Iga Ninden Gaiou: PC Engine CD

Iga Ninden Gaiou conta uma história simples. Ninjas, rapto de uma garota, um grande chefão que possui um arsenal incrível, biotecnologia, magias e, claro, espadas. É insano mas para os padrões do videogame é algo simples e até repetitivo em outros jogos.

Além disso traz algumas outras coisas que com certeza são importantes para fechar as lacunas desta trama de videogame, mas que infelizmente vão ficar perdidas. O jogo inteiro é em japonês e para meu desespero, possui muitas falas, muitas. Eu que mal falo português e tropeço feito um bêbado no inglês, o idioma nipônico é o equivalente a uma criptografia.



Joguei o game inteiro e fiquei confuso em relação ao papel de alguns personagens dentro da trama mas pelo que deu para deduzir é mais ou menos assim. Dentro de um reino, ou algo parecido a um pequeno vilarejo de samurais, ninjas e “japoneses do campo”, aparece à noite um invasor terrível que fardado, lembrando um pouco o Bison de Street Fighter e com cabelos loiros e compridos, o que denota ser realmente um estrangeiro e não um japonês, rapta uma garota deste vilarejo.

Logo todas as luzes e alarmes são tocados e todos entram em estado de alerta. Um mestre é morto durante essa invasão por este personagem fardado e um líder político em seguida a essa invasão manda chamar um ninja para ir atrás da garota e vingar essa perda. Nós somos este ninja e esta é a nossa missão.

Os comandos são simples, botão 1 atira lâminas e ataca, enquanto o 2 é o pulo. Se apertamos para cima e pulo, pulamos bem mais alto, o que faz atingir um segundo plano em algumas fases e se seguramos o botão de ação uma barra começa a encher e solta um “mini especial”, que nada mais é que uma segunda arma, geralmente lâminas pontiagudas.



O Start aciona um especial, alguns deles bem trabalhados visualmente como por exemplo uma ave fênix que encobre toda a tela e destrói tudo ao ser acionado. E o Select mostra um menu onde aparecem nossas habilidades que serão melhoradas via upgrades no decorrer do game.



O que temos aqui é um jogo de ninja no PCE CD, mas ele não é difícil, tem seus momentos de desafio maior entretanto não chega a ser uma uma dureza como os jogos de ninja costumam ser. Inclusive ele possui um sistema chamado de “backup”, que é basicamente 3 slots livres para salvamento, e os check points destes salvamentos são bem generosos, por exemplo, em combates com os chefes podemos voltar diretamente aos combates sem precisar voltar a fase toda.

Graficamente ele é bem bonito principalmente porque em um CD é possível armazenar mais cenas de transição e textos… em japonês, e o game design é basicamente simples na estrutura e confuso na “costura” do jogo. Vou explicar.




Vários personagens da primeira fase voltam em fases posteriores bem avançadas, indicando aí um reaproveitamento de sprites, por outro lado, temos outros novos personagens bem feitos e poderia dizer também bem bizarros que surgem no decorrer do jogo. Se temos o fator repetição temos também a surpresa de novos inimigos, o que faz a gente ficar em dúvida se o game fez corte de orçamento ou se fez uma salada proposital para reforçar algum ponto que eu não percebi.



O mesmo acontece com a física do game. Tem um momento em uma mina, por exemplo, que os designers tiveram o cuidado de traçar nas estruturas internas das paredes da mina, vários detalhes da madeira que dá suporte ao local, inclusive com um pequeno compartimento que provavelmente quem trabalha em locais assim sabe do que se trata mas ali no game está presente, mesmo que “só de enfeite”. Isso traz um certo ar de realismo ao jogo.

Mas por outro lado temos aberrações como uma bola de ferro que balança em semicírculo lindamente sem que haja nada que a segure, presumo que deveria ter uma corrente ou algo assim, mas a bola “flutua” por magia, só que seguindo um “vai e vem” do mesmo jeito que se estivesse presa por uma corrente.

Outra coisa que ficou estranha é que sempre que passamos de fase aparece um mapa mostrando o Japão ao centro e vários países ao redor, o que leva o jogador a ter certeza que nossa missão vai se estender por outros países, inclusive porque quando entramos na fase a palavra “Japon” se apaga como se a gente tivesse selecionado o país como se entra em uma fase.

Mas isso tudo é só para ilustração mesmo, o jogo de ponta a ponta é dentro do japão e o resto fica apenas como um simples referencial.



Essas flutuações de bom e ruim, bem feito e talvez mal acabado, permeiam o jogo inteiro. Mas posso garantir que no todo Iga Ninden Gaiou é excelente e essas coisas que de fato chamam a nossa atenção não são fortes o suficiente para estragar a experiência de jogo.



O enredo ficou cheio de lacunas e bem obscuro para mim, exceto pelo fato de termos de resgatar a moça dos braços do vilão e que temos de salvar a vila de forças supremas que mexem com tudo, de artes marciais à biotecnologia. Inclusive os objetivos principais do inimigo ficaram um pouco sem resposta. Por exemplo, o chefe fardado que faz sua apresentação logo na intro do jogo faz pensar ser ele o chefão final, mas ele se reporta a outro chefe, este sim, todo estranho e cibernético que realmente é o final.

Mas e a garota, o que ela tem a ver com tudo isso? Seria apenas uma vítima das forças do mal ou ela poderia ter uma importância maior nessa trama de poder? Nunca saberemos.


Comentários

  1. Eu na época ignorei o jogo, não me convenceu. Pro sistema achei melhor o Strider e o Kazekiri, este último resenhado na Cucamonga. Talvez jogue esse daí em alguma live da Twitch.tv.

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    1. Não sou muito fã de Strider, mas joguei algumas vezes. Esse lance do Twich é muito legal Doc, no momento eu estou sem internet por isso não vou poder aproveitar, seria legal ver as jogatinas ao vivo! Ser blogueiro off line é complicado kkkkkkkkk
      Valeu!!!

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  2. Ahhh PC Engine, preciso te dar atenção!
    Tipo, o vilão do jogo levou a menina peladona mesmo? Eu vi direito? Cacilda, a Nintendo nunca deixaria isso acontecer nas franquias dela. Viva o PC Engine! huauhahuahua
    Palhaçadas a parte, jogo de ninja não muito complexo? Interessante, deu vontade de conferir. Meu backlog é gigantesco e eu tô muito tempo preso em jogos mais, digamos, "modernos", mas vai chegar um momento que vai me dar aqueles 5 minutos de "preciso de algo 2D"! Vou ver se roda bem no Pi esse jogo! hehe
    Outro ótimo review!

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    1. Basicamente o console inteiro é de jogos obscuros para nós, o PC Engine é a joia da coroa neste blog, tem muita coisa que já separei para jogar nele!
      Deve ter um bom motivo para ela estar sem roupa, inclusive tem umas falas quando o vilão pega ela, mas em japonês vai ficar difícil, nunca saberemos Cadu! kkkkkkkkkkk

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