quarta-feira, 15 de novembro de 2017

The First Funky Fighter - Arcade


Poucas vezes, aliás, eu acho que é a primeira vez que eu poderia citar um jogo que é de arcade mas poderia facilmente ser de android touch, é importante frisar o touch. Todos sabemos que jogos antigos são adaptáveis aos jogos de smartphone pela sua simplicidade, mas é uma adaptação que muitas vezes não é perfeita pois temos de um lado jogos de botões, dependentes da resposta física deles e do outro lado, uma tela que precisa ser pensada para se adaptar a um jogo sem que fique estranho ou haja perdas nos comandos.

O jogo da cobrinha da Nokia, por exemplo, nasceu em 1976 com o arcade Blockade. É na verdade um port de um jogo arcade antigo e essa inspiração nos arcades e jogos de Atari é recorrente na maioria dos “joguinhos” de celular até hoje. A questão é o toque dos botões, ou a falta deles que prejudica em muitos casos essa tradução das plataformas. Por isso mesmo é uma arte fazer um bom jogo, e que seja um bom jogo para tocar em tela e não mais um jogo que é legal mas ficaria bem melhor com um controle acoplado.





The First Funky Fighter é um jogo desses que poderia ser de tela de toque tanto pela simplicidade quanto pela mecânica de gameplay. A única coisa que talvez impedisse seu lançamento é o seu humor escrachado e o apego ao que temos de mais básico, vulgar e tosco nos videogames. E isso é ótimo. O humor do jogo está exatamente baseado nesta simplificação e tosquisse. Sabe o jogo Cadillacs e Dinossauros? Pois é. FFF não tem nada a ver com ele mas aqui temos… crocodilos e tubarões. Não deixa de ser uma dupla de respeito.


A história é a seguinte. Sua namorada que é loira, bonita, gostosa e está vestindo um belo vestido cor vinho, foi raptada por um pterodáctilo voador. Para salvá-la temos que passar por 2 fases em terra e 2 na água, sendo que nelas enfrentamos os chefões crocodilo e tubarão. O motivo do gameplay ser adaptável aos jogos de tela é o seguinte.

O jogo não possui um controle tradicional. Ele lembra mais os jogos de dança que temos de pisar nas setas corretas para acertar as notas musicais. A estrutura do jogo é basicamente a mesma daqueles jogos de dança que fica ou ficava nos arcades dentro de shoppings pelo Brasil. Mas ao invés de pisar, temos que bater com a mão nas posições corretas. O painel do arcade possui 9 botões vermelhos que estão divididos em 3 colunas na forma 3x3. Cada botão representa exatamente a área da tela que também foi dividida em 9 setores. Portanto os botões são uma representação da área da tela e onde batemos a mão é exatamente onde nosso ataque vai aparecer.



É um jogo em primeira pessoa e apenas nossos braços e socos são desferidos na tela. Quando um inimigo aparece no quadrante superior direito, batemos o número 9, isto é, o nono botão que fica na parte superior direita e acertamos o alvo. Simples e intuitivo. Não poderia ser diferente. Se The First Funky Fighter fosse jogo de celular, bastaria tocar a tela como fazemos em Fruit Ninja. Na verdade melhor que ele pois bastaria tocar e não riscar a tela.




Um jogo de apertar botões no momento certo. As fases estão repletas de personagens bem cômicos como lagostas mal encaradas, cavalos marinhos fêmeas peitudas, caveiras e aborígenes entre outros. É tudo brusco e escrachado, simples e direto. O game não tem uma estrutura muito bem definida, é apenas bater e ver o que acontece, mesmo assim é divertido.

Na tela temos elementos que lembram os jogos de mira livre onde podemos “atirar” em barris e explodir a tela inteira. Na parte superior da tela temos um marcador de tempo que indica o momento do confronto com o chefão, que é um tubarão em fases de água ou será um crocodilo em fases terrestres. O segredo é socar rapidamente. Batemos nos bichos como se fosse um saco de pancadas e finalizamos eles dando um gancho ou, de uma forma mais excêntrica ainda, abrindo a boca do bicho fazendo suas tripas e entranhas explodirem na tela. Afinal nós somos loiros, belos, musculosos, fodas e americanos… o que mais poderia nos impedir de salvar nossa loira gostosa?



Temos fases de bônus onde temos que quebrar placas de pedra que lembra bem os jogos de luta. Em determinados momentos os personagens apresentam a palavra get-em ao lado e é aí que devemos socar ainda mais para fazer combos e ganhar mais pontos.




Eu comecei o texto fazendo esse paralelo com jogos de toque porque The First Funky Fighter parece mesmo um jogo de 5 reais. Ele é bem básico mas é divertido e possui uma mecânica que até mesmo para arcades é muito limitada. É o tipo de jogo que o cara põe a ficha, joga o suficiente mas dificilmente vai rejogar. É um jogo casual por excelência. Totalmente diferente de jogos clássicos e viciantes que os arcades tinham e fizeram história. The First Funky Fighter é um fast food que merece ser conhecido pela diversão e bom humor mas dificilmente vai cativar o jogador e fazê-lo jogar de novo.

Fonte:
http://flyers.arcade-museum.com/?page=thumbs&db=videodb&id=3393

6 comentários:

  1. Cada postagem aqui é uma surpresa. Estou adorando como suas análises são de jogos imprevisíveis, nada óbvios. Neste aqui nunca ouvi falar, mas se tratando de arcade da Taito, provavelmente deve ser coisa boa .

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    1. Neste caso específico a minha inspiração foi um post de 2013 que saiu na Nação Cucamonga. Alguns jogos, na maioria dos casos é fonte de pesquisa mas outras são indicações. De fato bom ele é, mas enjoa fácil. Obrigado pela visita, Lucas. Um grande abraço.

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  2. Esse jogo foi um dos mais tresloucados e originais que já vi, me lembra vagamente a estética de Violent Storm, ambos zombeteiros quando o assunto é parodiar Hokuto no Ken. Os 9 quadros acertáveis soam também como o bônus de Sunset Riders e as partes de tiro do adventure Snatcher. FFF Calharia bem se existisse uma readaptação pros smartphones.

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    1. Lembra mesmo, os arcades são uma fonte maravilhosa de jogos insanos. São pérolas que, se não voltam, podem motivar desenvolvedores a fazer algo parecido. Grande abraço, Doc.

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  3. Caraca, esse jogo dos Guerreiros do Funk aí combinaria muito bem com celular touch mesmo!
    Olha aí a galera perdendo dinheiro, podia vender ele por cincão fácil fácil.
    Aqui no BR podem inclusive lançar com o nome que eu mencionei, aí vai vender que nem água no deserto!
    Ou não... rs
    Esse eu vou passar batido... eu acho! hehe

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    1. O pessoal já fez grana com ele nas fichas, poderia tentar nos smartphones mesmo. O jogo é quase um filme "B" dos anos 80. Abração, Cadu.

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