master System quanto o NES eram vendidos facilmente nas Toy R´Us entre outras empresas de brinquedos dos USA.
      Valeu, Doc.

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  2. Fala Ulisses, esse de Atari nunca joguei cara! Mas você me lembrou de um game que tinha esquecido completamente nesses 35 anos de vida >.< Juro que não lembrava até ver esse tema Comida+Atari. Esse aqui: https://www.youtube.com/watch?v=XPFGhjIrXDc
    Você conhece? Pressure Cooker. O engraçado que não sabia jogar esse game! Eu não entendia nada nele, mas gostava de ver a comida hahahaha!

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    1. Esse jogo é uma surpresa para mim porque ele é excelente, é da Activision, muito famosa no Atari, e mesmo assim eu nunca conheci ou joguei lá nos anos 80 e 90. Só fui conhecê-lo por emulação muito tempo depois. É surpresa porque eu joguei quase tudo da Activision na época, mas por algum motivo este game nunca chegou nas minhas mãos quando eu era criança/adolescente. Valeu, Ivo.

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  3. Não sou um dos mais apreciadores de Atari, mas fiquei curioso em testar esse jogo, ainda mais que eu gosto de uma coisa que você mencionou ali em cima, boa mecânica de gameplay. Igual na minha infância, todos gostando de Megaman 7 do Super Nes (eu tinha essa fita inclusive) e eu não me limitei a somente conhecer este jogo e acabei desbravando os Megamans antigos, a razão principal de eu ter pego jogos antigos mesmo tendo os novos na época? Jogabilidade meu caro amigo, jogabilidade.

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    1. O jogo flui muito bem, acima da média, em geral o 7800 era meio que "obrigado" a fazer ports bons porque se o Atari 2600 fez alguns... imagine ele, que é mais robusto. Jogos como MM7 do SNES são verdadeiros jogos-isca, no bom sentido da palavra. Eu perdi a conta das vezes que ouvi e li pessoas falando que entraram com tudo nos títulos antigos da franquia só porque jogou e amou Mega Man no SNES. Isso é muito bom. Que legal te ver por aqui, Leonardo. Grande abraço.

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  4. Fala Ulisses!

    Nunca cheguei a jogar este game, alias do Atari em si eu joguei poucas coisas, lembro de um que curti foi um de moto, mas não me lembro o nome. Concordo quando você diz que a Atari fez de tudo para enterrar ela mesma, e de quebra quase que enterra o mercado gamer como um todo, graças a Nintendo que aproveitou a oportunidade e deu um "boost" salvando a indústria. Me parece que na época quando Nes e Master System estavam voando alto, a Atari estava meio perdida sem saber o que fazer. Ficou pior ainda para ela quando chegaram o Snes e o Mega Drive...

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    1. Se você for ler as coisas e decisões da empresa durante os anos 83/84 para frente vai descobrir que de fato eles estavam perdidos. O legal é que o videogame em si nunca saiu de moda, o crash foi um fenômeno americano, coisa que nunca aconteceu no Japão, a Atari, Mattel e Coleco foram as mais prejudicadas no período, e todas eram americanas. Valeu pela visita, e tente jogar mais Atari, principalmente o 2600, pode ser que você descubra uma nova paixão nos games antigos. Valeu pela visita, Zanella.

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  5. Rapaz, quanto trocadilho com comida! Muito bom! hahahaha
    Engraçado, quase que o começo do seu post se aplica à SEGA e ao Mega Drive! kkkkkkkkkkkkkkk
    Tá, tá bom, desculpa, foi meio forçado de propósito, eu ando meio emburrado com a SEGA ultimamente e adoro pegar no pé dela nos 4 cantos da Internet, se é que a Internet tem cantos (já falamos sobre algo parecido com isso antes).
    Eu lembro deste jogo, de ter visto em Arcades, se joguei não posso dar certeza que sim nem que não. Uma pena que ideias malucas como esta não são frequentes nos dias atuais com os jogos que precisam cada vez mais fazer sentido com alguma coisa "realista" (haja aspas aqui). Um cara que precisa chegar a um sorvete derretendo. Que loucura! Por quê? Por que perdemos esta criatividade no mundo dos games?
    Por fim, imaginei o Super Atari 2600 loiro com botões verdes... excesso de Sonic... digo, Dragon Ball... ou será ambos? OMG!

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    1. Eu até concordo, Cadu. Mas em partes. Com certeza a Sega fez disso também só que no final das contas, ela entregou muito, mas muito mais que a Atari (a empresa). O Dreamcast é maravilhoso, o Jaguar nem tanto (e, sim, estou contextualizando tempos e épocas para não julgar coisas diferentes). Outra coisa, o Master System é magnífico, poucos jogos, mesmo assim algo sublime. Se o Mega Drive está para a Sega como o 2600 está para a Atari, todo o "resto" das duas no lado da Sega é muito, mas muito melhor. Você ama a Sega, por isso se importa com ela. Cara, eu sei como é isso. Até hoje meu braço fica arrepiado se vejo um Mega Drive de perto ou pego num cartucho de Sonic. Eu entrei nos 16bit pela Sega. Todos nós amamos ela.
      Essas ideias malucas hoje em dia parece não vingarem, acho que naqueles tempos era mais fácil fazer as coisas malucas, o videogame era entendido como videogame, hoje existem várias formas de pressionar um developer na hora de fazer um jogo. Nem falo de dinheiro, falo de cultura mesmo. Há várias formas de coagir uma mente livre que quer fazer um jogo doidão e divertido. Eu já imagino o Atari com um "S" do Super Homem, bem no estilo do filme de 1978. Valeu, Cadu.

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