Sobre Peitos e Jogos

A personagem da imagem abaixo se chama Miko. A imagem é do jogo de arcade chamado Tengai ou Sengoku Blade em japonês. Além da Miko, o game possui mais quatro personagens bem distintos, dentro de um estilo “jogo de navinha”.


O jogo é excelente, mas um destaque visual do game é sem dúvida Miko, que possui um dos maiores peitos da história dos videogames. É compreensível. Um jogo de arcade cuja clientela era quase que total de homens, onde máquinas enormes que ficavam em bares e casas de jogos lotadas de adolescentes tinham a obrigação de vender fichas, um jogo com a figura de uma mulher mais ousada, logo na introdução do game, era um chamativo de vendas e tanto… ou será que não? Mas é aí que eu quero chegar… até que ponto o erotismo masculino ou feminino funciona efetivamente para vender algo. Especialmente no mundo dos games.

Eu conheço Tengai, tenho certeza que é um excelente game com ou sem a presença de Miko. Mas ser excelente e ser um sucesso nem sempre são coisas que caminham juntas. Será que sem essa apimentada de uma personagem gostosa logo na tela de introdução do game, o jogo teria o mesmo número de vendas de fichas em uma casa de arcade?

Bom, isso nem o dono de casa de jogos e fliperamas pode dizer com certeza. Como a gente consegue desvincular uma coisa da outra para fazer um teste, digamos, “científico”? Só se tivessem duas versões de máquinas. Uma com e outra sem a presença de Miko, e a partir daí fazer as medições de público. Mas isso é loucura!

Eu acho que a resposta é: Tanto faz. O jogo é o que importa.

Pode parecer ingênuo da minha parte e confesso que até pouco tempo atrás eu não responderia assim com tanta convicção. A gente sempre tem pequenas verdades dentro de si que nunca coloca à prova, e elas agem como filtros da nossa percepção. Uma dessas verdades internas que eu tinha era de que qualquer coisa que a gente colocasse o tema sexo e erotismo no meio… venderia! E com videogames, na minha percepção, seria a mesma coisa. Essas verdades internas a gente adquire sabe-se lá como, e é difícil perceber sua real validade. Algumas funcionam, outras não.

Eu cheguei a duas frases populares, que se estivessem corretas estariam em frontal contradição uma com a outra. São elas:

“sexo sempre vende”
“não existe fórmula para o sucesso”

O meu foco é sempre o videogame e voltando lá na experiência dos arcades eu percebi que efetivamente os maiores sucessos de todos os tempos, todos eles, sem exceção, são sucessos porque são bons jogos, jogos que trouxeram novas mecânicas de jogabilidades, novas formas de jogar e até mesmo personagens cativantes, jogos que inovaram em algo, mas em nenhum momento eu consegui atrelar o erotismo como a fonte inicial do sucesso destes jogos. Mesmo que muitos deles o contenha.

Nos arcades existiam aqueles jogos safadinhos que a gente tinha que traçar uma linha em várias direções sobre uma superfície retangular e aos poucos ia abrindo como imagem de fundo uma mulher nua. Jogos eróticos de arcade mesmo.

Mas eu nunca vi fila neles, já por outro lado Final Fight, Street Fighter, Marvel vs Capcom, Daytona USA e até máquinas de pegar bichinhos e presentes sempre tinham a maior audiência do estabelecimento Pelo menos dentro da minha experiência pessoal com casas arcade onde frequentei, eu nunca vi um Street Alpha perder para um joguinho “safado”. E faço esta pontuação nos arcades porque é neles onde o público é geralmente maior e é neles onde as restrições nos jogos eram quase nulas. Por isso esse é o meu campo inicial de investigação.

Quase todos os jogos possuem um toque de erotismo, isso é verdade. Personagens gostosas e homens malhados exibindo seus músculos existem em Mortal Kombat, Street Fighter, e em vários jogos de luta. Mesmo assim eu não consigo lembrar de um jogo que seja sucesso porque é apelativo e só por isso.

Lara

 


Como escrever um texto com este título e não citar Lara Croft, seria uma falha e tanto. Eu tentei lembrar o motivo que me fez gostar de Tomb Raider. E a resposta veio rápida e naturalmente. O jogo era incrível para a época. Eu estava ainda quase que totalmente com a cabeça nos jogos 2D. Dava umas escapadas com alguns jogos em DOS e até mesmo com o Sega Saturn que joguei inicialmente alugando o console bem na época em que ele era novidade e sensação. Mas foi só com o Playstation e Tomb Raider que eu tive aquele impacto! Isso aqui é muito legal!

O que me atraiu no jogo já no que eu coloquei a mão no controle, foi a movimentação inicial da personagem. Aquele pulo lateral característico dela, quase acrobático era demais! A visão em 3D, poder especular cada pedaço do terreno, o timming e peso da personagem… tudo era novidade para mim. Claro, o jogo não era perfeito, e tem gente que não suporta a jogabilidade de Tomb Raider. Mas eu falo da sensação de jogar lá nos anos 90, principalmente eu que estava e sempre fui mais um jogador do universo 2D.

O motivo que me fez gostar de Tomb Raider não foram os peitos triangulares generosos da protagonista. Isso é um extra, sem dúvida, principalmente para um adolescente, mas é apenas um tempero. Se a personagem fosse um cara barbudo (Lauro Croft?) o jogo seria ótimo do mesmo jeito, desde que se mantivessem as mecânicas de gameplay e a estrutura do jogo. Claro, Lara é peituda, nós amamos ela, mas o sucesso da franquia nem de longe se deve a isso. De peituda, o mundo está cheio. Um exemplo disso é o jogo também de Playstation chamado “Danger Girl” e que foi postado aqui no blog.

Em Danger Girl não temos apenas uma, mas três gostosas, e nem por isso o jogo foi um sucesso, e pasmem! O jogo é excelente! Isto é, tem peitos e tem qualidade e mesmo assim foi esquecido.

Retomando a frase lá do início do texto… “não existe fórmula para o sucesso”.

Eu comecei com a Miko, passei para Mortal Kombat e cheguei em Lara. Todos sucessos que recebem eventualmente o título de apelativos mas na essência são ótimos jogos. E os caminhos que fizeram eles jogos de sucesso são um mistério. Você pode fazer um ótimo jogo e nem por isso é garantia de retorno na mesma proporção do investimento. Lembrando de cabeça mesmo, sem buscar tabelas de vendas, os títulos que sempre fazem sucesso, em nenhum deles eu achei o tal do “sexo vende”.

Jogos de esportes, NFL,FIFA, jogos de tiros, Call of Duty ou Battlefield, Tetris ou Super Mario, Angry Birds ou Minecraft. A estrutura de todos estes jogos não possui nada de erótico como mola propulsora de vendas. E nem mesmo GTA. Que é um jogo polêmico por natureza se traduz nisso.

Eu duvido que um verdadeiro fã de GTA vai dizer que são as cenas de sexo ou violência que definem o motivo deles gostarem do game. Estou conjecturando é claro. Mas na minha visão o sucesso de GTA está no fato de você poder entrar em um outro mundo. Um mundo virtual cheio de missões e sub missões e até mesmo missão nenhuma. Você pode tudo ou quase tudo dentro de um mundo aberto cheio de possibilidades e interações! Uma pessoa mais sarcástica poderia contra argumentar e dizer que existe outro mundo aberto tão incrível quanto GTA, o chamado mundo real!

Só que a vantagem de GTA sobre o mundo real é que ele é ficção pura, é videogame! E todo jogador saudável sabe disso. Todo jogador pode infringir a lei dentro da ficção e por isso ela é atraente. Podemos infringir as leis humanas e da Física na ficção. GTA é um sucesso porque dá poderes ao jogador para fazer coisas que não são possíveis no mundo real, apenas por divertimento. Ficção é uma coisa e realidade é outra. Aí é que está o sucesso de GTA. Não na sua violência ou erotismo.

Existe um grupo pequeno de jogos – e eu sempre falo em relação aos jogos antigos, tema deste blog – que optaram por trazer sexo e erotismo como foco principal e precisavam fazer um joguinho que servisse como pretexto... só para não vender a coisa assim, digamos, sem embalagem.

E todos eles apresentam algumas características em comum. São jogos ruins, são jogos geralmente não licenciados, são jogos esquecidos e lembrados apenas como algo bizarro ou cômico e principalmente… são jogos que venderam pouco!

O Submundo dos Jogos Ruins… e com Peitos

 


A imagem acima é de uma das lutadoras de Strip Fighter II. Um jogo que pegou “emprestado”, se baseou no famoso nome da franquia da Capcom e resolveu fazer um jogo de luta onde só tem mulheres, e quando vencemos um dos rounds, a adversária tira parte da sua roupa, indo da lingerie até a nudez frontal.

Esse é um exemplo de jogo antigo que foi direto ao ponto, seja pela nudez ou erotismo. E quase sempre ou sempre, estes jogos são ruins, e quem os fazia sabia que eram ruins. O objetivo não é o game, o objetivo é ter uma desculpa para chegar na sacanagem propriamente dita. Estes jogos vendem pouco mas fazem barulho, seja pela polêmica ou pela curiosidade dos jogadores. O recorte que sempre faço é em relação aos jogos antigos. E neste período todas as empresas de consoles faziam o possível para banir jogos assim, já que seu público era infantil ou adolescente.

A Atari entrou na justiça contra jogos eróticos, a Nintendo criou seu “selo de qualidade” para evitar entre outras coisas, jogos danadinhos e a Sega também tinha seu selo. O que eu observo é que além de não vender muito, esses jogos eram ruins e geralmente não licenciados.

Enfim


A minha teoria, o meu chute, o meu achismo é que o erotismo é poderoso em si mesmo. Isto é. Nos produtos cuja finalidade é exatamente o pornográfico/sensual/erótico e não precisa de um pretexto para ser vendido. Como na indústria de filmes e revistas do setor, além, é claro, dos infindáveis sites marotos com milhões de acessos e audiência absoluta na internet.

Talvez atue também na compra por impulso. Uma revista com uma personagem bonita na capa pode vender mais mas não vai cativar e fidelizar um leitor só por isso. Uma gostosa pode te induzir a comprar uma ficha de arcade mas se o jogo for ruim você não vai cair na armadilha outra vez.

É como se essa força tivesse uma linha imaginária que quando aplicamos ela a outras coisas fora do seu domínio, ela perdesse o poder. Eu sempre pensei que existisse uma fórmula ou uma “pré fórmula” para vender jogos. Mas a realidade nos mostra jogos ótimos que vendem bem e mal, jogos ruins que também vendem muito ou quase nada. Acontece de tudo, e em nenhum desses casos um par de peitos fez diferença alguma.



Comentários

  1. Hoje tinha uma peituda no trem que não muito bonita de rosto, mas pelos peitos valia a viagem.
    O apelo sexual é bem forte.
    Os games refletem essa realidade.

    Abc

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    1. Verdade Scant, os games refletem o mundo e a época deles em certa medida. Mas é sempre bom lembrar que ficção e realidade são coisas muito distintas e o pessoal as vezes confunde as coisas. Por isso que tem gente lutando contra games "violentos" ou "sexualizados".
      Tem jogos que são despresíveis, mesmo assim são apenas jogos.
      Grande abraço Scant, valeu!

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  2. O maior problema é quando o jogo é ruim e se vale de erotismo/pornografia pra vender. Tem uns jogos triplo X bem feitos, é mais uma das formas de entretenimento. O pessoal ficou caretão demais, tudo ficam patrulhando.

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    1. Essa patrulha eu acho que nasce da burrice em não perceber a diferença entre ficção e realidade! Tem gente que encvhe a boca para falar que games são arte, games são entretenimento do mesmo nível do cinema, games são bla bla bla, mas na hora de encarar que games podem ser de tudo, até pornografia, de repente nasce uma censura velada tentando proteger a mídia como se fosse uma coisa essencialmente delicada ou frágil. Quer dizer, quando convém o videogame é entendido como algo maduro e maravilhoso... ou não! Pura histeria desse povo.
      Abração Doc!

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  3. HAHAHAHA muito bom o tema!
    Eu li o texto todo pensando como X-Man e Custer's Revenge do Atari são jogos bem ruins e ainda assim fizeram sucesso pq foram ousados em mostrar sexo explicito.
    Realmente não existe fórmula de sucesso, se existisse seria fácil e todo mundo seria um sucesso em tudo. Uma pena que não é assim, é duro ser fracassado em tudo que faço, vc não tem ideia... kkkkkkkkkk
    Agora sobre peitos: curioso como peitos em jogos nunca me chamaram muito a atenção, o negócio é desenhado pô, não é de verdade! kkkkk
    Nunca curti Tomb Raider original, o mais engraçado é que já fui "repreendido" por isso ("como que vc não gosta do jogo da gostosa?")... huahuahua. Um tanto quanto bizarro isso, mas enfim.
    Muito bom o texto! Kkk

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    1. Mas é esse o ponto Cadu, são peitos desenhados kkkkkkk mesmo assim é ficção kkkkkkk e mesmo assim tem gente que enlouquece com a "sexualização" dos games bla bla bla.

      Olha, pensando bem só uma fórmula de sucesso que existe... a da Coca-Cola! Mas o pessoal não libera a fórmula!

      Puta merda Cadu! Como você não gosta do jogo... bem... ok. Mas cada um tem algum clássico que não gosta né? Por exemplo, eu já fui muito zoado por não gostar muito de MK kkkkkkkk
      Abração Cadu!

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