A Guerra Dos Consoles


O post a seguir é uma breve resenha do livro somada a minha argumentação pessoal. Portanto nem tudo que o post cita se refere ao livro, sem perder, obviamente, a intenção de resenha e divulgação da obra.


A Atari entrou em uma mata fechada com uma foice na mão e teve que praticamente sozinha abrir um caminho na marra e mostrar as pessoas em geral o que era aquele “brinquedo” estranho que podia ser ligado em uma TV e que a empresa chamava de “videogame”. As pessoas conheciam videogames superficialmente até 1977.

O Pong fez um enorme sucesso comercial mas não chegou a criar uma cultura, uma febre dos videogames que pudesse ser reconhecido pela dona de casa ou pelo balconista do mercadinho. O Odyssey, por outro lado, vendeu pouco em relação ao mercado potencial e os arcades eram coisas alheias do cidadão comum norte americano, que chega em casa, pega uma cerveja e senta no sofá para ver os jogos de baseball. E eu falo de uma época em que o Atari 2600 estava chegando nos lares americanos em 1977

O videocassete é de 1975, caríssimo, só ficou mais acessível em 1976. Enfim, era tudo novidade. A TV, na cabeça das pessoas, era uma caixa para receber imagens da emissora. Só isso! E o conceito de usar cartuchos separadamente, para ter jogos separadamente, era tão recente quanto as fitas de VHS para ver filmes. Esse jeito de consumir vídeo e videogames como era consumida a música, foi uma das grandes mudanças da época. protagonizada pela Atari e o sistema VHS. Cada um na sua área.

A Nintendo fez algo parecido. Após a crise dos videogames em 1983/84, que deixou revendedores de brinquedos, eletrônicos e grandes varejistas com medo e descrentes deste mercado, devido ao recente fracasso estrondoso da Atari e seus associados. A Nintendo pouco tempo depois se apresentou sozinha tentando vender algo que ninguém queria mais nem ver de longe. A empresa do Mario conseguiu mostrar que videogames não eram apenas uma modinha e que era possível, sim, resgatar o setor. E claro, o pior, teve que fazer tudo isso sendo uma empresa estrangeira, e pior… japonesa.

Muitos americanos viam os japoneses naquela época como invasores, pois segundo eles, "os japoneses tiravam os empregos do americano médio", com seus carros, produtos eletrônicos e todo tipo de coisa que o Japão aprendeu a copiar e fazer melhor e mais barato. A Nintendo venceu a descrença e o preconceito. Pelo menos se não venceu, conseguiu superá-lo.

A Sega também teve um desafio gigante e quase similar as duas citadas acima. Ela entrou em um negócio onde a Nintendo dominava 90% do mercado, tinha esmagado seus concorrentes nos tribunais, controlava todos os processos de produção de um jogo, desde a ideia original até a chegada dele nas prateleiras. O Master System, o Atari 7800 entre outros, eram apenas um sombra pálida que jamais em nenhum contexto poderia ser chamado de rival ao Nintendinho.

Sem falar que a maioria esmagadora das desenvolvedoras e revendedoras de jogos estavam fechadas apenas com a Nintendo, e por um bom motivo: Dinheiro!

A Nintendo era grande e até certo ponto autoritária. Mas todos os parceiros que reclamavam indo até os que a amavam, tinham um ponto em comum. "Estamos com a Nintendo porque ela nos gera muito dinheiro". Simples, frio e óbvio.



Segue a saga da Sega


A Guerra Dos Consoles conta a saga da Sega nesta empreitada quase impossível de enfrentar um gigante, que era praticamente dono de todo um setor e era muito rentável a seus parceiros comerciais.

A Sega teve que virar esse placar e mostrar que um futuro próximo estava chegando, e neste futuro, eles, a Sega, era a empresa que tinha o melhor a oferecer. O futuro se chamava 16Bit. O Mega Drive, o Genesis nos USA, era o produto certo que todos deveriam ter.

A gente sabe que a Nintendo é uma moeda de dois lados. Um deles é a inovação, seja de jogos ou hardware, mas o outro é a inércia e o apego a certas coisas que ela determina como base, tipo o cartucho como mídia, a linha familiar de jogos e o próprio console Nintendo.

Se não fosse pela pressão do PC Engine no Japão e do Genesis nos USA, muito provavelmente o Nintendinho seria empurrado por mais uns 3 anos. Por que mudar o time que está ganhando? O amigo leitor deve saber que o NES recebia jogos “bombados” para que parte do processamento fosse feito no cartucho e não no console. Basta você comparar os gráficos de jogos iniciais de 84/85 e jogos mais maduros, como os da franquia Mega Man. É um choque!




Documentário vs Romance


A leitura do livro é deliciosa porque ele está no formato de diálogos, na forma romanceada mesmo. O próprio autor, Blake J. Harris, conta que escreveu baseado em entrevistas mas teve que inventar algumas coisas para dar um apoio ao texto, nada que tirasse o valor real do que foi registrado nestas entrevistas e depoimentos. A impressão é que estamos assistindo a um filme. Não pesquisei sobre isso, parece que vai sair um filme mesmo.

O livro é baseado nas aventuras do cara que abraçou a Sega e junto com uma equipe de feras, fez o milagre, isto é, deu um soco no estômago da poderosa Nintendo. Esse cara se chama Tom Kalinske.

Kalinske era genial. Foi ele que trabalhando para a Matel, ajudou a dar uma identidade ao boneco (action figure se você não quer se chamado de criança), He-Man.

Mas Kalinske vai ficar sempre conhecido também como o cara que transformou a boneca Barbie, até então uma boneca famosa mas em declínio, em um mega sucesso mundial. Kalinske foi o cara responsável por dar à Barbie as suas várias facetas e diversificar a boneca em vários temas. Ele sabia que a Barbie não era apenas um “pedaço de plástico”, a Barbie era a materialização dos sonhos das meninas, e o mestre Kalinske fez exatamente isso, deu asas a esses sonhos!

Para poder fazer toda a contextualização, o livro também conta um pouco da história da Nintendo e de algumas empresas que de alguma forma cruzaram o caminho da Sega, seja ajudando ou atrapalhando ela, como a Sony e outras desenvolvedoras.




Sega vs Sega vs ... o resto


Uma coisa legal que fica bem explícita no livro é que em certo momento, a grande rival da Sega era a própria Sega. O choque de culturas da Sega of America com a Sega of Japan quase pôs tudo a perder. Kalinske teve que vencer a Nintendo e a Sega do Japão ao mesmo tempo, simplesmente sensacional!

Outra coisa que fica bem clara é que o Mega Drive veio com a missão de frear o Nintendinho, e ao mesmo tempo se tornar o console da próxima geração. Mas para isso ele precisava de algo para derrubar o Mario da Nintendo, sem esse “algo”, dificilmente o Mega Drive teria o destaque ou chamaria a atenção de pessoas e revendedores.

Esse algo se chama Sonic The Hedgehog, o ouriço que teve a dura missão de se tornar um mascote, um ícone, um guerreiro, e um porta-voz visual que desse uma identidade a toda uma empresa. Bom… o Sonic fez tudo isso!




No Xadrez dos games... Mario foi a peça errada


A princípio, Sonic foi desenvolvido porque a Sega precisava ter o “seu Mario”, mas sua função principal depois de pronto, passou gradativamente de  um "antiMario", para um "antiSuper Nintendo", o console que chegaria nos USA e iniciaria a "Guerra" efetivamente.

Mas quando o Super Nintendo confirmou que Mario seria o jogo que viria na caixa do console, o ringue acabou se definindo mais uma vez. Mario vs Sonic. Não podia ser melhor para a Sega. E por quê? Simples. Sonic era melhor que Mario, e eu vou explicar os motivos.

Se a Nintendo tivesse investido em algum jogo completamente novo e incrível para ser o jogo da caixa, o jogo que seria vendido junto com o console, com certeza eles teriam feito esse jogo incrível e com certeza isso seria um tapa na cara da Sega, dos planos da Sega. Mas ao escolher o Mario, uma escolha mais do que natural, a Nintendo optou pelo mais do mesmo.

Tudo bem, Super Mario World é fantástico, inclusive é tido como o melhor Mario de todos os tempos por muitos, mas não devemos nos esquecer que este Mario nada mais era do que o Super Mario 4, uma atualização do Super Mario 3 do Nintendo, outro jogo incrível.

Aonde eu quero chegar com esse papinho. O pulo do gato (do ouriço?) aqui é que a Sega apostava no novo, na irreverência, no descolado, no diferente e Sonic além de ser um jogo incrível e revolucionário, também representava tudo isso.

Portanto se a Nintendo tivesse escolhido um outro caminho, talvez o efeito do Sonic poderia ter sido abafado, mas claro, quem poderia imaginar que a Sega teria tanto êxito em se colocar como a “anti tradição” do videogame?

O passo clássico da Nintendo, em insistir na franquia dos cogumelos como jogo ponta de lança, associado ao golpe arrojado e louco da Sega, com o Sonic, que além de excelente era novidade, foi o que começou a ruir os muros do "Castelo".



Eu prefiro a capa brasileira


É legal observar as capas americana, brasileira e italiana do livro. Os americanos destacaram a guerra inicial do Mega Drive com o Nintendinho, já que são esses controles que aparecem interligados na capa. Os brasileiros foram mais pessoais, e puxaram a briga para os personagens centrais, Mario e Sonic, e deixaram o hardware de lado, e os italianos, optaram pela parte final e decisiva, isto é, a efetiva guerra dos 16 Bits que se deu em seguida. Colocando em destaque os controles do Super Nintendo (europeu com botões iguais a versão japonesa) e do Mega Drive.




Outras traduções estão a caminho, como Coreia, França, Espanha e Rússia.







O Playstation era inevitável, e poderia ser da Nin... SEGA


O Playstation também é citado no livro. Ao contrário do que o senso comum poderia prever, apenas olhando a linha da evolução dos videogames, o Playstation não foi “apenas” o console que veio depois e definiu outra fase dos videogames. Muito pelo contrário, o console da Sony tem muita história que acabou se cruzando e influenciando a guerra dos consoles entre Sega e Nintendo.

Playstation sairia do papel com ou sem a briga da Nintendo e toda aquela história de CD ROM, que ora era da Sony ora ficava com a Philips... um rolo. A ideia de ter um hardware próprio remonta muitos anos atrás. Basta ver que o contrato da Sony com a Nintendo de 1988, já previra que a Sony ficaria com o controle dos jogos em CD.

Nessa época a Nintendo deu de ombros, mas depois… ficou difícil manter aquele tipo de contrato, onde a Sony claramente estava de olho não só em uma parceria, mas queria usar a casa do Mario como trampolim para o mundo dos consoles. Ken Kutaragi, o pai do Playstation, teve uma ideia de fazer um console quando em 1987 viu um Famicom pela primeira vez, ele de fato queria ter aquilo na Sony. Mas não é possível por um console no mercado da noite para o dia, principalmente sem o know how de software. Nem mesmo para a Sony seria possível naquela época. Em 1988.

Por isso mesmo a Sega também foi assediada pela Sony. As conversações, namoros e fuxicos entre Tom Kalinske e outros funcionários da Sega com a "Sony pré Playstation" é descrita no livro. Existia uma ideia clara da Sony lançar junto com a Sega um console CD, o Saturn nunca teria existido. Isso em tese, porque a SOJ (Sega of Japan) nunca aceitaria ter um hardware "estrangeiro" e para complicar mais, a Sony internamente não queria ter negócios com videogames, existia uma parte da Sony que apoiava a nova empreitada, mas outra parte da empresa, não. Foi esse pessoal anti videogames de dentro da Sony que acabou colocando um ponto final nas negociações entre Sega e Sony.

Inclusive alguns funcionários da SOA (Sega of America) largaram a empresa do azulzinho e passaram a trabalhar para a Sony posteriormente. Em outras palavras. O Playstation e sua origem foi um fato que contém uma espessa relação entre tentativas e decisões que envolveram até o pescoço tanto a Sega quanto a Nintendo.



É 8 ou 80 Sr. Harris...


E falando do Sr. Harris, o autor do livro. Eu gostaria de expor uma informação estranha. E também mostrar como um fato pode ser tratado de duas formas diferentes. Olha só o que ele disse sobre o início da Nintendo no mundo dos videogames, e depois eu coloco o que o autor David Sheff, que escreveu ,“Os Mestres do Jogo”, disse sobre o mesmo tema.

“Em 1977, a Nintendo lançou um console laranja do tamanho de uma caixa de sapato chamado Color TV-Game 6, que rodava seis versões ligeiramente diferentes entre si de tênis eletrônico e dividiu opiniões. Embora tenha vendido um milhão de unidades do console, no fim das contas a Nintendo perdeu dinheiro com ele em razão dos custos exorbitantes com pesquisa e desenvolvimento.”
Blake J. Harris “A Guerra Dos Consoles” Editora Intrínseca 2014

Agora veja o que diz o Sr. Sheff.

“Em 1977, a Nintendo se uniu à Mitsubishi e entrou no mercado doméstico lançando o Color TV Game 6, que processava seis versões de tênis. Logo surgiu uma sequência mais poderosa, o Color TV Game 15. Cada um vendeu um milhão de unidades. A equipe de engenharia elaborou sistemas que processavam um jogo mais complexo, o Blockbuster, e uma corrida. Ambos venderam meio milhão de unidades. Discretamente, a Nintendo entrava no mundo da versão audiovisual e da eletrônica de consumo. Os bem-sucedidos sistemas de videogame garantiram a sobrevivência da empresa.”
David Sheff “Os Mestres Do Jogo” Editora Best Seller 1993

Caraca, que abacaxi hein! Afinal de contas, o Color TV Game 6 e 15 fizeram a Nintendo perder dinheiro e “dividir opiniões”, ou foram a sua garantia de sobrevivência?

Existe um blog bem famoso, talvez o leitor já conheça, que traz de tudo que a Nintendo fez antes do Mario, isto é "before Mario", este blog também diz algo parecido ao David.

"Though commercially successful, and thus providing the incentive to continue in this business direction, the release of Color TV-Game 6 and Color TV-Game 15 was a modest first step in the sense that the game ideas did not originate from Nintendo itself. A license to produce these pong-style games was obtained from Magnavox. Technical expertise needed to manufacture these machines was obtained through a partnership with Mitsubishi Electronic."

Before Mario TV Game 1977 

A única forma de saber com precisão contábil seria recorrer aos relatórios de vendas de época e ver se deu prejuízo ou lucro. Mas como não temos esses documentos, podemos analisar os textos para chegar aos fatos.

O Sr. Harris ignora que a versão TV game 15 também vendeu mais um milhão de unidades, não apenas o Color TV Game 6. Bom aí já temos um erro singelo de 1 milhão de unidades!

O Sr. Harris não cita que a Nintendo buscou apoio na Mitsubishi, e portanto a Nintendo não fez nada sozinha, apenas terceirizou algo que ela, Nintendo, não poderia fazer naquele momento.

Eu pergunto, o que o Sr. Harris quis dizer com “custos exorbitantes em pesquisa e desenvolvimento”, se o trabalho foi feito pela Mitsubishi? Além disso o desenho do hardware não seria algo tão difícil de concretizar, na época Pong´s clones surgiam de todo lugar pela relativa facilidade de montagem.


Refletindo...


Uma empresa que tem zero de conhecimento em uma área, que vendia baralhos e brinquedos como a Ultra Hand, isto é, analógicos, e quer entrar na área de eletrônicos, componentes e programação, fica óbvio que é preciso gastar muito dinheiro com pesquisa e desenvolvimento. Isso não é obvio?

O que aconteceu é que o senhor Hiroshi Yamauchi, presidente da Nintendo, encontrou um belo nicho para sua empresa em 1977 inspirado pelos sucessos da Atari com o Pong caseiro, e tentou uma parceria com a Mitsubishi que deu tão certo, que o dinheiro gerado foi usado para a Nintendo entrar de vez no negócio do videogame que acabou culminando com o lançamento do Famicom alguns anos depois. Este foi um erro grosseiro da "Guerra Dos Consoles", sem dúvidas. Um tropeço do Sr. Harris.

O investimento em pesquisa e desenvolvimento da Nintendo em eletrônica, graças ao dinheiro do sucesso dos Color TV 6 e 15, em 1977, fez a Nintendo ousar em fazer um projeto 100% Nintendo, com peças da Sharp, mas o projeto intelectual 100% Nintendo, que foi o Game & Watch. Esse portátil vendeu tanto que a Asia estava cheia de clones dele. De certa forma, ele foi uma “prévia” do Game Boy. 



Tec Toy > Sega, se console = Master System


O Master System vendeu pouco devido aos contratos da Nintendo, é verdade, mesmo assim ele estava dentro de um mercado onde todos sabiam o que era videogame, e todos estavam dispostos a jogar consoles 8Bits, logo eu acho que o Master System bem ou mal, estava dentro de um mercado e não dentro de um deserto.

O Mega Drive chegou e fez o mundo tremer, principalmente, fez a Nintendo tremer. A Sega, enfim, cresceu e parou de chorar.



Aqui no Brasil, a Tec Toy entrou na briga, enfrentou os Nintendos piratas (o que é muito pior que enfrentar a Nintendo oficial, pois eles não possuem custos de direitos autorais, regras de conduta comercial e são vários, pulverizados), fez um trabalho de marketing sensacional, desculpe o termo mas… a Tec Toy botou pra fuder! E conquistou um mercado de certo modo mais difícil que o americano e fez tudo isso com os encargos de direitos e a resistência da Sega of Japan em alguns temas. A Tec Toy já nasceu adulta, a Sega amadureceu aos poucos.

Espera aí, vamos com calma. Não estou criticando o livro, eu adorei o livro, vou reler várias vezes com certeza, mas é claro, se algo não está muito legal eu preciso falar sobre, não tem jeito. E então chegamos no prefácio...



Um Prefácio terrível


E para acabar com a parte “reclamações do Ulisses 8 Bits”, eu devo falar um pouquinho sobre o prefácio do livro, que foi escrito por, pasmem! Duas pessoas. Duas pessoas adultas!

O prefácio de um livro é o primeiro contato do leitor com o texto. Depois da capa e do índice, é o prefácio que lemos. Mas aqui em “A Guerra Dos Consoles”, eu fiquei assustado. Alguém que não gosta muito ou não conhece muito bem os videogames e tem contato com este prefácio, ao passear em uma livraria provavelmente vai ficar com a impressão de que quem joga videogame é alienado, criança ou adolescente. Ou as três coisas ao mesmo tempo!

Não Ulisses, seu mala, você não entendeu a brincadeira, era para ser assim mesmo, "descontraído".

Eu não aceito um argumento desses. O prefácio é chato, bobo, cheio de chavões, ideias repetitivas, cortes abruptos de pensamento, sem graça, uma verdadeira avalanche de vergonha alheia.

A impressão que dá é que quem escreveu o texto não foram dois adultos, mas os personagens alienados da MTV, o Beavis and Butt-head! Ainda bem que foi apenas um mau começo, porque ao iniciar o livro, tudo muda, e entramos no mágico mundo da Sega vs Nintendo, e na belíssima e divertida escrita de Blake J. Harris. Uma leitura deliciosa de ponta a ponta, com exceção do prefácio… claro.

A Guerra Dos Consoles me surpreendeu positivamente em todos os sentidos. História cativante e bem contada. Grandes revelações sobre as empresas e momentos históricos sobre os videogames. Muita informação. Momentos impagáveis de humor.

A história não só de uma grande empresa mas de um grande profissional, o senhor Kalinske. O livro nos brinda com um dos momentos mais sensacionais da história dos videogames, talvez uma das maiores rivalidades recentes no mundo dos negócios. Sega vs Nintendo.


Título: A Guerra Dos Consoles
Autor: Blake J. Harris
Editora: Intrínseca

Comentários

  1. Bela leitura este post, caro Ulisses. Muito interessante como a Sega teve entraves inclusive da própria Sega... Uma coisa que gosto muito dessa época é como casa sistema de videogames teve uma personalidade toda própria em todos os aspectos. Até em títulos que saíam para várias plataformas ao mesmo tempo, as coisas mudavam muito de console para console. Muito do que você comentou eu desconhecia e deu para ter uma ideia boa do livro. De quebra você nos proporcionou um interessante registro da console wars. Muito bom mesmo, bela postagem. Vou caçar esse livro provavelmente mês que vem...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Essa personalidade jamais voltará Lucas. Cada videogame era um universo à parte. Hoje é fantástico poder jogar um PS4 mas eu posso jogar algo similar ou melhor com um bom PC... entende, não é a mesma coisa. Eu garanto que é uma excelente leitura sobre aquele período dos games, não tem como se arrepender!
      Obrigado pela visita Lucas!

      Excluir
  2. Joca e Juca devem ter escrito o prefácio. Essas informações desencontradas são um problema: As vezes você confere uma fonte, escuta outra daí fica parecendo que tu imaginou a parada, ou leu uma história falsa. Infelizmente essa indústria é bem complicada, omitiam muitas informações e até hoje algumas companhias são veladas em suas atividades.

    A Nintendo é bem fechada e implicante com o que envolve o seu nome, é mais do que um protecionismo, ela perde muita oportunidades assim. A Sega se dispersou muito e o resultado foi a queda na credibilidade dos sucessores do MD. A Sony só nas bocadas.

    Esses seus artigos da era pré NES me deu uma ideia: Fazer reviews dos remakes de clássicos dessa era. No lugar de abordar o Pac Man do 2600, falar de algum remake significante seu. Lembro que pra DS tinha uns remakes do Space Invaders muito bons.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Kkkkkkkk Joca e Juca é papo reto Doc. Eles mandam bem a informação de um jeito nada tradicional mas funciona. O prefácio dos caras tentou ser engraçado, descontraído e até pode ser que apareça alguém dizendo que gostou, mas eu pessoalmente não gostei não. O prefácio tem uma função de "isca" muitas vezes. Serve como um "boas vindas" a um leitor indeciso, mas este do Guerra Dos Consoles, não parece um boas vindas, parece um atestado de insanidade mental kkkkkkk.
      A Nintendo é um saco neste aspecto. Os caras são muito cheios de "isolamento", até parece que a Nintendo é um órgão de defesa de um país e não uma empresa de games cacete! KKkkkkkkkk A Sony também é japonesa mas eu não sinto essa coisa de "máfia" que a Nintendo passa muitas vezes. Eles são muito abertos e coloridos quando expõe algo, mas quando a gente pede algo deles é como se a empresa fosse algo intocável. Um bom exemplo é a forma que eles tratam o Youtube. Uma coisa é certa. Os advogados da Nintendo devem trabalhar pra caralho kkkkkkkkk
      Eu adorei sua ideia! Fazer uma pesquisa e trazer remakes de mega clássicos é algo muito interessante. geralmente a gente encontra este tipo de info mas de forma pulverizada. Ia ficar legal algo focado no tema. original/remake. Muito bom mesmo, gostei!
      Abração Doc!

      Excluir
  3. Já tinha visto algumas coisas desse livro, mas nunca parei para ler, agora me deu vontade.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É o livro mais divulgado e comentado sobre games, foi um excelente trabalho de pesquisa do Sr Harris. Mas para nós, Duran, é mais importante ainda pelo fato de ter tradução. Por baixo, existem uns 10 livros TOP sobre games em inglês que falam da história dos games... por baixo. Mas no Brasil eu só conheço 3. Este, Nos Bastidores Da Nintendo e o referência e mais antigo, Os Mestres Do Jogo.
      Abração Duran!

      Excluir
  4. Fala Ulisses, meu velho! Fazia tempo que não estava para passar aqui e comentar! Não comentei antes porque estava lendo as suas indicações de leitura para depois comentar. E tenho só que te agradecer pelas dicas viuz cara! Essa fase de dicas de leitura me rendeu boas horas e alegria. Tanto li Jogos Eletrônico e Eu e 1983-194. =) Sobre o Guerra dos consoles estou lendo ainda, enrolando pakas na verdade, tenho que terminar de ler ele de qualquer jeito. Faz 1 que tenho ele não terminei de ler ainda, mas sei que é um livro incrível. Valeu Ulisses e continue mandando mais dicas de leitura ^^

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado Ivo, é um prazer ajudar! Você acredita que eu não consegui ler todo o 1983/84? Mas estou lendo aos poucos kkkkk ^_^
      Assim que eu for lendo eu posto aqui. Gosto muito de analisar e compartilhar dicas de livros!
      Grande abraço Ivo!

      Excluir
  5. Ihhhhhh, olha a idade chegando, Ulisses! kkkkkkkk
    Palhaçadas a parte, eu gostei do prefácio. Não tem absolutamente nada a ver com o livro, mas deixa os caras darem uma zoada só pra entrar no clima.
    Sobre o lance da Mitsubishi e Nintendo e a coisa toda, acho que o foco do autor foi tão forte na SEGA e na guerra dos 16 Bits que eu acho que a fase pré 8 Bits (isso contando o Atari) e boa parte da fase dos 8 Bits foi só uma breve passagem mesmo. Seria mais legal se fosse um livro mais completo, sem dúvidas, mas eu entendi que não era o foco dele mesmo, mas sim contar o NES x Mega x SNES x PSOne vs Capcom & Knuckles Champion Edition Turbo. Não que eu não ache válida sua reclamação, só pagando de advogado do diabo aqui! rs
    Muito bom o post! Deu vontade de reler o livro!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Não tem jeito Cadu, será que eu estou ficando ranzinza? KKkkkkkkkkkkkk bom se você gostou então eu fico pelo menos com a consciência um pouquinho mais leve, talvez nem todo mundo ache tão ruim assim. o que é bom para o livro. Mas eu pessoalmente odiei kkkkkkkk

      Esse livro independente do recorte e do foco dele é sensacional Cadu! Se deu vontade de reler aposto que vai descobrir coisas novas, é difícil absorver tudo em uma lida só. E é exatamente por isso que este livro é ótimo.
      Abração Cadu!

      Excluir
  6. Infelizmente, atualmente estou tendo muitos problemas com conexão, e por isso não estou podendo deixar comentários a contento nos seus textos.

    Aproveito esse meu momentâneo "momento conectado" para não somente elogiar o ótimo texto aqui presente, como para informar que sou muito fã do seu trabalho.

    Sempre que acesso o "8 bits" tenho a certeza de, mesmo que eu não concorde com os pontos abordados no referido assunto, gostarei da estrutura do texto e da argumentação nele usada para cada um dos pontos.

    Passado esse meu momento "fã boy", me despeço.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito obrigado pelos elogios, Eduardo!
      Todo texto que sai no blog é o meu ponto de vista, eu adoro quando recebo comentários concordando e discordando. Eu sempre aprendo
      com os comentários. É muito legal compartilhar experiências iguais em relação aos games ou discordar e ver novos pontos de vista e até mesmo repensar opiniões formadas. Isso tudo eu aprendo comentando em blogs e respondendo aos comentários aqui do 8 Bits.
      Um grande abraço e mais uma vez, obrigadão pela força!

      Excluir
  7. Eu li esse livro, é excelente! Se a pessoa estiver for retro gamer, é recomendação máximo.

    Eu acho muito engraçado, eu estou mais para o lado Nintedista (óbvio, principalmente escrevendo para o Blog N64 Brasil shuahs), porém após ler esse livro eu passei a olhar a SOA diferente e passei a odiar a SOJ.

    Agora vejo como a SOA era tão criativa e importante, se não fosse por ela, o Sonic nem seria um grande sucesso!

    Pelo menos é o melhor livro que li referente a esse assunto (e também o único).

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Conforme eu ia lendo, eu também começava a não gostar das atitudes estranhas da SOJ kkkkkkkkk acho que a empresa estava sob certos valores e rotinas engessadas que só prejudicavam a SEGA como um todo.
      Eu já li alguns livros de games, mas certamente este é um dos melhores, principalmente porque traz as informações e histórias de uma forma bem gostosa, tipo um filme. ^_^
      Escrevendo no N64 Brasil seu olhar tende a ser mais Nintendo mesmo kkkkkkkkk bem lembrado. ^_^
      Valeu pelo comentário, Alex! Independente do console, todos nós amamos videogame, seja bem vindo!

      Excluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

50 Jogos de Atari Que Mais Gosto de Jogar

MeMe Gamer: O Que Você Jogou Em 2016?

Dicas Para Emular o Sega Saturn: SSF e o Yabause