Globo Ciência Dezembro de 1991: O Mundo Mágico Dos Games


A Globo Ciência de Dezembro de 1991 faz uma matéria sobre os videogames com destaque ao Mega Drive e o Super Nintendo. O texto foi muito bem escrito, salvo alguns errinhos de ordem técnica, e trouxe imagens sensacionais do momento. No início* (ver considerações sobre isso no final do post), a matéria faz uma descrição do que é videogame e como ele funciona.

Depois explica a importância da Tec Toy no Brasil e de como a Nintendo é importante no mercado externo e de como em breve as duas gigantes iriam travar uma guerra em território nacional devido a chegada oficial da Nintendo no Brasil via uma empresa nacional. Eu achei bem engraçado a forma como eles definiram os videogames em relação aos PC´s.

“tecnicamente, os videogames não passam de versões despojadas dos microcomputadores pessoais, como os IBM/Pcs e Amiga.”

O processo de criação também foi descrito, e segundo a revista, os jogos eram feitos em geral por 8 a 10 pessoas e levava no mínimo 6 meses para ficar pronto. Bem no início o texto afirma que Pong foi criado no final dos anos 60 sem citar diretamente o ano de 1972. Aí eu não sei se eles erraram mesmo ou se durante a pesquisa a Globo Ciência fez confusão com a criação primária do game que é de responsabilidade do pai dos videogames, Ralph Baer, e que de fato concluiu o Pong (que era chamado de ping-pong) entre 1968-1969 culminando com a venda oficial do produto em 1971 para a Magnavox, e com lançamento comercial em 1972.


A chegada do Sega CD é citado pela revista de uma forma interessante. Já naquela época, em 1991, o uso do termo "geração vírgula alguma coisa" era usada. No caso da 4ª geração, eles falaram que o Sega CD já poderia ser considerado a geração 4,5 dos consoles. Sensacional. Eu gosto de pegar a origem desses termos e usos. Esses dias eu li numa revista de games a palavra “nintendinho”, e fiquei assustado porque era uma revista relativamente antiga. Eu lembro que eu só fui utilizar esse termo com a chegada da internet. Ou era Nintendo ou Super Nintendo, pelo menos na minha cidade o apelido nintendinho demorou para ser usado. E pior que não lembro a revista que li essa referência.

esta imagem representa bem o mercado da época

O Brasil daquela época em relação aos games era uma massa de gente que jogava de tudo. Por exemplo. A revista trata bem dos consoles de ponta como o Super Nintendo e Mega Drive, mas ao mesmo tempo faz uma belíssima ilustração dos clones de NES e do Master System no momento. E acredite, eu não ficaria surpreso se citassem jogos de Atari mesmo em 1991. A nossa realidade econômica era essa. Muita gente jogava Nintendo, alguns mais sortudos podiam ter um Mega Drive e quase todos tinham um Atari clone guardado em cima do guarda roupas e que eventualmente jogava em  tediosos dias de chuva. Eu lembro que era algo tão absurdo alguém possuir um Neo Geo que ele era constantemente usado como piada ou o que hoje nós chamaríamos de meme, na hora do recreio entre meus colegas de classe, devido ao preço absurdo e a impossibilidade de ter um. Lembro da gente ficar horas imaginando como era ter nas mãos um cartucho tão grande em relação aos normais e de como aquilo era um sinal de tecnologia super avançada. A Globo Ciência também cita ele.

A matéria traz em uma página inteira dois jovens que eram contratados da Tec Toy e eram pagos para jogar games, descobrir dicas e dar esse apoio de gameplay à Tec Toy. A empresa sentiu a necessidade de algo a mais para servir de base ao serviço de dicas Hot Line que era um sucesso. O esquema que a Nintendo usou ao extremo de criar dicas para sustentar a Nintendo Power também era uma prática da Sega como fica evidente nesta parte da matéria que descreve a TecToy.

“Outras dicas chegam diretamente da Sega, já que a maioria dos truques são concessões previamente criadas no momento da programação dos jogos, mesmo os mais esdrúxulos.”

Todas elas faziam isso, e ainda bem que faziam. Graças a isso temos um universo de dicas e truques que enriquecem o mundo dos games, principalmente os antigos. Em uma das imagens a revista descreve que a pistola de jogos, que tradicionalmente era periférico de vários consoles, emitia uma luz que era "captada" pela TV. Hoje sabemos que é o oposto, a pistola é que recebe a informação luminosa.


* Eu fiz este post com base em 5 páginas digitalizadas de um total de 8. Portanto não tive acesso ao texto integral. Faltaram 3 páginas. A matéria original é do blog cemeterygames que fez a digitalização e disponibilizou no final do post o download do texto integral. Infelizmente o post é muito antigo e o servidor em que o PDF ficou hospedado não existe mais. Ficaram apenas, e ainda bem, as imagens do próprio post que estão com ótima resolução.

Agradecimento:
Agradeço ao blog cemeterygames por ter disponibilizado as imagens digitalizadas da Globo Ciência, sem esse trabalho o meu post jamais poderia ter sido escrito.

A Globo Ciência não existe mais, ela surgiu em 1991 e se tornou a revista Galileu em 1998. Eu lembro dessa transição de título mas nunca gostei da ideia. Globo Ciência parecia bem mais com "cara" de revista.

Fonte:
GLOBO CIÊNCIA. Dezembro de 1991. O Mundo Mágico Dos Games


Comentários

  1. Esses truques além de serem piadas internas na equipe desenvolvedora deviam existir pra vender revistas de dicas e segredos.

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    1. O pessoal sempre encontra formas de ganhar sobre o produto já pronto. Valeu, Doc.

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  2. Fala Ulisses, shows de boa sua matéria! Eu não sabia que a revista Globo Ciência tinha acabado, na minha mente ela ainda existia >.< (parei no tempo!). Muito interessante ver como era retratado por eles o mundos games naquela época e realmente é como falou... era um aglomerado de gente jogando e tudo dependia muito do financeiro para jogar certos consoles, mas no final todo mundo jogava Atari.
    Ainda tentei procurar essa revista para ver se ajudava você a ter tudo aqui, mas infelizmente não encontrei, só achei um maluco no ML vendendo as edições 1 a 11. Uma pena não ter ela completa na Internet. Mas de qualquer forma achei super interessante ler o artigo ^^ Grande Abraço Ulisses! Ivo.

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    1. Eu fiz mesmo assim porque 5/8 páginas já dá para ter uma boa ideia do texto, e também gostaria de fazer o registro para que outras pessoas saibam que teve uma Globo Ciência sobre games. De fato, Ivo, não existe quase nenhum registro nem em imagens sobre a revista neste período 91/98. Ao contrário da Superinteressante que possui um acervo bem mais fácil de achar.
      Rapaz, eu acho que até o período PS2 as pessoas jogavam muito Super Nintendo, por exemplo. Hoje a coisa estabilizou e imagino que a massa já jogue mais no PS3/PS4 ou 360/One/PC, digamos que temos um mercado mais coeso.
      Obrigado, Ivo.

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    2. Ulisses, poderia te sugerir que também fizesse essas analises históricas com vídeos. Exemplo o clássico Globo Reporter de 199epouco mostrando snes e cia =) Seria super interessante, mas se você quiser claro. Grande Abraço.

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    3. Boa ideia, Ivo. A primeira vez que "senti" a influência do videogame em coisas que não são de videogame em vídeo foi em 1992 na abertura da novela Despedida de Solteiro. Valeu.

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  3. na era pré-internet a hot line deveria ser bem relevante. imagino o jogador da época gastando fichas em um orelhão.

    abç!

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    1. Eu fiquei imaginando a situação e comecei a rir, é inusitado, o mais provável era o guri pegar o telefone da sala escondido, falar e esperar a "bomba" na conta mensal. Mas pensando bem, a situação do orelhão faz sentido, deve ter acontecido. Eu, por exemplo, já peguei escondido fichas de vale transporte (na minha cidade em 1991 tinha fichas para isso) para jogar mega drive na locadora.
      Valeu, Scant.

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    2. cheguei a pensar no telefone e deve ter acontecido como vc diz. Além disso um dos problemas dessa época era que linhas telefônicas eram caríssimas e a maioria não tinha (tinha gente até que alugava!).

      hoje os mais novos não imaginariam.

      abç!

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  4. Boa revista. Eles definiram os videogames como "versões despojadas dos microcomputadores pessoais" pois consoles já eram versão "simplificadas" de PC's e exclusivas para jogos. Mas isso não tirava o charme dos videogames. Atualmente o videogame tenta fazer o mesmo que os PC's fazem, mas já não tem mais o meso charme que antes...
    Bom post!

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    1. Valeu Daniel. Já naquela época existia uma certa rivalidade e comparação com os PC´s. Tanto o console quanto o computador perderam o charme de antes. Um computador era uma máquina que poucos sabiam "ligar" imagine "operar" e consoles no início eram tidos como brinquedos por nós brasileiros, mas lá nos EUA, o Atari já tinha um certo status de diversão eletrônica. Algo bem mais adulto que oferecia diversão para todas as idades. Grande abraço, obrigado pela visita.

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