Sailor Moon S: Game Gear


Certo. Bishoujo Senshi Sailor Moon S é um jogo específico para quem gosta do anime, é o que temos de mais próximo do termo fã service, não tenho dúvidas, e eu afirmo isso porque gosto muito de Sailor Moon e mesmo assim olhando o jogo apenas pelo jogo em si, Sailor Moon S deixa muito a desejar

Eu gostei muito das artes das guerreiras na paleta de cores do Game Gear, neste quesito não tenho do que reclamar, os personagens chaves da terceira temporada estão presentes todos aqui, seja de uma forma ou de outra.

É possível jogar ou com a Serena ou com a Rimi, e esta opção foi muito bem feita já que a personagem “mirim” tem um papel fundamental nesta fatia da série. Por outro lado não podemos escolher as outras guerreiras o que deixa bastante a desejar, sim eu sei, não é comum um jogo plataforma oferecer várias opções de gameplay principalmente em portáteis e consoles 8 bits, em geral são 3 personagens, como em Streets of Rage, mas já que estamos falando de Sailor Moon a exceção deveria entrar em ação, da mesma forma que um jogo das Tartarugas Ninja com certeza oferecem os 4 lutadores simplesmente porque eles são igualmente importantes no enredo.
 
Sailor Moon para Super Nintendo, Mega Drive e Arcade possuem todas as guerreiras principais disponíveis, mesmo dentro do Game Gear, um portátil, mesmo assim acho que isso ficou faltando. Vamos falar da Serena que é a personagem principal. Um botão pula e o outro ela chuta e dá tapas, o que chega a ser interessante já que no anime elas quase nuncam entram em luta corporal direta e a maioria dos combates se resolve por meio de magias ou de uma ajudinha do Tuxedo Mask, a figura masculina mais presente na série. Mas um jogo sem golpes seria inviável, ainda bem que o bom senso neste ponto é presente em todos os jogos da série, ainda bem que não tentaram fazer algo estilo Barbie nos games… seria jogar a marca Sailor Moon no lixo.

Ao segurar o botão de ação Serena dá um especial lançando sua “Tiara Lunar”, que é a primeira arma da guerreira em toda a série, mas é possível pegar outro tipo de especial que faz referência a esta altura da temporada usando o mesmo comando. O que eu gostei é que a movimentação dos golpes especiais é bem próxima do anime, ficou um excelente trabalho no portátil da Sega. Pular e apertar o botão de soco/chute faz Serena dar uma voadora. Seu pulo, diga-se de passagem é bem chatinho, bem impreciso, nada gritante mas é preciso se acostumar.














Entre as fases existem os mini games que dão um sabor a mais no jogo e deixa o fã satisfeito por poder rever seus personagens favoritos na telinha do Game Gear em pixel art. Os mini games também ficam disponíveis na tela de opções para revê-los, mas alguns são impossíveis, como por exemplo um jogo de perguntas sobre a série com alternativas abaixo… em japonês. Os elementos negativos mais marcantes e que vão fazer um não fã desistir do jogo são a falta de conteúdo nas fases com personagens se repetindo demais, acho que são apenas 3 ou 4 tipos em todo o jogo. Quer dizer, em 90% do game poucos inimigos vão aparecer, e quando eles aparecem… são os mesmos de sempre. Outra coisa que ficou grosseira e imperdoável para um jogo com o peso da marca Sailor Moon foi o level design.

Quando eu falo no “desenho das fases” eu quero dizer onde é que temos que ir para resolver as coisas e como nossa caminhada para resolver estes conflitos no jogo será feita, isto é, a estrutura do jogo é inteligente, simples ou conflitante? Aqui em Sailor Moon S é muito simples e conflitante ao mesmo tempo. Você tem vários espaços sem ação ou nenhum motivo aparente de existirem, poucas coisas para se fazer, e as plataformas do jogo são tão vulgares que é como se você estivesse percorrendo linhas retas sem acabamento algum. Há uma tentativa de dar um colorido no jogo, principalmente nas fases finais, e eu diria que os 10% finais do game são bem legais, mas no geral é tudo muito básico, não há surpresa ou desafio é como se as fases fossem mal costuradas.

Um exemplo claro é quando passamos por duas fases inteiras e a terceira parte que finaliza o jogo se reduz a uma mera tela com apenas “um” inimigo, a fase é praticamente uma ponte na qual vamos de “A” até “B” em poucos segundos. Eu me pergunto, se for para fazer isso então colocasse um chefe de fase de uma vez sem precisar deste “apêndice”. É o tipo de construção de fase que não faz sentido, foi feito apenas para “encher linguiça”, isso é deprimente. A sensação que dá é que os desenvolvedores pegaram uma “engine” de outro jogo básico e transportaram para Sailor Moon S.

Como por exemplo se você colocar o direcional para baixo a tela desce um pouco para visualizar coisas inferiores, isso é bastante usado nos jogos diga-se de passagem mas… em Sailor Moon S não usamos isso em absolutamente nada! Totalmente fora de eixo este movimento! Em resumo o level design ficou básico, estranho e inconsistente. Falando da parte boa quem assistiu a série, em especial a terceira na qual o jogo se refere, com certeza vai encontrar muitos elementos e coisas do anime.

Por exemplo a busca para se unir os 3 talismãs sagrados que estão na posse de 3 pessoas com corações puros. A adaga, o espelho e o cetro se unem para que a Taça Lunar apareça e transforme Serena, a Sailor Moon, na Super Sailor Moon. Dentro das fases temos que buscar os 3 talismãs e bem na parte final de cada fase enfrentamos o chefe com ou sem este poder. Se pegarmos os talismãs, seremos a Super Sailor Moon e nossos golpes são 3 vezes mais fortes do que da Sailor Moon normal, por isso é interessante fazer um esforço para pegar os talismãs e chegar no chefe com mais força. Apesar de tudo, eu como gosto muito de Sailor Moon, o saldo para mim ficou positivo, é um jogo que vou jogar mais vezes, mas é claro, isso porque tem todo um contexto que me anima a rejogar.

É uma pena, poderia ter ficado um excelente plataforma pois a jogabilidade é boa, inclusive quando jogamos com a Rimi o “problema” do pulo da Serena desaparece pelo fato da Rimi ser mais baixinha e pular melhor, é mais fácil de controlar os movimentos de uma personagem menor na tela. O desenho das personagens, Rimi e Serena ficaram excelentes. Se você deixar as Sailors paradas na tela, elas fazem uma animação igual ao do anime, excelente!

O jogo traz coisas muito legais, principalmente nas artes e referências, mas por outro lado peca em coisas básicas como desenvolvimento de fases, quantidade de inimigos e a falta de poder escolher as outras guerreiras. As guerreiras aparecem, mas como coadjuvantes de tela para dar suporte a falas e coisas do tipo, inclusive a simpática “Bola Lua” da Rimi e os gatos também aparecem, enfim, tem muita coisa que o fã vai gostar, mas para o jogador casual não existem elementos suficientes para que Sailor Moon S seja um bom jogo.

Comentários

  1. Game Gear teve uma cacetada de jogos baseados em animes: o do rei macaco revisado por você, Yuyu Hakusho, aquelas bruxinhas que o jogo vinha com uma edição especial do portátil fora um de filme pastelão para vigiar uma casa no esquema Night Trap. Você é um dos poucos que comentam sobre o aparelho, parabéns pela iniciativa.

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    1. Valeu Doc! Gosto muito do Game Gear, de certa forma é devido a época dele que eu sempre quis ter um mas era muito caro, e mesmo que tivesse, iria comer pilhas como um louco!
      Tirando o fator do passado, a biblioteca é interessante mesmo, uma pena não ser tão extensa quanto a do Game Boy.
      Abração Doc!

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  2. Fala Ulisses, beleza?! Cara, foi uma supresa saber que tinha Sailor Moon para GG, nem acreditei quando vi seu post, não que seja fã, mas isso abriu minha curiosidade (junto com o comentário do DOC) para ver jogos de anime nele e descobrir Yuyu também existia, pena que não tinha para Master System, iria amar essa coisas (sou fã do Master System). E como o DOC disse, parabéns pela iniciativa de comentar do aparelho. Valeu Ulisses!

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    1. Rapaz, o Game Gear as vezes nos prega uma surpresas, tipo coisas que não tem no Mega e nem no Master System mas acabam surgindo nele!
      Valeu Ivo, e com certeza o Game Gear vai aparecer mais por aqui. Acho que foi o console mais difícil para eu jogar no passado, junto com o 3DO.
      Abração Ivo e volte sempre que puder!

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  3. OK, aqui entra o Cadu preconceituoso: eu odeio Sailor Moon (não me julgue... já julgou que eu sei! huauha)... já estou lendo o review com meio ódio... meio pq eu amo o Game Gear! kkkkkkkkkk
    Sabe qual foi a sensação que fiquei lendo o review? Que o jogo parece aqueles jogos [não sei se] iniciais de Game Boy, que os desenvolvedores queriam lançar coisas pra plataform, mas pareciam ficar em dúvida de como fazer as coisas com a limitação do console (inclusive de resolução) e a similaridade dele com mini games, daí saía aquela coisa simples demais que quase parece um walking simulator 2D de tão poucos inimigos e desafios que surgem ao longo das fases.
    Enfim, essa foi a impressão... e vou ficar com ela, pq não vou jogar. Tenho que ser sincero, né? kkkkk
    Valeu Ulisses!

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    1. Só pra fã mesmo Cadu. Mas eu te digo que Sailor Moon para arcade é excelente, tirando a questão da estética do anime que pode te desagradar é claro, mas mecanicamente é perfeito!
      Este do Game Boy tem qualidades como os ataques e movimentos que lembram bem o desenho, por outro lado também carrega esses problemas que lembram jogos em "flash", de baixa qualidade.
      Valeu Cadu, e claro se você amar ou odiar um game... eu quero a verdade!!! :)
      Abração Cadu!

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    2. ... eu disse game boy? Game Gear!!! Ulisses!

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  4. Cara, joguinho bizarro. não dá nem vontade de jogar. parece que fizeram só pra faturar com a popularidade da serie e esqueceram a qualidade.

    abç!

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    1. Bem isso Scant, tanto que eu só joguei por causa da série mesmo, caça níqueis funciona kkkkk
      Valeu Scant!

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